domingo, 1 de março de 2015

GATACA

Nome: GATACA
Título Original: GATACA
Autor: Franck Thilliez
Série: Franck Sharko
Editora: Intrínseca
Livro: Skoob
Sinopse:
O cadáver de uma jovem cientista descoberto na jaula de um centro de estudos de primatas, provavelmente espancado por um chimpanzé. Os restos mortais de uma família de neandertais, assassinada por um primitivo homem de Cro-Magnon, achados no topo de uma montanha nos Alpes. O assassino de crianças Gregory Carnot encontrado morto em sua cela, na cadeia. Um ginecologista especializado em genética selvagemente assassinado dentro de casa. Que elo invisível une esses crimes atrozes, cometidos com trinta mil anos de diferença? Os policiais Lucie Henebelle e Franck Sharko se lançam numa investigação em conjunto. Destroçados pelas terríveis experiências que compartilharam, devorados e estimulados pelo ódio, Lucie e Sharko seguem a trilha da Evolução das espécies, num suspense arrebatador que os conduzirá às origens do Mal.

Antes de tudo, quero deixar claro que esse livro NÃO tem relação alguma com o filme Gattaca, que muitos já assistiram. São histórias bem diferentes. Mesmo porque, o filme é “Gattaca”, com dois T’s.

Esse é o segundo volume da série, sendo o primeiro titulado “A Síndrome E”. São obras independentes, então não há necessidade de ler o primeiro pra compreender os outros, já que retratam casos diferentes, embora com os mesmos personagens. Na verdade, Gataca é o quarto volume, e A Síndrome E o terceiro, mas no Brasil os outros volumes não foram publicados, então ficou considerado nessa ordem.

Gataca é aquele livro que chamamos de extasiante. Durante suas 432 páginas, somos apresentados à Franck Sharko, um detetive que teve sua vida arruinada e sobrevive aos trôpegos após superar uma esquizofrenia sucedida da perda de sua esposa e filha, e Lucie Henebelle, que um dia também fora policial e teve suas duas filhas sequestradas. Após muito tempo em desespero e se sentindo culpada, Lucie é alertada da morte de Clara, enquanto Juliette foi resgatada e Grégory Carnot, o sequestrador, preso. Mas Lucie não vai conseguir tirá-lo da mente até que pague pela vida de sua filha, e é então que ela descobre o envolvimento dele em outro caso, que, aliás, está sendo liderado por Franck.

Uma cientista é encontrada morta na jaula de um chipanzé, com evidentes sinais de agressão e incluindo uma mordida que denuncia o animal. Tudo parece muito simples, então Franck e seu parceiro Levallois vão somente para procedimentos corriqueiros; ao que tudo indica, não há o que investigar. Mas a primatologista Clémentine Jaspar responsável pelo Centro de estudos fica encabulada, alegando que a chipanzé é conhecida por todos no lugar e completamente amável. Ela nunca seria capaz de tal atrocidade. E quando eles se comunicam com a chipanzé, através da linguagem dos surdos-mudos ensinada pela primatologista, eles descobrem que há muito por trás daquela história. Eles só não imaginavam o sufoco pelo qual passariam até encontrar o verdadeiro culpado.

Sharko pensou nas pobres mariposas brancas e na capacidade do homem para prejudicar o meio em que vive. Florestas destruídas, o fim dos corais, desequilíbrio dos ecossistemas, buraco na camada de ozônio, tráfico de marfim, caça ilegal, vazamento de petróleo nos oceanos. A lista não acabava mais. O aniquilamento de milhares, de milhões de anos de Evolução. Eventos nos quais era melhor não pensar, se não quiséssemos morrer de preocupação.

Afinal, porque Éva Louts, a cientista, foi assassinada? No que ela tinha se envolvido pra ser caçada? E é no meio dessas dúvidas e pesquisas que eles descobrem que a tese que Éva estava montando abordava a evolução, a lateralidade. E que para concluir seus estudos, ela teve de viajar para diversos lugares distantes, onde ela obteve conclusões muito além do que estava procurando. E que não estava diretamente relacionado somente a primatas.

Num redemoinho de divagações, Éva buscou respostas para o real motivo do desaparecimento dos homens Neanderthal, a seleção natural desde os homens Cro-Magnon, como eles se beneficiavam da lateralidade em relação a serem canhotos, e até mesmo as conhecidas intolerâncias à lactose. Tudo isso está interligado não só aos nossos ancestrais, como também a violência. E é através dessas informações que Éva passa a seguir um caminho obscuro, visitando os prisioneiros mais cruéis. O que ela esperava retirar de lá? Como diabos Éva acabou se infiltrando num mundo perigoso de segredos?

E é atrás de explicações que Franck perde noites e noites de sono. Mas ele não está sozinho nessa. Quando Lucie é informada que Grégory Carnot se matou, e que Éva pouco antes foi visitá-lo, ela se sente completamente envolvida no caso.

Intercalando entre Franck e Lucie, nós acompanhamos as descobertas de cada um, seguindo direções diferentes, mas que acabam por ter ligação, assim sendo possível juntar o quebra-cabeça.

Uma das partes que eu mais adorei nesse livro é que sempre há uma pista a seguir. Nenhum capítulo acaba do estilo, e agora? Tanto Franck quanto Lucie sempre conseguem retirar um fragmento da pesquisa pra seguir em frente, seja interrogar pessoas ou investigar locais. Isso dá fervor a leitura, dá ansiedade em continuar lendo e desvendar o que eles vão encontrar em seguida. Outra parte que eu adorei foram as explicações em torno da genética. O DNA com suas trincas de base G C A T é um assunto muito complexo, e ainda assim, o autor conseguir transmitir seu significado e tudo o que essas simples letras implicam com tranquilidade. Não vou dizer que ele usa palavras fáceis, até eu mesma me perdia as vezes, e olha que estudei isso ano retrasado. Mas o bom é que ele repete várias vezes, até grudar na sua mente e você conseguir entender com clareza. Isso foi essencial pra leitura, porque o DNA é a base da história, então se as explicações ficassem emboladas ia se perder todo o rumo. Além disso, em diversos momentos ele cita técnicas, como o PCR que amplifica o DNA, e nós podemos sentir como se realmente estivéssemos num laboratório, acompanhando as revelações.

Eu queria tanto poder falar mais do livro, mas não tem como. Há tanta descoberta, tantas pessoas envolvidas, uma levando a outra, que um detalhinho a mais já seria spoiler. Não tenho o costume de ler livros policias, sempre tive mais interesse em assistir filmes, mas nossa... É quando paramos pra pegar o livro nas mãos que percebemos como aquela história é completa. Como é cheia de resoluções, de um real caminho trilhado, não algo jogado às pressas pra dar 2 horas. Não estou dizendo que os filmes são ruins, mas eu nunca havia visto algo tão bem elaborado. Dá tantas voltas, que eu prefiro nem pensar como o autor conseguiu pensar em tudo aquilo, passo a passo. E a escrita, nem preciso comentar, né? Magnífica! E sabem qual é a melhor parte de todas? O aprendizado. Aprendi tanta coisa, fatos comprovados com esse livro que toda hora eu parava e ia encher o ouvido da minha mãe contando, toda entusiasmada. Nossa, você fazia ideia de que isso é por causa disso e aquilo?

Não sei se sou eu que amo genética, mas acho que essa é uma leitura obrigatória. Pode demorar, porque todas as explanações deixam a cabeça meio conturbada, e você precisa de um tempo pra absorver tudo, mas vale a pena. Eu adorei todo o desenvolvimento, e adivinhem se não vou acabar lendo A Síndrome E???

Nota: 5

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 19 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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