sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Ceifador

Título: O Ceifador
Autora: Neal Shusterman
Série: Scythe - #1
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 448
Livro: Skoob
Sinopse:
Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.

Imagine um mundo sem dor. Um mundo onde acidentes não existem mais. Um mundo imortal, onde podemos ter três mil anos com o rosto de um jovem de vinte anos. Um mundo em que as doenças ainda existem, mas somos todos imunes a elas. Um mundo onde homicídio se tornou um evento do passado. Um mundo onde, mesmo que eventualmente você venha a morrer, pode ser revivido imediatamente. Esse mundo inteiro não seria perfeito?

2042 é o ano em que o que conhecemos hoje como Nuvem evoluiu para a Nimbo-Cúmulo. Com o avanço da tecnologia, ela se tornou consciente e responsável pelo planeta. Graças a ela, não existem mais governos, assassinatos, desigualdade ou fome. Ela observa tudo e armazena em sua memória infinita. Junto da imortalidade, veio a superpopulação, o que a levou a tomar a decisão de criar a Ceifa.

Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora.

O trabalho dos Ceifadores é exatamente essa: Matar. A seleção das pessoas vai da escolha de cada ceifador, mas eles possuem um número por ano a atingir de mortes, do mesmo jeito que as vendas funcionam. E os ceifadores nada mais eram do que seres humanos com permissão para matar.

Numa noite, Citra encontrou um ceifador na porta de sua casa. Todos sabiam que de vez em quando os ceifadores apareciam apenas para que lhe fosse servido um belo jantar, mas muitas outras vezes, era na intenção de coletar alguém da família. O ceifador em questão se chamava Faraday, e quando anunciou suas intenções, Citra o enfrentou.

Howan também teve uma experiência desagradável com o ceifador. Quando ele veio coletar Kohl, um dos garotos mais populares da escola, ele se recusou a sair da sala. Ficou ao lado do garoto que nem ao menos era seu amigo, dando conforto. Faraday o alertou que somente ele veria a bondade em sua atitude, e foi exatamente o que aconteceu. Os alunos interpretaram que, na verdade, Rowan teve alguma influência na morte de Kohl. O garoto, que já se considerava a alface do hambúrguer, a parte rejeitada e menos importante, agora era visto como alguém ruim.

Mas Faraday tinha planos maiores para Citra e Rowan.

- Você vê por trás das aparências do mundo, Citra Terranova. Daria uma excelente ceifadora.
Citra se encolheu.
- Nunca quis ser uma.
- Esse - ele disse. - é o primeiro requisito.

Não era qualquer um que se tornava ceifador. Cada ceifador tinha direito de escolher um aprendiz, que por sua vez se tornaria ceifador apenas se fosse aprovado em todas as provas. Faraday escolheu Citra e Rowan justamente pelo que enxergou nos dois. A força, o desafio, a dignidade, e acima de tudo, a compaixão. Ceifadores não deviam gostar do trabalho. Era uma obrigação, não uma diversão, e deveriam ter o maior respeito possível pelos que estavam prestes a coletar.

Citra e Rowan não aceitam a oferta logo de cara, mas acabam topando a nova jornada por motivos diferentes. Citra por saber que as famílias dos ceifadores ganham imunidade, ou seja, não podem ser coletados, enquanto o ceifador estiver vivo, e já Rowan pensava que poderia finalmente fazer a diferença.

Os primeiros meses ao lado do honorável ceifador Faraday são de muito aprendizado. Eles treinam luta corporal, estudam os diários e normas dos ceifadores, e auxiliam Faraday com as coletas. De início, a tarefa é difícil de encarar, se dar conta de que estão roubando vidas, mas é necessário, e aos poucos vão se acostumando com a nova realidade. Faraday é um ceifador admirável, e é bonito de ver como os três formam quase uma família juntos.

- Porque vamos competir por algo que nenhum de nós quer? - Citra perguntou.
- Aí está o paradoxo da profissão - Faraday disse. - A função não deve ser concecida aos que a desejam. São aqueles que mais se recusam a matar que devem exercê-la. 

Nunca houvera um ceifador que tivesse escolhido dois aprendizes. Havia apenas um anel e manto da Ceifa, e Citra e Rowan teriam que lutar por eles. Quem perdesse, retornaria à sua vida normal. No entanto, ao descobrirem que Faraday possuía dois ceifadores, lançaram um desafio onde, quem vencesse, teria que coletar o perdedor.

Logo em seguida, uma tragédia faz com que Citra e Rowan sejam separados. Citra será treinada pela ceifadora Curie, e Rowan será treinado por Goddard, um ceifador sádico conhecido por matanças coletivas.

Qual será o destino de Citra e Rowan? A forma como serão treinados influenciará em suas personalidades? Será que o vencedor terá mesmo coragem de coletar o perdedor, depois de todos os meses que passaram juntos?

Rowan não tinha resposta para isso porque soou a ele como uma verdade. Ele levava uma vida agradável. Sua maior queixa era ser deixado de lado. Mas será que todos não se sentiam assim? Viviam num mundo em que nada importava de verdade. A sobrevivência era garantida. A renda, conforto, uma certeza. A Nimbo-Cúmulo atendia às necessidades de todos. Quando não se precisa de nada, o que mais a vida pode ser além de agradável?

Tenho consciência de que perto da história, a minha resenha ficou pobre. Esse é um daqueles casos de quando a gente gosta tanto do livro que não consegue descrevê-lo com palavras boas o suficiente.

O Ceifador é um livro que havia me conquistado primeiramente pela capa. A sinopse elevou as minhas expectativas, e felizmente, a obra as correspondeu com a maior facilidade. Um livro ágil, inteligente e inovador. Um possível futuro que levanta questionamentos, onde somos imortais, não sentimos dor, mas também não encontramos um propósito exato para a vida. Personagens que apenas vivem, dia após dia, geram milhões de filhos, sem conquistar nada grandioso.

Por isso Citra e Rowan foram únicos aos olhos de Faraday. A compaixão pelo próximo, a solidariedade, a necessidade de tornar a morte menos perturbadora possível. Ele foi um grande mestre, assim como Curie, que embora contasse com modos diferentes para a execução, também prezava o bem-estar da família do coletado. Rowan já não teve muita sorte nas mãos de Goddard. Foi preciso muita coragem e garra para se impôr contra seus métodos, assim como um coração bom para não se entregar à pressão. No meu ver, Rowan foi o personagem que mais evoluiu dentro de poucos meses. Um personagem que deu orgulho de acompanhar o crescimento. Citra também tem a língua afiada e não teme fazer perguntas diretas aos ceifadores. Sua curiosidade e ousadia foi também o que chamou a atenção de Faraday.

E, ao meu ver, todos são inocentes. Mesmo os culpados. Todo mundo é culpado de alguma coisa e todo mundo ainda guarda uma memória da inocência da infância, não importa quantas camadas de vida a cubram. A humanidade é inocente; a humanidade é culpada; ambas as afirmações são inegavelmente verdadeiras.

E caso vocês estejam se perguntando, existe sim um pouco de romance, mas bem pouco mesmo, nada que interfira na história ou a deixe melosa. É um romance na proporção certa.

Os capítulos são narrados em terceira pessoa e intercalados entre Citra e Rowan. Entre um capítulo e outro, temos passagens do diário dos ceifadores, principalmente de Curie.

O final foi sensacional, daqueles que até nos deixa curiosos pela continuação, mas não aflitos, já que não deixa nada pendente. O Ceifador é uma obra incrível que nos faz pensar num mundo quase perfeito e nos lembra do que é ser humano.

Nota:

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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