segunda-feira, 1 de outubro de 2018

#TOCANDOTERROR: Não Durma


No ano passado, junto da Nana do Canto Cultzíneo, nós criamos o #TOCANDOTERROR, um especial para o mês do Halloween. Ou seja, em outubro, vamos ter uma bela maratona de terror, sejam livros, filmes, séries, então se preparem pra tremer na base, porque nesse ano nós caprichamos!

Para conferir as postagens da Nana, é só acessar o Canto Cultzíneo.

 Começo o especial lhes apresentando o melhor livro de terror que li esse ano e que entrou pra minha lista de favoritos.

Título: Não Durma
Título Original: Unrest
Autora: Michelle Harrison
Editora: Bertrand
Ano: 2017
Páginas: 378
Tradução: Michelle MacCulloch
Livro: Skoob
Sinopse:
Elliott, um garoto de 17 anos, não dorme bem desde o acidente que quase o matou. Às vezes, ele fica em um estágio meio adormecido, meio acordado e se vê cercado por silhuetas em movimento. Em outras, é ele quem se move, enquanto seu corpo permanece inerte na cama. Médicos dizem que a paralisia do sono e as experiências extracorpóreas são inofensivas - mas, para Elliott, elas são assustadoras.
Determinado a descobrir o que está acontecendo, ele consegue um emprego em um museu conhecido por ser mal-assombrado. É onde conhece a enigmática Ophelia. À medida que os dois ficam mais próximos, Elliott se torna o foco de ainda mais atenção dos mortos. Certa noite, ao retornar de uma experiência extracorpórea, ele não encontra o próprio corpo. Alguma coisa está o ocupando, algo morto que quer viver de novo - e quer Ophelia também...

Aos 17 anos, Elliot sofrera um acidente que mudara por completo a sua vida. Desde então, ele não conseguia mais dormir em paz. Todos os seus sonhos eram assombrados, e para piorar, Elliot também sofria da famosa paralisia do sono.

Se dá por paralisia do sono quando a consciência da pessoa se torna ativa no meio do sono REM, o mais profundo. A pessoa ainda está dormindo, mas seus olhos estão abertos e ela consegue enxergar tudo ao seu redor, mas não se mover. Além da sensação de impotência motora, tudo à sua volta é pesado e sufocante. É como se algo maligno estivesse junto da pessoa, e alguns relacionam essa experiência com demônios e bruxas.

No caso de Elliot, ele vê apenas um espírito durante sua paralisia: Tess, a antiga moradora de seu apartamento, que se suicidara na banheira. Desde o acidente, Tess vem o assombrando. Com a escuridão do quarto, Elliot entra em desespero toda vez que se dá conta que não está acordado de verdade. A cada noite que passa, Tess e sua forma sinistra se aproxima mais, e tomado por medo e terror, Elliot não pensa que pode haver um motivo para ela estar ali, deixando a banheira cheia toda vez que ele ou seu pai entram no banheiro. Ele só quer descobrir como se livrar dela.

Seu pai e seu irmão escutam os relatos de Elliot, mas não dão muito crédito para suas histórias. Eles tem conhecimento da morte da ex moradora, mas pouco creem no que Elliot vem enfrentando.

Cogitando estar enlouquecendo, Elliot sabe que deve tomar uma atitude para tentar afastá-la e enfim ter uma noite de sonhos tranquilos, mas ao invés disso, ele vai atrás de um emprego, e o primeiro lugar que lhe oferece uma vaga é logo um museu mal-assombrado.


- Talvez não sejam os eventos diários que deixem rastros. Talvez só os violentos.


Arthur Hodge é o oposto do que Elliot esperava. O dono do museu é um gordinho arrogante que aceita Elliot como funcionário apenas quando o garoto comenta sobre o acidente. Elliot então começa a trabalhar como guia turístico no museu, e sua primeira visita de treinamento é guiada por Ophelia, uma garota simples de língua afiada.

Apesar da ironia na situação, Elliot torce para que dessa forma Tess não seja capaz de alcançar os seus sonhos, já que para trabalhar no museu ele tem que dormir algumas vezes por lá. Mas seus medos não são destruídos por completo, uma vez que Elliot é apresentado à histórias e espíritos que assombram o lugar. A possibilidade de Elliot acabar com não apenas um, mas vários espíritos o aterrorizando em suas paralisias eram grandes.

Ainda assim, Elliot se vê envolvido com o museu, seus segredos e seus mistérios. Ao longo dos dias de trabalho, ele descobre muitas coisas sobre os funcionários, a credibilidade do local e sobre si mesmo. Talvez, ele possa ter encontrado a ajuda que tanto precisava, e um amor em Ophelia que ele nem mesmo esperava.

Mas a jornada não seria fácil. Ophelia escondia um passado traumático, Hodge se mostrava cada vez menos digno de confiança, e Elliot por fim se depara com espíritos diferentes de Tess, com intenções verdadeiramente ruins e vingativas. Qual seria o papel de Elliot, dividido entre o real e o horror da paralisia? Poderia ele ajudar as almas, ou teria que se proteger delas?



Peguei Não Durma para ler de uma forma totalmente despretensiosa. Tinha me interessado pela sinopse, mas não estava na minha lista de prioridades. Quando ganhei recentemente um kindle, resolvi passar alguns livros pra lá, e foi quando escolhi a obra para testar o leitor digital. E eis que eu deixei todos meus livros físicos de lado pra devorar essa história maravilhosa e tenebrosa.

Não é novidade pra ninguém que eu amo histórias de terror, mas Michelle conseguiu escrever uma obra de outro nível. Elliot uma vez fora um rapaz comum que só pensava em garotas e em festas. Principalmente no início, ele lembra bastante da sua vida antes do acidente e também de sua mãe falecida. Esses pontos ressaltados são importantes para enxergarmos como Elliot cresce como pessoa ao longo do livro. Ele deixa de ser aquele adolescente para se tornar um homem quando enfrenta problemas muito mais sérios e desafiadores.

O livro já começa impactante. Nas primeiras páginas, somos apresentados de cara à Elliot e Tess durante uma paralisia do sono. A autora escreveu uma nota no final do livro dizendo que os relatos são de uma amiga próxima que sofre do mesmo que o personagem. Eu já vivenciei duas vezes a paralisia do sono e foi extremamente desesperador. Não vi demônios ou bruxas como o pessoal alega ter visto, mas a escuridão à minha volta era densa e completamente pesada. Isso deve ser simplesmente pelo próprio cérebro interpretar que aquela situação está completamente errada, mas o nervoso de não conseguir se locomover transforma a cena inteira em algo muito mais assustador do que realmente é. É a nossa própria mente que prega peça e começa a enxergar o que não existe. Ainda assim, é uma experiência que não desejo pra ninguém.

Lesley estava certo. Venho tentando fazer com que vá embora. Todo o tempo que passei tentando compreender a paralisia e evitando os gatilhos foi um desperdício. Podia me esquivar por alguns dias, semanas até, mas sempre acabava voltando. Sempre voltava. E ao fazer essas coisas, na verdade evitava o que mais importava: o fato que eu sabia o tempo todo.
Eu estava sendo assombrado.

Óbvio que unindo o terror ao meu interesse na paralisia do sono era certo que eu ia gostar da obra, mas a autora quis ousar um pouco mais e inseriu um museu mal-assombrado na história. Clichê? Totalmente, mas funcionou perfeitamente! Elliot não é medroso e não passa o livro inteiro em loucura. Ele é focado e incrivelmente corajoso. Ele tem medo, é claro, mas sua força o carrega em frente, e sua ânsia por respostas vence qualquer indecisão que ele possa ter. E o que torna as passagens no museu extraordinárias e críveis é que não são muitas. Elliot trabalha lá, mas as aparições dos supostos fantasmas são mínimas, o que imagino que seria desanimador se a autora abusasse e utilizasse desse artifício em exagero.

Ophelia também é uma personagem sagaz e peculiar. É honesta, não tenta agradar os outros, e é firme em suas decisões. O passado que carrega consigo é triste e doloroso, e suas mãos estão sempre cobertas por luvas, o que desperta a curiosidade de Elliot. Não é a beleza ou a química que atrai Elliot. É a natureza de Ophelia, seu jeito e sua determinação que encantam Elliot e o faz se apaixonar. Sim, temos romance também! Não tinha como essa história ficar melhor.

Ao longo das páginas, além da paralisia, a autora discorre mais também sobre experiências extracorpóreas, sobre a existência de um cordão que nos conecta ao nosso próprio corpo, e o dom que determinadas pessoas possuem de ver os mortos. Apesar dos temas e do assombro que o livro possa transmitir ao leitor, a leitura é frenética, graças à escrita extraordinária e envolvente da autora.

Com uma mescla de terror, romance e mistério, Não durma entrou pra minha lista de favoritos e terminei a leitura desejando reler novamente para provar mais um pouco da história sensacional criada por Michelle. E você, vai arriscar dormir depois de conferir um pouco do que Elliot passou nos sonhos?

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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