domingo, 4 de novembro de 2018

O Cara dos Meus Sonhos (Ou Quase)

Título: O Cara dos Meus Sonhos (Ou Quase)
Título Original: Alex, approximately
Autora: Jenn Bennett
Editora: Plataforma21
Ano: 2018
Páginas: 462
Livro: Skoob
Sinopse:
E se você tivesse que atravessar o país para descobrir um grande amor?
A cinéfila Bailey “Zibelina” Rydell troca mensagens com um nerd carismático igualmente apaixonado por filmes – Alex, seu crush virtual. Eles viviam separados por mais de mil quilômetros, até Bailey se mudar para a casa do pai na Califórnia – mais precisamente, para a mesma cidade de Alex.
Insegura e temendo que o Alex da vida real seja muito diferente de suas idealizações, Bailey não conta a ele que estão na mesma cidade. Ou que conseguiu um trabalho num museu “caça-turistas” local. Ou que ela está, pouco a pouco, sendo fisgada por um rapaz irritantemente atraente que trabalha no lugar – Porter Roth, cujo berço é uma lendária família de surfistas.
Só que a vida é muito mais complicada que qualquer filme, principalmente quando Bailey percebe a estreita fronteira entre ódio, amor ou seja lá o que estiver sentindo por Porter. Além disso, descobrir a verdadeira identidade de Alex mostra-se uma tarefa mais difícil do que ela imaginava.
Assim, conforme o verão passa, Bailey precisa decidir se permanece apegada a suas projeções de um Alex que ela nem sabe se existe ou se arrisca uma relação com Porter. Afinal, o cara dos seus sonhos não pode ficar só no mundo virtual. Mas o que Bailey não sabe é que Porter também guarda um segredo…

Após eventos que abalaram a família de Bailey e resultaram no divórcio de seus pais, ela vai morar com o pai na Califórnia, e uma das razões para isso, além de estar cansada da rotina com a mãe e o novo namorado dela, é Alex, um amigo virtual que mora justamente na mesma cidade, e essa seria a oportunidade perfeita para enfim se conhecerem.

Só que Bailey é a famosa Evitadora. Gosta de ficar no seu canto, sem chamar a atenção para si mesma. Por conta disso, ela resolve descobrir sozinha quem é Alex pelas informações que ele lhe deu ao longo das conversas, como os lugares onde ele trabalhava e o gato que vivia na redondeza.

Mas Bailey também precisa trabalhar, e seu pai arranjou uma vaga para ela num museu chamado Caverna. Em seu primeiro dia no emprego, ela conhece Graice, com quem simpatiza logo de cara. Pra sua infelicidade, no entanto, ela é designada para ficar no caixa, o lugar que é conhecido como uma sauna.

Os dias que se seguem são realmente desafiadores, mas nem tanto pelo seu cargo, e sim por conta de Porter, o segurança que decidiu pegar no pé dela desde que botou os olhos nela. Porter era da mesma idade delas e sua família era famosa no ramo do surfe, e apesar de ser lindo, ele despertava o pior em Bailey, e eles mais discutiam e se provocavam do que conseguiam conversar com naturalidade.

Aos poucos, Bailey vai se adaptando aos costumes da cidade e à sua nova rotina, o que implicava a namorada bacana de seu pai, a companhia constante de Graice, e a inesperada amizade de Porter, que se abre cada vez mais com Bailey, contando sobre sua vida, seus traumas, suas cicatrizes, assim como alegrando seus dias com piadas e testes de revistas.

Com isso, a missão de conhecer Alex fica de lado. Eles ainda conversam, mas agora Alex parece distante, e Bailey por sua vez passa tanto tempo pensando em Porter e em como a relação deles vem evoluindo que não se sente confortável em prosseguir a busca. Ela poderia simplesmente contar para o cara com quem passava tardes assistindo filmes pela internet que ela enfim estava em sua cidade, mas e se eles não se dessem tão bem pessoalmente como online?


Talvez o poeta Walt Whitman tivesse razão. Todos de fato nos contradizemos e temos multidões dentro de nós. Como é que poderemos descobrir quem somos de verdade, então?


Estava pra ler esse livro há um bom tempo e juro que não sei porque não fiz isso antes. Que livro maravilhoso, people! Sabe aquele romance leve, envolvente e delicioso de ler? Pois então. De cara a premissa me lembrou de Três coisas sobre você. Num geral, a história é diferente, mas se você já leu a obra, deve imaginar ao que eu tô me referindo. Mas como não quero soltar spoilers, embora não seja também nenhuma surpresa, vamos deixar de lado.

Se tem uma coisa que faz bem pra alma e pra recarregar as energias é mudar. Numa cidade nova, com pessoas novas, Bailey cresce e muito. Os traumas que ela carrega no corpo e na mente são fortes, e parte disso a influenciou a não gostar de ficar sob holofotes. Me identifiquei muito com seu jeito, um pouco defensivo e também retraído, mas sabendo responder à altura. Individualmente, ela consegue criar vínculos, mas no meio de uma multidão ela é aquela que sai de fininho e vai se sentar sozinha no canto mais afastado. Seu amadurecimento é gradativo; ela não vira extrovertida do dia pra noite. Ela passa a lidar um pouco melhor no quesito de socializar, e se dá conta de como seu passado ainda a afeta.

Porter é o cara que queremos pegar no colo, levar pra casa e acorrentar pra não deixar escapar nunca. Gosta de tirar sarro, mas quando o assunto é sério, ele não fica de zoação. E o melhor de tudo é que ele não é o típico badboy. Ele é surfista, mas não fica se exibindo por isso, não dá bandeira pras meninas ficarem cercando ele, não enche a cara e depois faz merda, não é manipulável, não muda de comportamento diante de outras pessoas; ele simplesmente é o que é, e por isso é impossível não se apaixonar pelo personagem.

Mas e o Alex, você deve estar se perguntando. Ele é o grande mistério do livro, mas pelas mensagens que troca com Bailey parece ser alguém completamente tranquilo e simpático.

A obra é narrado em primeira pessoa e a escrita da autora é tão envolvente que quando vamos ver já estamos devorando o livro. Os detalhes acerca da Caverna também são muito interessantes, e a relação de Bailey com seu pai é muito bonita de ver.

Eu amei tanto a história que nem sei mais como elogiá-la. É aquele tipo de livro que você termina e ainda fica pensando nele com uma sensação boa de paz. O tipo perfeito pra quando você está afim de se desligar do mundo e só aproveitar um romance jovem e bem construído. Me tornei oficialmente fã da Jenn. Ela só tem publicado dois títulos no Brasil, O cara dos meus sonhos e A anatomia de um coração, mas eu já quero ler mais de sua autoria!

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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