sábado, 10 de fevereiro de 2018

Filmes #017 - Especial Óscar

Oie, pessoal!

Sentiram falta da coluna de filmes por aqui? Pois é, eu também, e isso é tudo culpa minha porque sou extremamente preguiçosa pra resenhar filmes/séries, vai entender. Pensando nisso, convidei um grande amigo, o Léo, pra resenhar alguns filmes que ele andou assistindo. Sempre que ele termina de ver um filme, ele vem me contar o que achou e mais parece que ele está resenhando do que apenas dando a opinião, então como já havia dito a ele antes que ele seria um ótimo resenhista, resolvi convidá-lo a escrever um pouquinho na coluna e me dar um help, e felizmente ele topou.

Mesmo sem a intenção, o Léo resenhou três filmes que estão concorrendo ao Óscar, e essa semana fomos assistir A Forma da Água no cinema, que acabei resenhando, portanto esse se tornou um especial do Óscar hahaha.

Vambora conferir que filmes bãos o Léo trouxe pra gente?


Título: Três Anúncios Para um Crime
Resenha: Três Anuncios Para um Crime, ou o título original, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017), dirigido por Martin McDonagh, conta uma trama na perspectiva do sofrimento de Mildred Hayes (Fraces McDormand), que há 7 meses clama por justiça devido a um crime hediondo, cuja vítima fatal é sua filha. Fraces dá vida a uma personagem amargurada e descrente de qualquer tipo de religião, já que a barbárie ocorrida à sua filha a fez não temer nada. Seu segundo filho, Red Welby (Caleb Landry Jones), acaba por vivenciar e compartilhar a depressão de sua mãe. A ideia principal do filme se faz em cima de três cartazes (Billboards - aqui no Brasil, conhecidos popularmente como outdoors), localizados na cidade de Missouri. Cansada de aguardar pela justiça, Mildred aluga mensalmente os três cartazes de forma a fazer critica à policia da cidadezinha, que não encontrou vestígio algum do criminoso que assassinou sua filha. O filme se desenrola pelo impacto que essa “publicidade estranha” propaga. Um nome presente nos grandes cartazes é do Xerife Bill Wiloughby (Woody Harrelson), investigador principal do crime, que há pouco descobriu estar com câncer no pâncreas. Suas características são muito próximas de alguém que nasceu para o serviço à comunidade, sendo muito sensato e meticuloso, até o decorrer do longa provar o contrário. Na minha opinião, sendo o melhor coadjuvante de 2017, necessário para o rumo que o drama toma, o oficial Jason Dixon (Sam Rockwell) é a peça chave para o desfecho da história, vivenciando altos e baixos, e sofrendo uma incrível transformação. Uma das repercussões é a falta de tato da protagonista, que mesmo sabendo da doença e seu grau de avanço, não hesita em fazer as provocações ao xerife em seus cartazes. Os problemas emocionais são tão intensos que atitudes erradas são tomadas, gerando assim uma “raivinha” por parte do espectador. Com diálogos cotidianos e uma pitada de humor ácido, a categoria drama se atenua com a banalização de assuntos não tão alegres. Não se pode deixar despercebido as abordagens de crítica social do filme, que mesmo sendo um longa que se passa bem próximo da cronologia do presente, há elementos que remetem a preconceitos, com a presença de agentes influenciadores de práticas antiéticas. Com isso, o filme consegue desenvolver os personagens de tal maneira que nos surpreende com sua cartada final. Meldrid sabe que nenhuma ação trará sua filha de volta a vida, mas seu coração se inquieta pela falta de justiça. A trilha sonora não deixa nada a desejar e a fotografia é maravilhosa. Três Anúncios Para um Crime consegue nos levar a refletir de diversas maneiras, de se colocar na mente dos personagens e levar a compreensão nas tomadas de decisões nas mais diversas situações vivenciadas. Não é por acaso que recebeu 6 indicações ao Oscar, sendo a principal categoria de melhor filme.
Nota: 4 dragões.
Trailer:


Título: Corra!
Resenha: Get Out (2017) nos traz a perspectiva de Chris Washington (Daniel Kaluuya), um homem negro que está num relacionamento há 5 meses com Rose Armitage (Allison Williams), que o convida para conhecer seus pais e passar alguns dias na casa de sua família. Chris fica receoso com toda a situação, pois querendo ou não, o racismo ainda é muito presente, e Rose tem uma família inteira branca. O filme começa a dar pistas de suspense e mistério logo em seu início, quando os dois estão a caminho da casa, havendo um fato gerador de uma situação nada agradável. Ao chegar à residência dos pais da namorada, ele se confronta com uma família que o acolhe bem, apresentando todos os locais da casa e os empregados. Chris começa a suspeitar de algo estranho quando nota que todos os funcionários são negros e apresentam comportamentos estranhos. Também não se sente nada confortável ao saber que a mãe de Rose, Missy Armitage (Catherine Keener), é uma psiquiatra amante da hipnose. Deixando nosso personagem mais amedrontado, entra em cena seu melhor amigo, Rod Williams (LilRel Howery), segurança de um aeroporto. Os dois fazem contato durante toda a estadia de Chris, e este acaba compartilhando seus temores, enquanto Rod o aconselha a sair o mais rápido possível da propriedade. Sua inquietação e melindre são justificados logo após uma festa que reuniu todos os parentes de Rose. Nesta comemoração em família há uma pessoa que não se encaixa em qualquer dos padrões brancos, um homem chamado Andrew Logan (Lakeith Satanfiel). Chris tenta dialogar com ele, pois lhe parece uma pessoa conhecida, mas há algo nele e em seu comportamento que o torna irreconhecível. Quando percebe a roubada em que se enfiou é tarde demais. Quando pensamos que sabemos o desfecho do nosso querido e enganado protagonista, o filme nos apresenta um aperitivo de ficção cientifica. Com uma belíssima construção de suspense e um final surpreendente, Corra! consegue nos prender do início ao fim, nos levando a refletir sofre a confiança que devemos ou não ter nas pessoas próxima a nós. Sob a direção de Jordan Peele, Get out nos faz admirar e aplaudir de pé as brilhantes expressões de Kaluuya. Não é por acaso que é indicado na categoria de melhor ator, além de gozar de um excelente roteiro. Com 4 indicações ao Oscar, o longa realmente é merecedor de tal reconhecimento.
Nota: 4,5 dragões.
Trailer:


Título: Me Chame Pelo Seu Nome
Resenha: Call me by your name. é uma adaptação da obra de mesmo nome, escrito em 2007 por Andre Aciman. O que falar desse romance maravilhoso e porque não escolher um cenário mais apaixonante do que a Itália?? O filme ganha sinônimo de fidelidade, pois consegue preservar os minuciosos detalhes existente no livro. Elio Perlman (Timothee Chalamet) é filho de Mr. Perman (Michael Stuhlbarg), professor universitário que todo verão acolhe um estudante em sua casa para conclusões de seus manuscritos, teses e livros, sendo assim um tutor. Elio pensava que seria mais um rapaz americano que iria apenas roubar o seu quarto por algumas semanas, mas ocorre algo além de suas expectativas. O estrangeiro no filme é Oliver (Armie Hammer), que chega à propriedade dos Perlman’s com o objetivo de terminar seu livro. Carismático com todos, inclusive com os empregados da familia, Oliver tem um perfil falante e conquistador, sua beleza de galã consegue atrair várias garotas da cidadezinha. Elio nota que há algo especial em Oliver, e ao mesmo tempo em que tenta fugir de seus sentimos que nutre pelo hóspede, quer que suas emoções se aflorem, buscando amadurecimento. Oliver tem uma personalidade forte, é musicista assíduo e trabalha duro diariamente em suas composições. Com fantasias e desejos sexuais, o garoto define ainda mais sua juventude descobrindo assim o poder da atração que uma pessoa pode lhe proporcionar. A “descoberta” de sentimentos é desenvolvida no filme de forma simples e espaçada, o que torna o longa apaixonante. O filme transcorre na década de 60, e como praxe, o preconceito era muito maior do que na atualidade. Não havia tantos relacionamentos gays, fazendo com que Oliver se torne inalcançável. Por isso, o filme acaba por desenvolver uma dualidade de sentimentos, onde Oliver e Elio se atraem e mesmo assim buscam prazeres com mulheres. Na obra de Andres, é muito explicito o mix e ao mesmo tempo a ambiguidade de sentimentos pelo sexo oposto e não oposto. Seria injustiça não citar o papel do pai de Elio, aquele velho falar popular que os pais sempre sabem da sexualidade de seus filhos, Mr.Perman desde o inicio sabe que os dois rapazes possuem uma conectividade, o que nos deixa reconfortados em saber que Elio não foi questionado. Diferentemente do livro, o filme termina no inverno após aquele verão, enquanto o livro relata uma passagem temporal de quase duas décadas. Incomoda saber que a adaptação não foi completa, vinte páginas não entraram para o script, o que resultou ao longa um fim velho e rotineiro nos romances gays, a tristeza de não continuarem juntos. Call me by your name utiliza de muita arte, desde a história da filosofia e as músicas escolhidas, tanto para compor cenas como toque de fundo, quanto as executadas por Elio no piano e violão, conseguindo nos transmitir as emoções vivenciadas. Com uma fotografia maravilhosa do sul da Itália, com a maravilhosa piscina de época e a trilha sonora que nos traz emoção, Me chame pelo seu nome consegue ser sutil e nos levar a apreciar as diferenças, desfrutar daquelas ações tolas que todos os apaixonados fazem para seu amado, além de podermos também tomar aprendizado em saber que amar é dolorido. Por fim, dizer sobre o título dessa maravilhosa produção, o quanto de carga emocional pode conter na frase “me chame pelo seu nome”. O longa conseguiu 4 indicações do grande prêmio do cinema, o Oscar, além de arrasar nos festivais europeus.
Nota: 4.5 dragões.
Trailer:


Título: A Forma da Água
Resenha: Elisa (Sally Hawkins) é uma moça solitária que possui uma rotina bem estabelecida. Todos os dias, ela realiza seus serviços de limpeza na empresa onde é contratada, e à noite passa o tempo com um grande amigo chamado Giles (Richard Jenkins), um senhor que tampouco possui amigos e família além dela. Eis que num dia, a empresa recebe uma mercadoria de grande porte, e não demora para que Elisa descubra que é algo de proporções maiores do que imaginava. A mercadoria se trata de uma criatura semelhante a um grande peixe ou uma sereia(o), com escamas e instintos próprios da espécie, além de estar extremamente assustado, uma vez que se encontrava num ambiente hostil, cujo interesse dos pesquisadores era apenas maltratá-lo. Na surdina, Elisa passa a visitar o ser aquático (Doug Jones) que permanecia acorrentado num tipo de piscina, embora fosse capaz de sobreviver por um tempo fora da água. O contato com a criatura se inicia devagar. Ela leva ovos a ele, dos quais ele gosta muito, e aos poucos vai criando intimidade ao ponto de tocá-lo. A criatura, por sua vez, sabe diferenciar a forma de tratamento dos pesquisadores e da moça com boas intenções, e por mais que não compreenda a língua humana, ele passa a se comunicar por gestos, o que não é nada difícil de aceitar para Elisa, já que ela é muda e usa dos mesmos gestos. No entanto, a cada dia que passa fica claro que a criatura corre grandes riscos nas mãos dos pesquisadores interesseiros, e Elisa junto do amigo senhor, da amiga de trabalho e de um médico de bom coração, consegue tirar a criatura dali e levá-la para um lugar seguro. Mas por quanto tempo conseguiriam esconde-la? E quanto tempo duraria longe da quantidade necessária de água? Começando pelos elogios, a fotografia e a trilha sonora são maravilhosas. Logo no inicio percebemos o trabalho bem feito e encantador. A atuação da amiga, Zelda (Octavia Spencer), e de Giles são espetaculares, trazem o humor à trama. O mistério envolvendo a criatura, porem, deixa a desejar. A ação do filme esta nas partes em que buscam pela criatura, dando um gás ao filme, mas de resto, não existe ênfase na criatura e nos mistérios por trás dela. O que é, quais são seus dons, de onde surgiu, nada. E o romance é justamente o que estraga a historia. É compreensível que Elisa tenha se apaixonado devido a sua profunda solidão, mas é triste ver o quanto o amor e carinho faz falta nos nossos dias, e como pode transtornar completamente alguém. E com isso, o romance improvável é clichê e nada crível. Talvez eu não esteja mais no clima pra romances sobrenaturais, mas A forma da água não conseguiu me agradar de forma alguma. Ele parece um cachorrinho, pelo amor! Com treze indicações, A Forma da água não tem explicação do porque recebeu tantas.
Nota: 2 dragões.
Trailer:

Sobre mim: Leonardo Inocencio, 20, estudante de Ciências Biológicas. Amante de literatura nacional e estrangeira, além de curtir filmes e séries de terror, aventura, ficção científica, drama, e se tiver um toque de humor crítico e ácido melhor ainda.

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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