quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Uma casa no fundo de um lago

Título: Uma Casa no Fundo de um Lago
Título Original: A House at the Bottom of a Lake
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Ano:2018
Páginas: 160
Tradução: Fabiana Colasanti
Livro: Skoob
Sinopse:
James e Amélia têm dezessete anos. Em comum, além da idade, têm o fato de estarem um a fim do outro e de serem tomados pelo nervosismo quando James chama Amélia para sair. Mas tudo parece perfeito para um primeiro encontro: um passeio de canoa pelos lagos, levando um cooler cheio de sanduíches e cervejas.
À medida que se aprofundam na exploração, os dois chegam a um lago escondido e encontram algo impressionante debaixo d'água. Um lugar perigosamente mágico: uma casa de dois andares com tudo que tem direito — móveis, um jardim, uma piscina e uma porta da frente, que está aberta.
Enquanto, fascinados, vasculham o imóvel e tentam passar uma boa impressão para o outro, cresce o medo. Será que um local misterioso como aquele esconde alguém — ou algo — vivo? Uma coisa é certa: depois de mergulhar nos mistérios da casa no fundo do lago, a vida deles jamais voltará a ser a mesma

Aos 17 anos, James e Amelia são jovens inocentes e aventureiros. James chama Amelia para sair, e a primeira ideia que vem em mente quando ela aceita é levá-la ao lago com o barco do tio, portanto, no dia seguinte, lá estão eles.

James não sabe se aquele convite era exatamente o melhor para um primeiro encontro, mas Amelia parece estar se divertindo e aos poucos eles vão se libertando da tensão e conversando com naturalidade.

Ao longo do trajeto, eles se deparam com um túnel estreito. James não sabe se o barco é capaz de passar, mas Amelia está animada em prosseguir, então, depois de descascarem a tinta do barco e quase ficarem entalados no meio do túnel, eles conseguem transpor e alcançar o outro lado.

Ali, o lago é o exato oposto do anterior. Repleto de lama e vegetação, o lago tem pouca beleza a oferecer. Talvez fosse esse o motivo pelo tio de James nunca ter comentado sobre a existência de mais um lago na região.

Independente da razão, Amelia gosta da visão e eles decidem parar para um lanche, quando James olha para baixo e grita.

Debaixo d’agua, soterrada, está uma casa.

Do barco, é possível enxergar claramente o teto da casa.

Era impossível não imaginar que havia algo morando lá dentro; uma criatura aquosa, não descoberta, não listada, aninhando-se.
Isso é maluquice, pensou ela.

Amelia e James ficam em choque. Como ninguém tinha conhecimento sobre aquela casa? Como o nível da água teria subido daquele jeito? Além do mais, além da casa submersa, não havia mais nada ao seu redor.

Surpresos e tomados pela curiosidade, o casal resolve investigar a casa. Um de cada vez, eles nadam até a casa, mas não é o suficiente. Eles precisam de mais. Estão alucinados de empolgação pela descoberta e combinam de retornar no dia seguinte com os materiais e equipamentos adequados para mergulhar e averiguar o interior da casa.

E é o que fazem.

O sorriso de Amelia foi sumindo lentamente do rosto conforme James saía. Não porque ela não estivesse feliz. Não porque ela não estivesse entusiasmada por ele ter saído e arranjado equipamento. Mas porque a casa já parecia exigir uma consideração mais cuidadosa do que qualquer sorriso simples poderia suprir.
Vamos fazer isso, sim, pensou Amelia. Mas... o que é aquela casa?

Revezando, James e Amelia exploram os cômodos da casa e se dão conta do quanto ela é grande. Além dos quartos e salas, possui um porão, e logicamente eles precisam conhecer cada pedacinho do que a casa tem a oferecer.

É como se eles tivessem encontrado um tesouro. Tinham a casa somente para eles. E quanto mais viviam dessa emoção e descoberta única, mais eles se aproximavam e se apaixonavam, partilhando por longos dias do segredo.

Logo na primeira vez que visualizaram a casa, eles fizeram um acordo, a única regra que deveriam seguir: nada de como ou porque. Nada de perguntar como os móveis continuavam intactos e fixos ao chão quando deveriam estar flutuando. Nada de questionar como as coisas se mexiam quando queriam, como os vestidos.

Mas uma casa mobiliada no fundo de um lago não era segredinho de ninguém. Alguém tinha que saber.
Quem?

Mas em suas mentes, eram essas as dúvidas que rodavam constantemente. Eles estavam felizes e apaixonados, mas... como tudo aquilo era possível?

Quando James e Amelia escutam risadas e vêem o impossível, eles fogem. Pela primeira vez, sentiram medo. Medo do que a casa poderia representar, medo do que ela poderia estar guardando, medo de quem poderia estar ali.

Mas eles não ficariam longe por muito tempo. A casa os chamava e dominava seus pensamentos. Até quando eles conseguiriam evitar o retorno? Será que eles queriam isso?

Medo.
Medo da casa. Medo da risada prolongada. Medo do que eles haviam feito juntos. Medo de quem morava lá.

A curiosidade matou o gato, minha gente!

Esqueçam mansões mal-assombradas, o que temos aqui é maior e original, nós temos uma casa submersa num lago!

Quando vi que Josh Malerman havia lançado livro novo, eu corri na hora pra ler. Caixa de Pássaros foi uma leitura desconcertante e apreensiva, enquanto Piano Vermelho foi surpreendente, então eu já estava preparada pra altas estranhices.

Bom...

O início é bem legal. A interação de James e Amelia, a descoberta da casa, só que eu fiquei esperando pelo ápice que nunca chegou. Quando você pensa em uma casa no fundo de um lago, você sabe que vai dar merda, simplesmente sabe. Primeiro você acha que Malerman está apenas esquentando o terreno, aquecendo o leitor pro grande choque, e eu fiquei procurando nas entrelinhas por uma dica, pelo momento em que tudo ia dar errado, mas eu nadei pra morrer na praia, nem pra morrer na casa.

James e Amelia passam semanas bisbilhotando a casa, e é como se a casa fizesse parte da relação e eles fossem um triângulo amoroso. Eles não sabem viver sem o elo que os uniu. Não existe um James e Amelia sem a casa junto. Isso por si só já é peculiar. Pode ser que seja a influência da casa sobre os dois, sobre a mente deles, a necessidade de atraí-los para ela? Sim, pode, mas Malerman não fornece uma resposta concreta.

Da mesma forma que as dúvidas vagam silenciosas pelos pensamentos deles, vagam pelos nossos. Quando eles começam a escutar vozes, risadas macabras, e a ver vestidos se contorcendo e flutuando como se alguém os tivessem vestindo, dá a impressão que enfim a história vai mudar de rumo, mas nada de grande importância acontece. O casal muda a percepção que tinham antes, o conforto e paz que sentiam na casa muda para terror e desespero de fugir, e esse é o único sinal que o autor dá de que algo mexeu com eles.

O fim, como podem imaginar, é extremamente aberto. Quando terminei, fiquei pensando cá comigo: ué, cadê o resto?

A conclusão da história fica livre para a interpretação de cada um. Pra mim, eles ficaram loucos. O terror, no caso, é mais psicológico do que físico, uma estratégia bem comum do autor, usada nos seus demais livros. É como se a casa não tivesse os ferido fisicamente, como vemos nos filmes de terror, mas se infiltrado no íntimo deles. Ainda assim, eu queria maiores explicações, nem tanto do como ou porque, mas do que aconteceu depois, pra termos mais certeza da nossa própria conclusão, não algo tão subentendido assim.

O lado bom é que o livro é curto, sem enrolação, bem objetivo. Creio que isso tenha sido devido à reclamações com Piano Vermelho, que por sua vez, foi extenso e exaustivo. Até as conversas são práticas e as descrições sucintas.

Mas afinal, vale a pena ou não a história?

Honestamente, não sei dizer.

Eu gostei. Não gostei do fim, esperava mais, esperava alguma coisa, mas gostei da premissa e da ideia geral, assim como adoro a escrita do autor, o que contribuiu muito pra me deixar presa na leitura. Se você está acostumado com a escrita de Malerman e a forma dele de conduzir as histórias, então recomendo, mas se não, se você nunca leu um livro do autor, não seria um bom começo, porque infelizmente não foi um dos melhores livros dele.

Nota: 4


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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