segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Ordem Perdida

Título: A Ordem Perdida
Autor: Gabriel Schmidt
Editora: Novo Século
Ano: 2013
Páginas: 169
Livro: Skoob
Sinopse:
A Liga dos Yethis traz consigo o espírito de seis jovens guerreiros que precisam encontrar a Ordem. Um pequeno artefato que não demonstra o quanto a existência da humanidade depende dele. Ável com seus amigos terá de enfrentar inúmeros inimigos, diversas dimensões e poderes; além da fúria dos deuses adormecidos. Acompanhe a corajosa trajetória desse grupo que promete não desistir de sua busca.


Recebi esse livro do próprio autor em um evento literário há um bom tempo atrás, mas acabei deixando o livro e lado por um tempo e, no começo do ano, acabei desenterrando-o da estante.

Em A Ordem Perdida, Schmidt nos apresenta um mundo fantástico, situado no próprio Brasil, onde Deuses deixam filhos seus com humanos que não conseguem ter filhos, como em um contrato "vocês criam meu filho até os 13 anos, já que vocês não podem ter, e então venho buscá-lo".
Sendo assim, começamos conhecendo Avél, que teve uma vida normal até então, quando um homem vem buscá-lo para levá-lo ao castelo de Yethis, junto com outras crianças, Angie, Tétrada e Driatolun. Lá, ele logo descobre ser filho de Vis - o deus da energia -, através de um ritual que lembra bastante Harry Potter e a seleção das casas.

Antes mesmo que eles possam começar a entender o novo mundo à sua volta, uma notícia chega ao castelo: A Ordem, um pequeno artefato importantíssimo, foi roubado e a Liga dos Yethis deve ser formada para recuperá-la - e os quatro que mal chegaram ao castelo, fazem parte dela (além de Lilip, Green, Aurea, Harte e Iáfia). Porém, a missão não é tão fácil assim, visto que um dos deuses mestiços foi possuído por uma força maligna e muitos perigos os aguardam enquanto eles vão atrás da Ordem.

O livro é pequeno, rápido de se ler, os capítulos são narrados em primeira pessoa, por personagens diferentes, o que nos dá uma visão mais "360º" de tudo que está acontecendo. Porém, pra mim, não foi o suficiente.

Pra começar, o universo que foi criado aqui, é bem diferente de tudo. É situado no Brasil, sim, mas a mitologia criada é única e singular. A criatividade de Schmidt é incrível, mas faltou dedos para conseguir passar tudo com mais clareza para o papel.

Infelizmente, a quantidade de nomes e termos diferentes demais acabam atrapalhando a fluidez da leitura, você se pega às vezes pensando "quem era, mesmo?" e travando na hora de ler nomes mais complicados, e isso tudo me faz pensar "por que esses nomes se estamos no Brasil?". Além de que, visto que ele criou um mundo novo, nós ficamos sedentos por querer saber mais, mas muitas coisas são dispostas de maneira rasa e direta, faltando mais profundidade para que possamos entender e mergulhar de fato na história.

Outra coisa que me incomodou um pouco, foi a maneira como tudo acontece. Menos de 200 páginas é pouco demais pra tanta informação e tanta ação. Avél parece aceitar demais tudo que acontece - ele foi arrancado da escola sem nem falar com seus pais e sai em uma missão mortal. As similaridades com Harry Potter e Percy Jackson são claras, mas falta ainda no autor maturidade e desenvolvimento para nos deixar entrar de verdade em seu mundo mágico.

Alguns personagens acabaram se desenvolvendo mais que outros, sendo alguns muito estereotipados e fracos. Devo dizer, também, que existe um personagem chamado Gabriel e eu achei isso um pouco too much. Além disso, esse livro é o primeiro de uma série de 7 (que não sei se já foram lançados, não achei sobre), então o final nos deixa com aquela sensação de "Ok, cadê o resto", porque de fato vem mais por aí, porém, não me deu vontade de realmente ler mais sete livros disso. Além disso, a revisão do livro não ficou muito boa, apesar da diagramação ser ótima, encontramos alguns erros até de mal/mau, que me incomoda bastante.

Devo dizer, também, que quando o autor escreveu o livro, era bem novinho (15, 16 anos?), então é capaz sim que depois de tanto tempo passado (foi lançado em 2013) ele tenha desenvolvido melhor a escrita e o que venha a seguir seja melhor, portanto, ainda estou ponderando ler ou não ler uma possível continuação, para ver o desenvolvimento do autor e se vale a pena continuar a série. Mas, enquanto isso, não é um livro que eu indicaria. Sou fã de fantasia mas, infelizmente, A Ordem Perdida não me conquistou da maneira como eu achei que faria.

Nota:




Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), dois patinhos na lagoa, Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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