terça-feira, 30 de agosto de 2016

Por Lugares Incríveis

Título: Por Lugares Incríveis
Título Original: All the bright places
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Ano: 2015
Páginas: 336
Tradução: Alessandra Esteche
Livro: Skoob
Sinopse:
Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

Após a morte da irmã mais velha num acidente, Violet se vê sem rumo e na beira da torre da escola. O mundo é mais bonito de lá de cima, mas no fundo ela sabe que não foi para isso que arrombou a porta e foi parar ali. Violet não entra mais em carros, nem se sente feliz com os antigos amigos. Terminou com Ryan, seu namorado lindo, gentil e desejado por todas na escola. Ela não se sente mais feliz consigo mesma. Como ela poderia continuar vivendo quando sua irmã não teve a mesma chance?

Theodore Finch, a Aberração, vai lhe mostrar como, começando por salvá-la da torre. Finch também estava lá, mas com um pensamento diferente. O mundo era realmente bonito lá de cima, mas será que era hoje? Seria hoje o dia?

Finch convence Violet a sair da beirada e com isso salva sua vida, mas é Violet quem ganha o papel de heroína. Todos na escola estão falando sobre como Violet foi corajosa ao salvar Finch, a grande aberração, o primeiro na lista dos suicidas do colégio.

Violet se mudara há poucos anos e não entende o motivo de tratarem Finch daquele jeito. Ela o evita, embora esteja profundamente grata, e é tanto um alívio quanto uma sensação confusa quando Finch se oferece para ser seu parceiro no projeto de geografia. Eles devem percorrer a Indiana e lugares históricos. Em sua própria versão do projeto, Finch propõe que eles deixem uma recordação, uma parte deles em todos os lugares que visitarem. Seja uma pedra, qualquer coisa que indique que eles estiveram ali. Violet, se vendo sem muitas opções, embarca nessa jornada com o cara mais deslumbrante que poderia conhecer um dia. O cara que a tiraria do fundo do poço e a ensinaria a retomar à vida.

Só que o poço de Finch era imensamente mais fundo.

- Deixa eu te perguntar uma coisa: você acha que existe um dia perfeito?
- O quê?
- Um dia perfeito. Do início ao fim. Quando nada de terrível ou triste ou comum acontece. Você acha que é possível?

A cidade onde eles moram é daquelas que todos se conhecem e, quando um apelido é dado, a pessoa não tem como se livrar dele. Finch se tornou a Aberração desde novo por motivos que só ele e outra pessoa compreenderiam. Desde então, existem fases de Finch. O Finch explosivo e agressivo, o Finch canalha, o Finch extrovertido, o Finch amoroso. Ele é imprevisível. Seus amigos mais próximos, Charlie e Brenda, aprenderam que ser amigo de Finch era assim. Ele ia e voltava. E enquanto eles viviam na ilusão de que Finch era rebelde e impetuoso, durante as semanas em que Finch sumia, era porque ele apagava.

Finch é um personagem complexo e emocionalmente danificado. Seu pai não o tolera e sua mãe mal cuida de si mesma. Finch sabe tocar guitarra bem, tem saúde, família e amigos, mas não é o suficiente. Ele tenta se controlar e ignorar as provocações e, por um tempo, funciona. Violet faz com que dê certo. Só de estar em sua companhia o faz se sentir um cara melhor. Mas ainda assim ele se cobra. Vire e mexe a bad bate e ele pensa: é hoje?

De acordo com suas pesquisas, Finch fornece dados sobre diversas formas de suicídio. Sua freqüência, seu grau de sucesso.

Nossa, que perigo alguém com instintos suicida ler isso. É, pois é. Eu também pensei nisso. A autora trabalha o assunto com muita seriedade, ainda que com toques de humor negro. Ela não embeleza a realidade. É triste e não pode ser mascarada. A maior parte dos suicídios acontece porque as pessoas próximas não sabem ou preferem não acreditar.

Finch não gosta de rótulos e por isso não permite que seu terapeuta o diagnostique. Com seu jeito gozador, ele enrola o terapeuta e afirma que está bem. É o que todos eles dizem.



Violet é uma personagem avoada. Ela renasce às custas de Finch e parece não ter noção da gravidade do sofrimento dele. Me deixou tão chateada por nem ao menos perguntar porque ele estava na torre naquele dia, enquanto tudo o que Finch faz é se preocupar com o bem-estar dela. Passou a impressão que Finch era bom demais para ela. Mas, afinal, foi ela quem foi capaz de aquecer seu coração. Não de preencher o buraco negro no peito, porque era uma ferida frágil demais, mas de fazer Finch se sentir normal.

Finch se tornou um dos meus personagens favoritos. Conturbado, perdido em si mesmo, e ainda assim divertido e amável. Fiquei anestesiada até o dia seguinte depois desse livro. No ônibus a caminho da faculdade, olhava para o mar e pensava em tudo pelo que Finch passou, em suas decisões, em como ele estava quebrado. A história me lembra Os 13 porquês, um livro que iniciei conformada, sabendo que a narradora do áudio estava morta, não era nenhum segredo, e finalizei sofrendo, querendo que fosse tudo uma piada, que ela não tivesse escolhido esse caminho.

Mas quem somos nós para entender a dor que a outra pessoa está sentindo?

A resenha deve ter ficado depressiva, mas é inevitável ficar melancólica depois dessas histórias. Eu sou meio masoquista, então gosto bastante delas, talvez pela reflexão que segue, por podermos fechar os olhos e dizer: eu realmente estou bem.

Narrado por Finch e Violet em capítulos intercalados, Por Lugares Incríveis é um livro poético que vai tocar a sua alma de um jeito denso e gracioso.

E se a vida pudesse ser assim? Só as partes felizes, nada das horríveis, nem mesmo as minimamente desagradáveis. E se a gente pudesse simplesmente cortar o ruim e ficar só com o bom? É isso que quero fazer com Violet — dar a ela só o bom, manter o ruim longe, para que o bom seja sempre tudo o que temos à nossa volta.

Nota: 5

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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