quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Eu Estou Aqui

Título: Eu Estou Aqui
Autora: Clélie Avit
Editora: Fábrica 231
Ano: 2016
Páginas: 288
Livro: Skoob
Sinopse:
No cenário frio e asséptico de um hospital surge a paixão entre Elsa, uma montanhista em coma há cinco meses depois de cair durante uma escalada, e Thibault, que se refugia no quarto da moça, por não querer visitar o irmão, o motorista bêbado que causou a morte de duas adolescentes num acidente automobilístico. Delicadamente composto, o romance mostra o envolvimento gradual entre dois personagens cuja comunicação se dá instintivamente. Enquanto Thibault pode conversar e incentivar Elsa a retomar o domínio de suas ações, a jovem ouve, percebe e sente toques em seu corpo, mas não tem como comunicar seus desejos e anseios. Os dois passam a se conhecer tanto pelo que transmitem um ao outro – Thibault em suas confidências, Elsa tentando demonstrar que corresponde a seus estímulos – quanto pelo que os amigos da montanhista comentam a respeito do rapaz ou falam a ele sobre Elsa. Junto da moça em coma, Thibault sente-se tranquilo e protegido da revolta contra o irmão, internado em estado grave no mesmo hospital. Elsa, embora cercada pela família e por amigos, se entusiasma com a ousadia de Thibault, que não se acanha em beijá-la. E quando os parentes discutem a possibilidade de desligar os aparelhos que a mantêm viva, é com ele que Elsa conta para lutar por sua própria sobrevivência.
Narrado em primeira pessoa, alternando os relatos dos dois protagonistas, Clélie Avit consegue abordar problemas universais e atuais, como eutanásia, violência no trânsito e alcoolismo. As novas famílias urbanas também se superpõem aos laços biológicos. Thibault acompanha a mãe ao hospital, mas se recusa a enfrentar a situação do irmão, à beira da morte por um desastre causado por irresponsabilidade.

Elsa está em coma há cinco meses. Ela não sente frio, não sente fome, mas está consciente de tudo à sua volta. Ela escuta as pessoas falando com ela, identifica os enfermeiros e faxineiros pelo som, mas não sente nada quando a tocam. E Elsa odeia isso. Ela quer sentir, quer acordar.

O acidente ocorreu num dia comum para Elsa. Ela e alguns amigos escalavam uma montanha congelada quando o nó da corda se rompeu. Elsa era sempre cuidadosa em sua profissão e ao dar os devidos oito nós, e a única vez em que falhou, levou à tragédia.

E embora desejasse viver com todas as forças, Elsa estava cansada. A irmã aparecia uma vez por semana para contar sobre o namorado da vez. Os pais discutiam como se ela não estivesse presente. Seus amigos Steven, Rebecca e Alex a visitavam frequentemente, mas todo o carinho a deixava melancólica por lembrar do que estava perdendo, presa àquela cama.

Até que Thibault aparece em seu quarto.

A nova voz é uma surpresa. De repente, ela quer descobrir tudo sobre aquele cara. Como se aparenta, como adormece tão facilmente, como ele a faz ter vontade de rir e, principalmente, o que ele fazia ali.

A realidade é que o encontro entre os dois foi mais uma fuga. O irmão de Thibault estava em um dos quartos ao lado no hospital, após dirigir embriagado e matar duas garotas de 14 anos. Thibault não consegue perdoá-lo, nem mesmo encará-lo, mas leva sempre a mãe para visitar o irmão. Numa dessas visitas, Thibault entra no quarto de Elsa a fim de se refugiar e se comove com a situação da moça, chegando a pensar que seu irmão deveria estar ali, não ela.

A partir de então, Thibault cria uma rotina de visitar Elsa e assim uma relação singela e genuína é gerada com a moça em coma. Ele chega, tira o casaco, conversa um pouco com Elsa e dorme. Ele se sente em paz naqueles momentos, enquanto Elsa se sente eufórica. Ela anseia por suas visitas, pela forma sincera como a trata, pela fagulha de esperança que ele lhe traz.

Além do remorso com o irmão, Thibault anda numa fase ruim. Foi largado pela namorada de longa data, e agora, aos 34 anos, assiste os melhores amigos tendo filhos e seguindo a vida. Estar ao lado de Elsa o faz pensar, refletir. Ela é a sua âncora no meio de uma tempestade. Duas almas fragilizadas lutando para cicatrizar.

Estou amando uma garota em coma.
Nesse momento, isso parece ser a coisa mais sadia que poderia me ter acontecido.

À primeira vista, a premissa pode parecer surreal. Como ele é capaz de se apaixonar por alguém que não conhece, que não pode nem respondê-lo?

Acontece que a autora escreve com paixão. Sua narrativa é terna e de puro sentimento. Temos pouca ambientação, e por isso as emoções dos personagens são extremamente palpáveis. O pouco que vemos da vida exterior é contado por Thibault, mas sinceramente, o que mais esperamos durante o livro inteiro é pela hora em que eles vão se encontrar de novo.

Além do coma, o livro também aborda temas pesados como eutanásia, culpa e suicídio. É uma tortura acompanhar a luta de Elisa por despertar, e lindo ver sua determinação, o que deixa no ar a questão sobre a consciência durante o coma.

Resumindo, o drama francês é tudo o que promete ser na sinopse. Lindo, sensível, doloroso e admito que desesperador. Um livro que te encherá de esperanças e te deixará doido por um epílogo.

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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