domingo, 23 de setembro de 2018

O Assassino do Zodíaco

Título: O Assassino do Zodíaco
Título Original: Zodiac
Autor: Sam Wilson
Editora: Jangada
Ano: 2018
Páginas: 464
Tradução: Gilson César Cardoso de Sousa
Livro: Skoob
Sinopse:
Numa sociedade corrupta e violenta, dividida pelos signos do Zodíaco, as desigualdades entre as pessoas vêm do berço e continuam por toda a vida. Assassinatos passam a ocorrer com brutalidade incomum, e as vítimas parecem não ter nada em comum. Seriam esses crimes uma rebelião contra o sistema ou obra de um serial killer? Para encontrar uma resposta, o detetive Jerome Burton se junta à astróloga forense Lindi Childs. Juntos eles percorrem uma trajetória sombria para tentar desvendar uma história tenebrosa de traição, amores perdidos, promessas quebradas e uma verdade devastadora capaz de abalar o mundo em que vivem...

Áries, touro, gêmeos, câncer, leão, virgem, libra, escorpião, sagitário, capricórnio, aquário e peixes são os signos que compõe o zodíaco. Em um mundo distópico, as pessoas são separadas de acordo com o signo ao qual pertencem e residem em comunidades designadas apenas para eles. Na hora de ter um filho, os pais precisam se planejar para que o bebê nasça dentro do mesmo signo que eles, para não precisar conviver com crianças de outro signo.

A partir dessas normas, é de se imaginar que haveria muito rebuliço e discórdia, mas na verdade a divisão funciona muito bem. Cada signo possui características próprias e com isso é fácil identificar de qual signo uma pessoa é apenas ao interagir com ela. A personalidade, os trabalhos e os objetivos são bem semelhantes entre os humanos do mesmo signo. Os piscianos se adaptam com qualquer tipo de emprego; os cancerianos são extremamente ligados à família; os capricornianos são estratégicos, lógicos e possuem como foco a grandeza; os arianos são tempestuosos; os taurinos são leais, teimosos e determinados; e por aí vai.

O sistema funcionava, mas também haviam atritos. Os arianos eram famosos por causarem protestos e destruições e se sentirem injustiçados, e para controlá-los, os taurinos estavam sempre à postos, já que sua grande maioria fazia parte da polícia.


Jerome Burton é um detetive taurino que ficara conhecido após solucionar um caso importante, mas ele jamais estaria preparado para o caso novo que chegava em suas mãos.

Rachel é pisciana e presta serviços de arrumadeira. Um dia, ela atende ao pedido do chefe de polícia para dar uma faxina em sua casa e ela vai, só que se depara com a porta entreaberta e um profundo silêncio dentro da casa. Nos fundos, ela encontra o homem na vala, com o intestino para a fora, num claro assassinato violento. Aquilo havia sido premeditado e brutal. Rachel não consegue escapar do assassino, mas o caso se torna viral. Todos sabem do ocorrido e querem uma resolução.

Burton inicia suas investigações, pesquisando documentos do chefe, contatos que ele tinha e possíveis inimigos. O assassino não deixara rastros, e a busca por respostas se mostra cada vez mais árdua. Para ajudá-lo, Burton chama Lindi Childs, uma astróloga forense aquariana especialista em perfis criminais. Lindi se interessa de imediato pelo caso e traça o mapa astral do chefe da polícia e dos suspeitos ao longo da investigação. As informações que ela obteem os auxiliam a trilhar um caminho obscuro e perigoso, principalmente quando mais mortes provocadas pelo mesmo assassino surgem.


- E a leitura do suspeito do assassinato, como foi?
- Ótima! Há muito Fogo no mapa do sujeito, mas também um pouco de Água, o que o torna manipulável. Tem um Júpiter Fraco, um indício de que é antissocial. No todo, diria que o mapa depõe muito contra ele.
- E as estrelas não mentem - sentenciou o detetive Burton, levando outra garfada à boca.


Burton e Lindi precisam encontrar o criminoso. A mídia e a própria polícia os pressionam, mas as pistas parecem becos sem saída, como se o assassino estivesse brincando com eles.

De outro ponto de vista, Daniel Lapton descobre ter uma filha quase 20 anos depois, e que ela fora enviada para um local chamado Academia dos Signos Verdadeiros, uma escola para crianças problemáticas ou que nasceram no signo “errado”. Daniel não sabe o que acontecia por detrás das grades do colégio, apenas que era algo perturbador o bastante para a Academia ter sido fechada.

Desesperado por sinais que o levem até sua filha, Daniel, um capricorniano resoluto, moverá montanhas para achá-la. Mas será que ele gostaria do que por fim encontraria? E quanto à Lindi e Burton, o quanto suas vidas estariam em risco para deter o assassino do zodíaco?



Assim que a editora Jangada lançou o livro eu o desejei, mas foi na Bienal do Livro desse ano que não resisti e o levei comigo pra casa. Pela imagem não dá reparar, mas a capa é extraordinária. Dá pra sentir o símbolo dos signos em destaque no toque, e elas refletem de acordo com a luminosidade. Como sempre, a Jangada fez um trabalho sensacional com a edição, letras num tamanho ótimo e praticamente sem erros de digitação.

São poucas as histórias de ficção sobre astrologia, e Sam conseguiu construir uma distopia impressionante que poderia ser expandida para demais gêneros além do suspense e investigativo. Enquanto eu lia as primeiras páginas, totalmente empolgada, só podia pensar que um mundo dividido por signos renderia uma história sensacional de ação misturada com romance a la Divergente. Eu realmente gostaria muito de ver isso escrito um dia. Mas voltando pra história em questão, Sam acertou em cheio ao apostar em falar de astrologia e crimes. Ele soube abordar perfeitamente a maioria dos aspectos gerais pertencentes a cada signo e introduzi-los na obra.


- Essas leis se baseiam na ideia fantasiosa de que devemos tratar pessoas de signos diferentes da mesma maneira. Mas isso é impossível. Por quê? Por que elas não são iguais. Pessoas de signos diferentes se comportam de modo diferente. Leoninos e Geminianos são mais extrovertidos. Pessoas de Aquário e Sagitário não assistem ao meu programa, podem ter certeza disso. E Arianos tendem mais para a violência. 


O problema, no entanto, é que Sam dá tanto destaque ao suspense que se esqueceu de dar carisma aos seus personagens. Lindi é a mais humana. Daniel também é, mas sua loucura predomina. Burton é um robô relatando fatos e não demonstra emoções nem mesmo com relação à sua esposa grávida. Quer protegê-la e se preocupa com ela, sim, mas só entendemos isso porque é dito, não porque conseguimos captar esses sentimentos sendo transmitidos pelo personagem. Ao meu ver, essa foi a única falha, mas que não atrapalhou no desenvolvimento da história.

A obra é narrada em terceira pessoa e os capítulos são divididos entre Daniel, Burton, Lindi, e outros personagens onde a passagem vista pelos seus pontos de vista são importantes. A linha do tempo requer atenção, por isso pode se tornar um pouco confusa se o leitor estiver com a cabeça nas nuvens.

A identidade do assassino na verdade não é mistério algum. O autor deixa rastros claros disso ao longo da obra, e acho que seu objetivo era compreendermos os dois lados dos eventos: o das vítimas e o do assassino. Nada é preto no branco, né? Para tudo há uma razão.


As vítimas são de signos diferentes, por isso o titulo do livro, mas há uma explicação muito interessante acerca da forma como suas mortes foram aplicadas. Pode parecer mórbido, mas por todo o contexto, eu achei genial.

Os capítulos são bem curtos (pra vocês terem uma noção, são noventa capítulos!! Mas todos de em média 10 páginas), o que dá uma quebra na tensão e nos sentimos como se assistindo a um filme, as cenas intercalando entre os personagens e o que estão vivenciando.

A escrita de Sam é viciante. Ele descreve os cenários, mas os diálogos são muito presentes e esse é um fator que eu considero super positivo em livros, principalmente nos de suspense. É incrível acompanhar os debates dos personagens, suas idéias sendo expostas, as explanações da astróloga sobre os mapas e as posições dos astros, todos esses pontos favorecem para que a leitura flua.


A sociedade mudaria se as pessoas vissem as divisões com mais clareza? As coisas melhorariam ou piorariam? Por enquanto, reconhecer o signo de alguém era um jogo sutil que consistia em julgar roupas pelo seu preço e estilo, observar a escolha de vocabulário e os padrões de seu discurso, avaliar seus interesses e tendências políticas. Identificar signos era uma habilidade tão comum e importante, que a maioria das pessoas fazia isso de modo automático. (...) Talvez então as pessoas deixassem de se importar tanto com isso. Talvez não perdessem tempo agindo, falando e pensando exatamente como seus vizinhos, por medo de que os outros confundissem seu signo. E talvez compreendessem que a coisa toda era puramente arbitrária.


E vocês, já tem uma ideia de quem pode ser o assassino? Seria alguém revoltado com o sistema, um serial killer? Eu apostava num escorpião vingativo ou nos arianos que adoram tocar o terror. Um amigo meu acreditava que poderia ser um virginiano perfeccionista, um geminiano cansado das regras impostas ou um capricorniano capaz de bolar grandes planos. Só vou dizer que o assassino é uma bela de uma mistura das nossas hipóteses hahaha.

O Assassino do Zodíaco é um thriller policial original e inteligente, perfeito para todos os doze signos.

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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