sábado, 16 de dezembro de 2017

Mar da Tranquilidade

Título: Mar da Tranquilidade
Título Original: The Sea of Tranquility
Autora: Katja Millay
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Páginas: 368
Tradução: Carolina Alfaro
Livro: Skoob
Sinopse:
Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida.
À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Nastya é uma garota que levava uma vida boa. Poucos amigos, sem namorado, mas tinha consigo as aulas de piano, e era tudo o que ela precisava. Até o dia fatídico.

Dois anos depois, Nastya se transformou em outra pessoa. Passou a adolescência assistindo os colegas indo à festas e se divertindo, enquanto ela ia à psicólogos e ao tratamento, mesmo sabendo que nunca mais poderia tocar piano.

Por um ano, ela não se lembrava do que havia acontecido. Até que ela lembrou, e se calou. Agora, morando com a tia em outra cidade, Nastya adota uma postura totalmente diferente, longe dos pais e de todo o trauma que acabou com sua fé. No colégio, ninguém a conhece. Ela usa roupas curtas e pretas, cabelo solto e um excesso de maquiagem. Os alunos têm curiosidade ao seu respeito, mas não se atrevem a se aproximar.

Por mais que Nastya exalasse a antipatia desejada, o que ela realmente gostaria era de ter um campo de força como tinha Josh Bennet. Ela não sabia a história dele, mas por alguma razão, todos o deixavam em paz. No horário de almoço ele estava sempre na mesma posição, sozinho. E Nastya, que tentara por mais de uma vez abrir o portão do colégio par sair, teve a sorte de encontrar Clay por perto, que logo lhe passou uma lista dos melhores lugares para ficar sozinho sem ser incomodado.

As pessoas normais tinham amigos. Eu tinha a música. Não estava perdendo nada.

A verdade é que exceto Nastya, todos sabem da tragédia que assombra Josh. Ele perdera a mãe e a irmã num acidente de carro, e o pai para um enfarto. Agora, emancipado e morando com o avô debilitado, só restava a Josh sua amizade com Drew, logo um dos mais populares. Sua família o acolhera de braços abertos, e Josh era grato por todos os jantares aos domingos na casa deles, mas não podia evitar se lembrar da própria família sempre que os via à mesa, rindo ou implicando um com o outro.

Nastya tem o hábito de correr à noite para desanuviar a mente e, numa das corridas, ela para em frente à uma garagem. Nastya sente que a conhece, mas não consegue explicar como. E lá, na garagem, está John.

E no dia seguinte, ela aparece de novo.

No começo, John estranha as aparições e até mesmo se irrita. Ela chega, se senta e fica apenas o observando trabalhar. Mas aos poucos, aquela rotina se torna parte do seu dia a dia, o que para John é algo perigoso. Ele já perdera sua família inteira. O que aconteceria se ele perdesse aquela garota, vestida totalmente diferente de como costumava ir para a escola, e que conseguiu fazer o seu mundo girar de cabeça para baixo?

Eu vivo num mundo sem magia nem milagre. Um lugar onde não há clarividentes nem metamorfos, anjos ou garotos super-humanos para nos salvar. Um lugar onde as pessoas morrem e a música se desintegra e tudo é um saco. O peso da realidade nos meus ombros é tão grande que às vezes me pergunto como ainda consigo erguer os pés para caminhar.

Se existe um gênero que eu adoro é drama, principalmente adolescente. Ultimamente venho lendo alguns bem impactantes, tratando de assuntos como suicídio, doenças, homofobia, e aí me deparo com Mar da Tranquilidade, que embora não fale de nenhum desses temas, nos apresenta dois personagens aprisionados em sua própria dor.

John mantêm todos afastados, com medo de ser abandonado mais uma vez, enquanto algo, ou alguém, destruiu a vida de Nastya dentro de poucos minutos e a fez adotar o silêncio. E mesmo com a evolução do relacionamento dos dois, Nastya se recusa em contar o seu segredo, por mais que John insista, e isso se prolonga por várias páginas, o que para alguns se tornou cansativo, mas eu estava tão entretida com a história que nem liguei. É lindo ver como Nastya se apega à John, como ela enxerga o seu sofrimento e resolve quebrar as suas barreiras. E para Nastya, ele vira o seu lar.

É difícil resenhar esse livro sem soltar spoilers, então só digo que recomendo a obra para todos que gostarem do gênero e quiserem superar o passado junto de John e Nastya.

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédicaa. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

Nenhum comentário:

Postar um comentário