segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Rastro de Sangue: Jack, O Estripador

Título: Rastro de Sangue: Jack, O Estripador
Título Original: Stalking Jack The Ripper
Autora: Kerri Maniscalco
Série: Stalking Jack The Ripper - #1
Editora: DarkSide – selo DarkLove
Ano: 2018
Páginas: 354
Tradução: Ana Death Duarte
Livro: Skoob
Sinopse:

Audrey Rose não é a típica donzela inglesa do século xix. Quando ninguém está vendo, a jovem realiza autópsias no laboratório de seu tio, contrariando a vontade de seu pai e todas as expectativas da sociedade. Ela pode não saber fazer um penteado elaborado, mas faz uma incisão em Y num cadáver como ninguém. Seus estudos em medicina forense a levam na trilha do misterioso Jack, cujos assassinatos brutais derivados de uma terrível sede de sangue amedrontam a cidade. E Audrey Rose, empoderada desde o berço, quer fazer justiça às vítimas - mulheres sem voz e marginalizadas por uma sociedade extremamente sexista. Na companhia de Thomas Cresswell, o aprendiz convencido e irritante de seu tio, ela decide seguir seus instintos e os rastros de sangue do notório assassino. Afinal, nenhum homem foi capaz de descobrir sua identidade. Esse é um trabalho para uma mulher.
Rastro de Sangue: Jack, o Estripador é o primeiro volume de uma série que já prevê inspiração em outros personagens clássicos da era vitoriana, como o Príncipe Drácula e o Escapista Harry Houdini. É também o romance de estreia de Kerri Maniscalco, autora descoberta por James Patterson, que vem conquistando o coração de leitoras e leitores em todo o mundo. Aqui no Brasil, os fãs podem esperar aquele padrão de qualidade quase psicopata da DarkSide Books. Uma edição feita sob medida para acompanhar os leitores nessa investigação cheia de reviravoltas. E, como se fosse preciso dizer, em capa dura, é claro.
Rastro de Sangue: Jack, o Estripador faz parte da linha editorial DarkLove, só com livros escritos por mulheres com grandes histórias para contar. Os detalhes sobre medicina forense aproximam também os fãs de livros da coleção Crime Scene, como O Segredo dos Corpos ou os Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy. Recomendado também para os amantes de CSI, Mindhunter, O Terror Gótico de Penny Dreadful e o Medo Clássico de Edgar Allan Poe.

Num período como o ano 1888, Audrey Rose é considerada uma jovem peculiar: após a morte de sua mãe, seu hobby preferido é realizar autópsias junto do tio em seu laboratório. Audrey era fascinada por ciência e pelo corpo humano. Seu pai detestava a atividade e insistia que ela se mantivesse longe das “monstruosidades” realizadas pelo seu tio, mas Audrey não se incomodava com os procedimentos ou com o cheiro de podridão vindo do corpo. Inclusive, ela odiava quando deixavam de lhe passar informações apenas por ela ser uma mulher. Seu tio a enxergava de modo diferente, focando em seu potencial e na força que Audrey possuía e demonstrava diariamente. Ela era interessada, e também extremamente inteligente, pensando de forma clara e objetiva.

“Oh? Me mostre no dicionário médico onde está escrito que uma mulher não consegue lidar com essas coisas. Do que é feita a alma de um homem que não exista na alma de uma mulher?” provoquei. “Eu não fazia a mínima ideia de que minhas entranhas eram compostas de algodões e gatinhos, enquanto as almas de vocês, homens, são cheias de aço e partes mecânicas.”

Em um dia no laboratório, seu tio convida um de seus alunos para participar do treino. Thomas é perspicaz e de primeira impressão aparenta ser rude, mas aos poucos Audrey descobre que essa é apenas a camada superficial de Thomas, e por fim ele se mostra bondoso e justiceiro. Por diversas vezes, Thomas disse à Audrey que ela precisava deixar as emoções de lado antes de encarar um corpo e investigá-lo, e sua teoria se prova completamente correta quando começam a surgir as vítimas de Avental-de-Couro, ou como ficou mais conhecido, Jack, O Estripador.

A princípio, as palavras dele roubaram-me o ar. Por que eu deveria ser ou dócil e decente, ou curiosa e desprezível? Eu era uma moça decente, mesmo que passasse meu tempo livre lendo sobre teorias científicas e dissecando os mortos.

Os corpos falecidos eram direcionados ao laboratório de seu tio, onde os três juntos anotavam as informações recolhidas a partir da autópsia realizada por eles (necropsia, pra ser mais precisa, embora no livro seja definido como autópsia. O termo autopsia remete a realizar o procedimento em si mesmo, enquanto necropsia é o exame num cadáver). Junto dos assassinatos, vem os questionamentos: Porque ele estaria matando somente prostitutas? E quando determinados órgãos não são encontrados nos respectivos órgãos, as dúvidas tomam dimensões maiores. Logo, a polícia passa a receber cartas de Avental-de-Couro, fazendo ameaças, os incitando a tentar desvendar sua identidade, e prometendo crueldades bárbaras com suas próximas vítimas. No fim, ele assina a carta se auto-titulando como Jack, O Estripador.

Apanhei a bandeja de ferramentas de autópsia, entregando o fórceps ao meu tio. Recompus minhas emoções, não permitindo que nenhum fio delas se soltasse.
Estava na hora de agir como uma cientista.

No meio de todas as atrocidades cometidas pelo famoso assassino, Audrey Rose e Thomas procuram por pistas que revelem quem é o criminoso, qual sua ligação com as vítimas, e como conseguiriam pará-lo. Nisso, o laboratório do tio de Audrey é revirado, ele é culpado pelos assassinatos, e Audrey e Thomas vão se enfiando cada vez mais num jogo perigoso afim de salvar o tio e evitar a série horripilante de mortes.


Eu já havia marcado o livro como desejado desde seu lançamento, mas só depois que vi a resenha da obra no blog Diário de Incentivo à Leitura é que fui lembrar do livro. Minha curiosidade com a história foi tão grande que comprei na hora mesmo.

Falando primeiro da edição, lógico que passei um grande tempo babando na capa e nas páginas antes de enfim começar a leitura. Como todo trabalho da DarkSide, assim como do selo DarkLove, a edição está impecável. O livro possui formato de capa dura e todas as páginas que dividem o fim de um capítulo e o início de outro são pretas com a imagem de uma caveira.



Em todas as páginas que acompanham o início de um capítulo, temos imagens diferentes em preto e branco relacionadas com a história: partes do corpo humano, instrumentos utilizados na autópsia, e também imagens mais “leves” como as damas da época, o costume das moças se reunirem para tomar o chá da tarde, e determinados lugares de da cidade.



Logo na primeira página do livro e na última, temos também o mapa do percurso do metrô de Londres com algumas informações e escritas. Na maioria das imagens temos descrições, mas em algumas não há tradução, o que acredito que tenha sido devido à escrita ser ilegível mesmo pros tradutores.



Quanto à história, o que falar de protagonistas corajosas que põe a cara à tapa sem temer a reação da população em pleno século XIX? É impossível não gostar de Audrey. Assim como ela enfrenta o desconhecido, ela suspeita de tudo. O cenário em que ela se encontra é tão misterioso e o assassino aparenta estar tão próximo, logo à espreita, que em determinado momento ela desconfia de todos seus conhecidos. Capaz que até do passarinho na árvore ela suspeitara de ser o assassino.

Thomas com sua arrogância é um personagem que não nos afeiçoa de primeira, mas quanto mais Audrey descobre de seu passado e sua determinação, mais simpatizamos com ele. É um grande gênio que elabora hipóteses confiáveis, mas que, honestamente, demorou um pouco para chegar à resolução do caso. Embora a obra seja carregada em parte por mistério e suspense, os fãs do gênero resolvem fácil a questão de “quem é Jack”. E sim, na obra temos essa resposta, embora na vida real a identidade de Jack, O Estripador nunca tenha sido descoberta. Vários homens foram presos, mas nenhum deles era o verdadeiro assassino.

Às vezes, as trevas nos olhos dele me deixavam mais aterrorizada do que os mortos que abríamos como se fôssemos açougueiros.

A história não é de terror, mas conhecendo os leitores do blog, eu não recomendaria o livro pra quem tem estômago fraco. As passagens com o grupo realizando as autópsias são descritivas e extremamente reais. Isso mesmo, estamos falando de órgãos sendo retirados, costelas sendo quebradas para alcançarem o coração, intestinos sendo envolvidos nas vítimas nas cenas de crime. Não é algo bonito, muito menos se você estiver de barriga cheia. Sem dúvidas Jantar Secreto do Raphael Montes provoca muito mais náuseas do que Rastros de Sangue, mas o título não engana mesmo: Vai ter sangue sim e vai ter bastante!

Para os fãs de suspense policial vai ser moleza. Contamos com cenas de investigação criminal, e inclusive, todo o propósito da autópsia é reunir dados para determinar a causa da morte. É bem interessante, na verdade, se você não sabe como esses exames são realizados. Nos meus quatro anos de faculdade de Biomedicina vi muito sangue e muitos vídeos de necropsias (fui obrigada, pra ser bem sincera), então as descrições mais me deixaram empolgada do que enjoada (psicopata mode on).



Nas páginas finais, a autora escreveu uma nota onde explica quais partes foram fruto de sua criatividade e quais foram baseadas na realidade. A protagonista, assim como sua família e amigos, são fictícios, mas os nomes das vítimas, as datas, os locais e como se sucederam as mortes são reais. Um fato que considerei muito curioso é que as mortes “auxiliaram” na evolução da ciência ou medicina forense, que hoje em dia é mais chamado por perícia forense. Devido à maneira lastimável como Jack deixava suas vitimas, as investigações acerca da cena e as pesquisas em cima do próprio corpo eram maiores, em busca de padrões dos ferimentos. Isso me lembrou a Segunda Guerra Mundial, onde a ciência teve grandes avanços “graças” às pesquisas realizadas no período. Uma contradição enorme e infeliz.

Jack, O Estripador – Rastro de Sangue é uma leitura alucinante e frenética que impulsiona o leitor atrás de respostas. Um suspense mesclado com romance de época que você nunca viu igual. Está esperando o que pra se aventurar no laboratório com Audrey e Thomas, dois jovens completamente excêntricos e sagazes, e pelas ruas de Londres no século XIX à procura de um assassino?

“Que emocionante! Talvez eu vá acompanhar você em algumas de suas aventuras. Há rapazes bonitos com quem flertar? Não há nada melhor do que um pouco de perigo com um pouco de romance.”

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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