quinta-feira, 19 de julho de 2018

Trilogia Estilhaça-me

Título: Estilhaça-me, Liberta-me e Incendeia-me
Autora: Tahereh Mafi
Série: Estilhaça-me
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 304
Livro: Skoob
Sinopse:
Tenho uma maldição(Tenho um dom) Sou um monstro(Sou sobre-humana) Meu toque é letal(Meu toque é poder) Sou a arma deles(Lutarei contra eles) Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser uma guerreira.

Começo dizendo que a minha expectativa para com esse livro era algo próximo à zero, e que ele me surpreendeu muito, de maneira muito positiva.

"Convicções, prioridades, preferências, preconceitos e ideologias dividiram-nos. Iludiram-nos. Destruíram-nos.
Necessidades egoístas, vontades e desejos precisavam ser apagados. Ambição, excessos e gula tinham de ser expurgados do comportamento humano. A solução estava no autocontrole, no minimalismo, nas condições parcas de vida. Uma linguagem simples e um dicionário novo em folha repleto de palavras que todo mundo entenderia.
Essas coisas poderiam nos salvar, salvar nossas crianças, salvar a raça humana, era o que eles diziam."

Em um mundo distópico, onde a humanidade sugou e consumiu todos os recursos da Terra, plantas e animais são cada vez mais raros. Os pássaros já não voam. O mundo que conhecemos hoje não passa de um sonho distante. E, para tentar consertar todos esses erros, o Restabelecimento tomou conta de todos os países do mundo, dizendo ser capaz de trazer de volta a paz. Porém, como todo governo absolutista de um livro distópico, isso se dá botando a maior parte da população às margens da sociedade, vivendo vidas sub-humanas e morrendo de fome.

"Estou aprisionada há 254 dias. Não tenho nada senão um caderno e uma caneta quebrada e os números na cabeça para me fazer companhia."

E nesse mundo horrível e meio apocalíptico, temos Juliette, uma adolescente de 17 anos que está há quase um ano trancada em uma cela solitária de um hospício, sem todo e qualquer tipo de contato humano. Ela foi levada de casa, numa noite, há três anos. Mas ela sabia que esse dia viria. E ela não contestou.

"Meus pais pararam de tocar em mim quando passei a engatinhar. Fiz meus colegas de classe chorarem só por lhes segurar as mãos. Os professores me faziam trabalhar sozinha para que eu não machucasse as outras crianças. Nunca tive um amigo. Nunca conheci o aconchego do abraço de uma mão. Nunca senti a ternura do beijo de um pai. Eu não sou louca.

No início do livro, vemos todo o mundo na visão de Juliette: uma adolescente que foi retirada de casa aos 14 anos, que sempre fora negligenciada, marginalizada e julgada. Vemos tudo que se passa em sua mente, após 264 dias trancada, vendo o mundo através de uma pequena janela de uma cela, sem escutar o som de sua própria voz há tanto tempo. Ela foi levada no início do Restabelecimento, portanto, não faz ideia do que está acontecendo lá fora: como as pessoas continuam vivendo, quem continua vivendo, ou como seus pais seguiram com suas vidas após sua partida.
"Sou uma gota de chuva.
Meus pais esvaziaram seus bolsos de mim e deixaram me evaporar sobre uma laje de concreto."

Pra mim, é muito claro o sofrimento e a depressão de Juliette. Ela é uma pessoa boa, extremamente boa, que tenta (tentava?) fazer de tudo para ser aceita, e ainda assim era deixada de lado. Até pelos seus pais. O isolamento somente fez com que ela começasse a duvidar de si mesma. De suas próprias atitudes e de sua essência. Isso, pra mim, é muito doloroso. Quem alguma vez na vida foi negligenciado, seja por pais, amigos ou colegas, consegue com certeza imaginar a dor. Então talvez seja por isso que não me incomodei tanto com como ela ficava overthinking a respeito de absolutamente tudo no primeiro livro.

"A Lua é uma companheira correta. Ela nunca se vai. Está sempre lá, observando, constante, reconhecendo-nos em nossos momentos de luz e escuridão, em constante transformação, assim com nós. Todos os dias uma versão diferente dela mesma. Às vezes fraca e lívida, noutras forte e cheia de luz. A Lua compreende o significado de ser humano."

Mas como nem tudo é uma solitária de um hospício e a depressão da solidão, um dia aparece um garoto em sua cela. Coisa que nunca aconteceu desde que ela estava ali. Adam, e ela o reconhece. É o garoto que estudou com ela no fundamental. O único mais próximo de um possível de um amigo que ela chegou a ter, apesar de nunca terem trocado uma palavra. Mas será que ela poderia confiar em Adam e seus olhos profundamente azuis? Seria ele mais um louco, ou fora mandado ali para testá-la, para matá-la?

"Às vezes estou tão desesperada por tocar, por ser tocada, por sentir, que tenho quase certeza de que vou cair de um penhasco em um universo alternativo no qual ninguém, nunca, será capaz de me encontrar.
Não parece impossível.
Tenho gritado por anos e ninguém jamais me escutou."

Depois que Adam entra na vida de Juliette, tudo muda, e de repente ela se vê sendo usada como uma arma, posta para lutar para o Restabelecimento, para o comandante Warner, um garoto pouco mais velho que ela. E em como toda boa distopia, ela se junta à Resistência, tenta encontrar seu lugar no mundo e, em algum momento em Liberta-me, segundo livro da trilogia, nos deparamos com um triângulo amoroso.

Aqui faço uma pausa e digo: o triângulo não me surpreendeu, desde o primeiro livro era de se imaginar que ele se formasse, porém, em Incendeia-me, terceiro e último livro da série, o triângulo amoroso chega até a ser explicado. Juliette passa por tantas transformações, mudanças e evoluções como pessoa, que em um de seus momentos de "discussão interna", percebemos como, sim, esse triângulo faz sentido e não dá nem pra sentir raiva, porque é completamente possível e bem provável que nos apaixonemos pelas mesmas pessoas que ela.

"A verdade é uma amante maldosa e ciumenta que nunca dorme."

Estilhaça-me foi um livro que me surpreendeu, com muitos pensamentos internos de Juliette, até ela ter confiança o suficiente para começar a agir e parar de pensar. Onde ela finalmente começa a entender o que aconteceu com o mundo nos últimos 3 anos em que esteve fora dele. Infelizmente, achei que a autora pecou um pouco ao não nos introduzir mais sobre o Restabelecimento nesse livro. Senti como se faltasse saber mais sobre. Quem são, afinal?

Liberta-me, o segundo livro, sofre um pouco da Síndrome do Segundo Livro que a maioria das séries sofre. É o mais fraco, mas acho que é nele que temos o ponto onde Juliette para de ser a coitada que sofreu por anos, e se torna alguém ativo. Uma pessoa mais confiante e com melhor auto-estima (mesmo fazendo escolhas erradas o que acho que faz parte do aprendizado de quem não viveu por 17 anos, apenas sobreviveu). Aqui também somos introduzidos à ótimos personagens que se tornam amigos incríveis (coisa que ela nunca teve, vale lembrar), e torna a luta toda ainda mais importante.

Incendeia-me, o livro final, é como todo bom livro final: com pontos de reviravolta, com surpresas maravilhosas e outras nem tanto (tô muito triste com o que a Tahereh fez com um dos meus personagens favoritos). Todas as pontas soltas se finalizam, e não achei a luta final aquela coisa "pá-pum", achei que foi muito bem desenvolvida, apesar de ter lido diferente por aí.

Amei a evolução da Juliette e de quase todos os personagens, mas principalmente do nosso vilão Warner que, pra mim, foi o personagem mais complexo e bem desenvolvido de toda a série. Realmente uma série que me surpreendeu, que indico aos fãs de ditopias que contenham romance, e que tenham pelo menos um pouco de paciência com o triâgulo amoroso (por favor, amigos!).

"Há um tipo esquisito de liberdade no escuro; uma vulnerabilidade aterrorizante que permitimos a nós mesmos exatamente no momento errado, enganados pela escuridão, pensando que ela guardará nossos segredos."

Nota: 4


Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta

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