quinta-feira, 5 de julho de 2018

A Melodia Feroz

Título: A Melodia Feroz
Título Original: This Savage Song
Autora: Victoria Schwab
Série: Monstros da Violência - #1
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 384
Livro: Skoob
Sinopse:
Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos, e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical.
Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unirem para conseguir sobreviver.

A cidade V fora dividida ao meio, em norte e sul. Essa foi a forma encontrada como uma trégua para cessar as guerras. Sendo assim, Callum Harker liderava o lado Norte, enquanto Henry Flynn comandava o lado Sul.

Assim como a cidade, os monstros também foram dispersados.

Existiam três tipos de monstros:

Os corsais se alimentavam de carne e ossos. Eram os mais famintos e imprudentes.

Os malchais se alimentavam de sangue. Ao chegarem num local, sua presença era notada pela temperatura que decaía ligeiramente.

Os sunais eram raros e se alimentavam da alma humana. Bastava uma melodia produzida por eles para ter a pessoa em suas mãos, e então sua fome era cessada pelo dia. Mesmo que eles só pudessem se alimentar de almas de pessoas que cometeram alguma atrocidade, os sunais eram considerados os mais perigosos.

Monstros grandes e pequenos, cadê?
Eles virão para comer você.
Corsais, corsais, dentes e garras,
sombras e ossos abrirão as bocarras.
Malchais, malchais, cadavéricos e sagazes,
bebem seu sangue com mordidas vorazes.
Sunais, sunais, olhos de carvão,
com uma melodia sua alma sugarão.

Callum Harker possuía os corsais e os malchais em suas rédeas. Harker os deixava se alimentar, contanto que obedecessem suas regras. Assim ele mantinha o lado norte em paz e remotamente seguro.

Flynn, por sua vez, fizera dos sunais sua família. Os sunais nasciam a partir de um grande ato de violência, como tiroteios e assassinatos em massa. Eles apenas surgiam das sombras por conta do evento, e carregavam as trevas dentro de si. Caso perdessem o controle, poderiam dizimar uma vila inteira. Mas Flynn não os enxergava dessa forma. Sabia que podiam ser perigosos, mas que também podiam ser grandes aliados. Portanto, Flynn chamava de filhos os únicos três sunais que existiam: Leo, Ilsa e August.

Enquanto Leo havia abraçado suas raízes e Ilsa estava proibida de sair do prédio pelo que causou na última vez em que se entregou à escuridão, August não queria ser um monstro. Odiava ter que matar, mesmo que fossem pessoas que maltrataram outras. Ele queria mais do que ter o físico de um humano: queria ser como eles.

Eram criaturas de pesadelo, os monstros das histórias de dormir que deram errado, que rastejavam sob o colchão e se escondiam no guarda-roupa, agora com vida, dentes e garras. “Tome cuidado”, os pais diziam aos filhos, “comporte-se ou os corsais vão vir.” Mas na verdade os monstros não ligavam se você tomava cuidado ou se comportava. Eles habitavam as trevas e se alimentavam de medo.

Um dia, Henry manda August para Colton, o colégio onde Kate Harker, filha de Harker, acabara de ingressar. O objetivo era que August ficasse de olho nela, uma vez que a fenda que separava a cidade estava sendo comprometida, e descobrir se Harker possuía algum envolvimento naquilo.

Acontece que Kate não é nada do que August esperava.

Kate passara por diversos internatos e fizera de tudo para ser expulsa e enfim poder retornar para casa. Callum sempre a enviava para uma escola diferente, mas depois que ela ateou fogo à capela de seu último colégio, ele ficou sem escolhas a não ser aceitá-la de volta. Ele dizia que queria apenas protegê-la, enquanto Kate queria provar como ela era filha dele e merecia estar ao seu lado e junto de seus monstros.

A chance perfeita para isso aparece quando ela descobre que August é um sunai. Ela poderia entregá-lo para seu pai, e não haveria demonstração maior do que aquela. Mas afinal, era isso mesmo o que ela queria? August não passava disso, de apenas um monstro?

Kate não tem muito tempo pra pensar quando armam pra cima deles, e no fim, ela se vê numa fuga frenética justo com o sunai.

Quando os sunais se entregavam, vidas chegavam ao fim. Não havia regras, não havia limites: os culpados e os inocentes, os monstros e os humanos… todos pereciam.

Eis o ditado que é difícil resenhar livros que amamos. Mais difícil ainda é resenhar uma obra que eu já vi em vários blogs, o que aliás, foi o motivo que mais me incentivou a arriscar na leitura. De repente vi tantas resenhas de A Melodia Feroz pela blogsfera que eu tive que conferir pra saber se era mesmo tudo aquilo.

E pode ter certeza que é sim, e muito mais!

A história é narrada em terceira pessoa e alternada entre o ponto de vista de August e de Kate. Nunca havia lido um livro da Victoria, e achei a escrita dela deliciosa. Inteligente, sagaz, e envolvente de um jeito que é impossível largar a leitura. O universo criado por ela pode lembrar alguns seres já conhecidos como vampiros, mas de algum modo ela conseguiu torná-los completamente diferentes e únicos. As explicações são muito bem dadas, e ao longo da história. Somos jogados no meio da vida de Kate e August, e através deles, vamos conhecendo mais sobre o que aconteceu no local, quem agora os governava, e como os humanos lidavam com isso, co-existindo com monstros.

De início, Kate me pareceu um pouco forçada. Toda a sua valentia e a necessidade de se provar capaz ao pai me fez torcer o nariz algumas vezes, mas aos poucos vamos conhecendo melhor a personagem e suas feridas vão sendo reveladas. No fim, acabei por admirar sua força e determinação. Ao meio de sangue, monstros, perseguições e suturas, ela lutou bravamente e não fraquejou. Ela é corajosa, e as cenas finais desse primeiro volume mostra como Kate veio pra se sobressair às protagonistas dramáticas.

Desde a primeira narração de August eu soube que ia gostar dele. Sua natureza leve, suas crenças, seus propósitos. Ele não se deixa influenciar pelas palavras do irmão, nem anseia abraçar seu verdadeiro “eu”. Seu auto-controle e resistência constroem sua personalidade. Ele é simplesmente um personagem incrivelmente fácil de simpatizar. E olha que ele que é o suposto monstro.

August assentiu, embora passasse quase todo o seu tempo com medo. Medo do que era, medo do que não era, medo de se revelar, medo de se tornar outra coisa, medo de se tornar nada.

Numa união improvável, Kate e August lutam por suas vidas e desvendam uma guerra a caminho. Juntos, eles terão que enfrentar os verdadeiros monstros, e torcer para ainda terem uma casa para onde voltar.

A Melodia Feroz possui uma história original, empolgante e perigosa que você não vai querer perder!
 
Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 23 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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