terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Os 13 Porquês

Título: Os 13 Porquês
Título Original: Thirteen Reasons Why
Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Ano: 2009
Páginas: 256
Livro: Skoob
Sinopse:
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

É difícil colocar os pensamentos em ordem pra escrever essa resenha. Os 13 porquês tem um enredo completamente diferente do que eu imaginava. Quando falamos de suicídio e depressão envolvendo adolescentes, logo pensamos estar se referindo a bullying, pessoas consideradas fora do parâmetro por quem pratica essas atrocidades. No entanto, a história do livro é o inverso.

Hannah Baker é uma garota bonita e inteligente que deu o azar de escolher as pessoas erradas para construir uma amizade. Um dia antes de se matar, ela gravou fitas que explicavam as 13 razões que levaram ao seu fim. Essas razões são pessoas. Cada lado da fita conta a história do que cada indivíduo dessa lista fez pra ela, e provavelmente nem se deu conta.

Número um: você escuta. Número dois: você repassa… Caso você se sinta tentado a romper as regras, saiba que fiz uma cópia das fitas. Essas cópias serão liberadas de uma maneira bem escandalosa se o pacote não passar por todos vocês.

Por isso, Clay Jensen fica chocado quando recebe a caixa com as fitas sem remetente. Ele nunca fez nada para Hannah. Pelo contrário; ele a admirou, a distância, por muito tempo. Sem ter coragem de se aproximar. Com medo de ela não ser o que ele esperava. De fazer jus à sua reputação. Então porque ele estava na lista?

É engraçado o que um boato pode provocar na vida de uma pessoa. A forma como os outros passam a te enxergar. Como o ser humano é facilmente manipulado e nem mesmo tenta ir em busca da verdade. Hannah conta como estragaram sua imagem, e desde então passaram a tratá-la como um brinquedo, como se tivessem liberdade, permissão para fazerem o que bem desejassem com ela. E cada história traz a decepção, a traição por confiar em pessoas que escolheram lhe dar as costas, pessoas que pensam somente em si mesmas.

A princípio, não achei nada excepcional os motivos. Alguns foram barra pesada, sim, mas que não justificam sua decisão. É ao chegarmos ao final que entendemos. Hannah apresentava todos os sinais do que pretendia fazer. Indiretamente, ela procurava um apoio, um suporte, algo que lhe desse esperança, alguém que lhe mostrasse que valia a pena continuar vivendo. Mas ela nunca admitiu, assim como ninguém percebeu. Se soubessem, talvez não fosse tarde demais. E Clay se martiriza por isso. Ele podia tê-la ajudado. Podia ter insistido.

Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros – que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar.

É um livro tenso, embora o autor maneje as palavras para ter um impacto menor. O ritmo é suave, e nos vemos presos para descobrir todos os 13 motivos. A história aborda outros temas polêmicos além do suicídio, como o estupro, e nos faz refletir bastante na dor que cada pessoa carrega. Em quanto devemos ser gentis com ela. Como as palavras podem ser destrutíveis e salvadoras. Como cada um sabe o quanto é capaz de suportar.

Na minha opinião, Hannah podia ter aguentado um pouco mais. Mudado de cidade. Ela não merecia a reputação que levava, e quanto mais eu lia, mais ficava chateada pela situação toda. Como ela mesma diz, é uma bola de neve. Um incidente leva a outro, e a vontade de sumir vai crescendo no peito. Hannah era uma boa garota com pessoas ruins do lado. O livro inteiro dá a impressão que ela culpa os outros por sua morte. Todos foram grandes babacas, sim, mas a forma como ela lidou contribuiu muito. Então, uma hora você pensa que não é culpa dela. Mas que não é culpa deles. E, na verdade, a culpa é de todos. Cada ação nossa reflete numa reação no próximo. Em que intensidade? Em que sentido? No fim, temos consciência que toda essa cascata podia ter sido evitada, e que muitos fatores estavam envolvidos, não só a atitude das pessoas, como também a fragilidade da própria personagem.

Aliás, pra quem não sabe, o livro vai virar minissérie pela Netflix e Hannah vai ser interpretada pela Selena Gomez. Depois de ler, até que faz sentido a escolha da atriz.

E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não da para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga parte da vida de alguém, você estraga a vida toda dessa pessoa.
Tudo… é afetado.

Nota: 5

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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