segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Dueto Sombrio

Título: O Dueto Sombrio
Título Original: Our Dark Duet
Autora: Victoria Schwab
Série: Monstros da Violência - #2
Editora: Seguinte
Ano: 2018
Páginas: 448
Livro: Skoob
Sinopse:
Na sequência final de A Melodia Feroz, Kate Harker precisa voltar para Veracidade e se unir ao sunai August Flynn para enfrentar um ser que se alimenta do caos.
Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências. Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.

Depois dos acontecimentos em A Melodia Feroz, Kate sai de Veracidade e encontra refúgio em Prosperidade. Seis meses se passaram desde então, e Kate se tornou uma caçadora de monstros, embora a cidade não possua a mesma quantidade ou a mesma violência que a cidade V. Lá, também conheceu um grupo pequeno de pessoas que auto-nomeia como Guardiões, e são eles que passam as informações para Kate quando há notícias de novos ataques, para que ela possa ir atrás dos monstros.

As aulas de luta que Kate teve em todos os diferentes colégios que passou a ensinaram um tanto, mas ela jamais estaria preparada pelo que veio a seguir: um monstro novo, único. Invisível, a violência que ele provocava era aterrorizante: ele voltava os humanos uns contra os outros. Sem entender o que estava acontecendo, os humanos partiam pra cima de quem estivesse na sua frente, completamente insanos, o que gerava grandes massacres.

Kate sobrevivera ao ataque, mas agora carregava consigo um brilho prata no olhar, o que significava que o monstro do desastre não havia saído dela. Kate sentia uma vontade enlouquecedora de matar alguém, as trevas a dominando, e precisava ser firme para manter o controle. Além disso, quando se encarava no espelho, era como cair em um abismo, e dessa forma sabia para onde o monstro estava se encaminhando.

Para a infelicidade de Kate, ele estava indo para Veracidade.

E ela precisava chegar à cidade antes dele. Precisava alertar August.

Ali, em Prosperidade, Kate tinha encontrado um propósito, um objetivo. Agora, quando deparava com seu reflexo no espelho, não via uma garota triste, solitária ou perdida. Via uma garota que não tinha medo do escuro.
Uma garota que caçava monstros.
E era muito boa nisso.

August, por sua vez, tomara o lugar de Leo no esquadrão. Era o chefe das missões, e estava sempre na ativa. Algo se rompeu nele na primeira vez que se entregou à escuridão, e agora era como se escutasse seu irmão falando em sua mente o tempo todo.

Com o lado norte sem um líder, muitos humanos ficaram com medo de permanecer no local, uma vez que os monstros já não precisavam mais seguir ordens, e migravam para o lado sul. As pessoas que haviam cometido atrocidades emitiam uma luz vermelha e, a fim de evitar mais violência, August era responsável por coletar a alma dessas pessoas. Portanto, todos passavam por uma revisão antes de receberem permissão para ficarem no lado sul. Sendo um sunai, August reconhecia os transgressores, tocava uma música e os eliminava. Ver todos os dias o desespero no olhar da pessoa e a injustiça no ato mexia profundamente com August, mas ele não tinha opção além de vestir uma máscara e cumprir seu trabalho.

Até que Kate retorna e August se lembra da época em que desejava ser humano.

- Onde você está? - ela sussurrou. Era a mesma pergunta que tinha feito para si mesma milhares de vezes ao longo dos anos, sempre que queria se imaginar em outro lugar, ser outra pessoa, mas as trevas responderam puxando-a para frente, para dentro...

Sendo filha de Harker, Kate é logo vista como uma inimiga. É aprisionada, interrogada, e desconfiam de sua palavra. Apenas August convence Henry Flynn a libertá-la para que possam conversar, já que ele é o único em quem Kate confia ali.

Mesmo que August quisesse que Kate ficasse longe de toda aquela bagunça pela própria segurança, ele sabia que ela era teimosa e jamais recuaria. Então, juntos do esquadrão, eles se deparam com dois inimigos: Sloan, o malchai do pai de Kate, e o monstro. Como deter algo que você não enxerga, nem tem como prever seus passos, antes que seja tarde demais?

Ali estava um ser das trevas, como os corsais; um caçador solitário, como os malchais; uma criatura que arrepiava os pelos de Sloan, como os sunais; mas não era nenhuma daquelas. Era uma arma, um ser de destruição absoluta.
E era ele.

Esse volume não foi ruim, mas não foi tão bom quanto o primeiro. A escrita da autora continua fluida e bem desenvolvida, mas ela inseriu uma grande quantidade de personagens novos, sem dar destaque a nenhum em especial, de forma que não temos como sentir proximidade deles.

Sloan, o vilão, não convence, e Victoria possuía um inimigo incrível e invencível em mãos, mas aproveitou muito pouco dele. O caso é resolvido no final, sem grandes respostas quanto a como ele surgiu, e com a impressão de que era pouco inteligente, apesar de se alimentar da violência e do medo.

Esperança teimosa. August gostou da expressão. Kate provavelmente diria que ela era a teimosia e ele, a esperança.

Kate continua ousada, valente e determinada, características bem marcantes da personagem. August já tenta mostrar indiferença, que é durão, mas as partes em que ele demonstra suas fraquezas e como dói coletar as almas são as que a gente mais simpatiza e encontra o August que conhecemos do primeiro volume.

O final é o grande divisor de mares. Compreendo? Sim. Gostei? Nem um pouco. Não vi necessidade. Na verdade, pra ser bem sincera, na minha cabeça eu deletei essa parte e pra mim nem existiu no livro. A mensagem dava pra ser transmitida da mesma forma. Fiquei com uma tremenda dó do August, agora completamente sozinho. A vida não é bonita, e nem sempre conquistamos o que queremos, mas ainda assim... foi pesado da parte da autora. Não é um livro que terminamos com aquela sensação boa do estilo “ok, as guerras nunca vão acabar, eles ainda tem muito o que lutar, mas há esperança!”. Eu fiquei foi triste e com uma sensação bem estranha.

— Eu sei que dói — ela disse. — Então faça a dor valer a pena.
August encostou a testa na dela.
— Como?
— Não se entregue — ela disse baixo. — Segura firme na raiva, na esperança ou no que quer que faça você seguir lutando.
Você, August pensou.
E, pela primeira vez, algo pareceu simples, porque Kate era a pessoa que o fazia continuar lutando, que olhava para ele e o via, que enxergava através dele sem nunca soltar.

Além disso, a história e o universo criado pela autora tem MUITO potencial, muito mesmo! Podia muito bem ser uma trilogia. Daria pra discorrer melhor sobre os monstros, sobre como ficaram as cidades, sobre readaptação e a coexistência, agora que haviam tantos monstros livres e apenas os sunais eram aliados. Tinha TANTO assunto para ainda ser tratado e discutido, mas ela não quis se aprofundar e é uma pena, porque seria maravilhoso ter uma continuação e acompanhar mais dessa história (isso se o final fosse diferente, é claro).

Ainda assim, de uma forma geral, posso dizer que a duologia Monstros da Violência me encantou, viciou e balançou as estruturas. Uma história com ritmo frenético repleto de lutas pela sobrevivência e de uma amizade bonita que surge ao meio da tempestade.

Nota: 4


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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