quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Em Pedaços

Título: Em Pedaços
Título Original: Broken
Autora: Lauren Layne
Série: Recomeços - #1
Editora: Paralela
Ano: 2018
Páginas: 248
Livro: Skoob
Sinopse:
Uma garota com segredos corrosivos. Um ex-soldado com cicatrizes externas e internas. Um amor que pode salvar ambos... ou destrui-los de vez.
Aos vinte e dois anos, Olivia Middleton tem Nova York aos seus pés. Por fora, ela é a garota perfeita — linda, inteligente e caridosa — mas, por dentro, guarda um segredo terrível: um erro que a afastou das duas únicas pessoas que realmente importavam na sua vida. Determinada a esquecer o passado, ela deixa Manhattan e vai trabalhar como cuidadora de um soldado recém-saído da guerra. O que ela não esperava era que seu paciente seria um jovem enigmático de vinte e quatro anos tão amargurado quanto atraente.
Paul Langdon está furioso — com o mundo, com a vida, com o seu pai e, principalmente, consigo mesmo. Depois de sofrer na pele os horrores da Guerra do Afeganistão, a última coisa que ele quer é a companhia de uma princesinha nova-iorquina linda, mimada e irritante. A presença de Olivia parece tóxica para Paul: ela o incomoda, mas ele não consegue afastá-la, por mais que tente.
Nessa recontagem moderna de A Bela e a Fera, Lauren Layne nos traz uma história irresistível de perdão, cura e, acima de tudo, amor.

Após cometer um erro envolvendo o namorado, Olivia larga a faculdade e abraça uma oportunidade de emprego em outra cidade como uma fuga. Seu trabalho era ser cuidadora de um militar ferido, mas por não ter estudado mais a respeito de seu paciente, Olivia não tinha como estar preparada para o que encontraria.

Paul presenciou seus companheiros morrerem na guerra. Apenas ele sobrevivera após o ataque e de ser torturado, o que lhe rendera cicatrizes profundas em um lado do rosto e dificuldade de se locomover com uma das pernas. Paul se considerava um monstro pela aparência e se afundava cada vez mais na solidão e tristeza, afogando as memórias da guerra em garrafas de álcool e afastando todos os que ainda se importavam com ele. Paul não era um deficiente físico; apesar da perna debilitada e de usar uma bengala, ele conseguia se virar sozinho, mas seu pai insistia em contratar cuidadores para lhe fazer companhia.

Tudo o que Paul menos queria e precisava era de desconhecidos o encarando e julgando, e por isso nenhum deles durava muito tempo. O seu pai, portanto, dá um ultimato: se Paul quiser continuar morando na casa e tendo suas contas pagas, ele terá que permanecer com a nova cuidadora por três meses. Caso contrário, estará na rua.

Embora seu pai não saiba, Paul precisa do dinheiro para ajudar a família do amigo que perdera na guerra, então é obrigado a obedecer. Mas ele não esperava que Olivia fosse linda, jovem e desafiadora, o tipo de mulher que ele costumava namorar antes de todo o horror. Olivia o fazia se lembrar de como era ser normal e de tudo o que ele não poderia mais ter, e isso despertava nele o seu pior.

Olivia encontra certa dificuldade em executar sua tarefa de fazer companhia quando seu paciente se isola e a evita a todo custo, mas quando enfim ele começa a abaixar as guardas e passar mais tempo ao seu lado, Olivia percebe que está se enfiando numa grande enrascada, se apaixonando pelo homem lindo psicologicamente machucado.


Acho que não sou a pessoa certa para ajudar Paul, mas também não sei se tal pessoa existe.


Em pedaços é o título perfeito para esse livro. Quando Olivia chega à casa, Paul está exatamente assim. Não demora para ela notar que sua dor e suas feridas são muito mais psicológicas do que físicas. Paul não acredita ser merecedor da vida quando os seus demais companheiros estão mortos. Os momentos que vivenciou na guerra são muito presentes em sua mente, e isso o torna recluso e grosseiro.

Esse é o grande problema da obra. A premissa é maravilhosa e poderia ser extremamente comovente, mas só o final realmente me emocionou. O desenrolar me despertou sentimentos muito conflituosos. Que o machismo existe em muitos livros isso é verdade, mas em alguns dá pra gente relevar e prosseguir a leitura sem que isso altere a qualidade da história, mas nesse me incomodou e bastante.

Paul trata Olivia como lixo. Logo o primeiro encontro deles é vulgar e repulsivo. Paul já chega a beijando como um selvagem pra botar medo nela, provando que ele é mesmo um monstro e que é melhor ficar longe. Olivia leva a afronta como um desafio e não desiste de se aproximar de Paul, mesmo com suas frases grosseiras, ofensivas e desnecessárias. Tudo o que sai de sua boca é rude, seja pra ela, pro pai ou pra quem trabalha na casa.

Uma coisa é ser uma pessoa difícil. Outra é ser escrota. Olivia mesma diz como Paul é escroto, planejando vinganças como um menino mimado, uma que, aliás, a fez chorar, mas ela tem justificativa pra toda atitude dele.

Desde que comecei a entornar o nariz com essas cenas meu cérebro gritava: Isso está errado. Não importa o quanto você esteja sofrendo, não existe justificativa pra tratar alguém mal. Ele passou maus bocados na guerra? Viu sangue, morte e todo o tipo de coisas ruins que podem existir? Sim, mas isso não é razão pra descontar nela ou tratar qualquer um mal. Simplesmente não. Odeio quando os autores vem com esse papo nos livros. “Pisei em cima de ti mas no fim eu tenho um coração bom, ta?” Não! Ninguém deve se submeter a esse tipo de tratamento. Ninguém deve aceitar menos do que merece. Olivia foi um anjo, uma luz pra Paul o livro inteiro, e ele foi se entregar ao sentimento e se redimir com ela só nas páginas que se encaminhavam pro final.

Entendo que o passado de Paul foi cruel e que ele queria se afundar em sua própria dor. Isso é compreensível, assim como ele precisava de ajuda, embora não aceitasse, e por isso seu mecanismo de defesa era usar palavras rudes com o propósito de afastar a pessoa, mas existe um limite pra isso, que Paul passou e bastante.

Por outro lado, Olivia não é a mocinha que se faz de coitada e choraminga pelos cantos toda vez que ele lhe dá um fora. Ela é corajosa, determinada e rebate suas grosserias à altura. Ela o ajuda nos exercícios com a perna, mostra como seu rosto é lindo, como suas cicatrizes agora fazem parte dele, e como ele não deveria se envergonhar disso. Olivia é uma ótima personagem, e Paul não é de todo ruim, mas poderia ter parado de bancar o canalha bem antes.

Em pedaços é uma história de luto, dor, superação, e também sobre esperança. Uma história de altos e baixos em sua construção, mas que por fim traz uma mensagem valiosa e inspiradora.

Nota: 3


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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