sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Fuga

Título: A Fuga
Título Original: Escape From Asylum
Autora: Madeleine Roux
Série: Asylum -#0,5
Editora: Plataforma 21 – selo jovem da editor V&R
Ano: 2017
Páginas: 358
Livro: Skoob
Sinopse:
1968. Ricky Desmond não era louco. No entanto, já havia estado em lugares para rapazes instáveis antes. Mas, dessa vez, seria diferente. Quando cruzou a porta daquele prédio de brancura quase imaculada, um frio cortante percorreu seu corpo – como um aviso. As grades do Brookline indicavam o quanto seria difícil fugir daquele manicômio. Não era justo ele estar ali.
A enfermeira Ash era a responsável por cuidar de seu tratamento, a bondade dela contrastava com a figura horripilante do diretor Crawford.
Havia algo em Ricky que chamou a atenção do médico. Algo especial que o diferenciava dos outros. O diretor o escolheu. Era o começo de tudo. Ele seria o Paciente Zero. Diziam que isso era bom, mas o jovem desconfiava. Além disso, os gritos de dor que vinham do porão do hospital e seus pesadelos frequentes só o faziam temer por sua sanidade.
Com a ajuda de Ash e de uma amiga especial, Ricky tentará desesperadamente voltar para casa. Ele precisa escapar do Brookline antes que loucura devore a sua mente. Nesta prequel de Asylum, Madeleine Roux criou uma trama instigante que trará uma nova legião de fãs e, ao mesmo tempo, fará importantes revelações para os leitores já envolvidos com a série.

0,5
- A Fuga
1Asylum
1,5 - Scarlets
2 - Sanctum
2,5 - Artistas de Ossos
3 - Catacomb
3,5 - O Diretor


[NÃO CONTEM SPOILERS]

De acordo com a mãe e o padrasto, Ricky Desmond tem dois problemas que devem ser tratados: Agressividade e homossexualidade.

Ricky passara por dois internatos até chegar ao Brookline. Ele sabia que não demoraria muito tempo até sua mãe voltar arrependida para buscá-lo, mas dessa vez seria diferente.

Ordem e disciplina. Era assim que o Brookline funcionava.

O ano é 1968. Ricky gostava de meninos e meninas e sabia que não deveria ser considerado louco por isso. Sabia que não era louco. No entanto, desde que seu pai o abandonara ainda quando criança, a mãe se tornara vulnerável e frequentemente influenciada pelo novo marido, que nunca gostou de Ricky. Depois que ele perdeu as estribeiras e atacou o padrasto, o mandaram para o Brookline, um hospital psiquiátrico que tratava de pacientes problemáticos como ele.

Lá, Ricky conhece o diretor, chamado Daniel Crawford. O diretor é um homem misterioso que sabe impôr sua presença. Além dele, Ricky também é apresentado a outros pacientes e acaba criando uma amizade com uma garota chamada Kay, que na verdade é um garoto, e portanto sua família não aceitou a transformação e a deixou nas mãos do diretor Crawford, esperançosos que ele encontrasse uma cura para ele/ela.

Os dias no Brookline inicialmente são mais pacíficos do que ele imaginava. Apesar dos retratos com imagens tenebrosas de médicos realizando procedimentos dispersos pelas salas, Ricky possuía seu próprio quarto (obviamente não muito confortável) e as refeições eram líquidas e não provinham nenhuma sustância, mas quanto a isso aos poucos ele fora se acostumando. O que definitivamente não estava dentro dos conformes eram as noites, quando Ricky escutava claramente uma garotinha gritando nos andares subterrâneos do hospital, enquanto ele sentia um tremor em seus pés, como se alguma máquina estivesse produzindo aquela sensação e sendo utilizada em alguém.

Além da conhecida rotina, os pacientes também são colocados para trabalhar em serviços pequenos, como no jardim, o único momento do dia em que eles respiravam o ar livre. Algumas vezes, o diretor pedia serviços extras, especialmente a Ricky, de limpar as salas onde haviam arquivos amontoados e repletos de poeira por estarem ali há muitos e muitos anos. Durante a tarefa, Ricky aproveitava para dar uma olhada nos arquivos e descobrir mais sobre o que o diretor executava naquele lugar. E é aí que Ricky encontra diversas coisas que o assustam e se faz perguntar onde diabos foi parar.

Brookline esconde muitos segredos, e para a infelicidade de Ricky, ele vem a conhecê-los da pior forma possível.



Ricky pede incansáveis vezes para que o diretor o deixe ligar para os seus pais. Em todas as vezes ele recebe a mesma resposta, mas não desiste. Tampouco o diretor larga de mão, já que aparenta se interessar cada vez mais por Ricky e seu caso. Diz que Ricky é diferente, que não precisa sofrer do mesmo tratamento que Kay, por exemplo, está sofrendo, recebendo choques. O caso de Ricky é simples, e logo mais o seu tratamento será iniciado.

Ricky já vinha suspeitando dos planos do diretor e de sua sanidade há um tempo, e inclusive conversava com Kay e outros pacientes sobre a possibilidade de fugir. No entanto, quanto mais Ricky descobria os experimentos e atividades cruéis e absurdas que ocorriam no hospital, mais ele se aproximava do perigo.

Até que ele se torna o cobaia.

O diretor prometera que seu tratamento estava chegando e cumprira com sua palavra.

Ricky era o Paciente Zero.

Ser o Paciente Zero significava perder a si mesmo, e não para a morte, mas para algo muito pior.

Ninguém havia chegado tão longe quanto Ricky. Ele agira exatamente da forma esperada pelo diretor, e agora estava em suas mãos. Acorrentado, sofrendo hipnoses que o faziam esquecer de tudo, inclusive de quem ele mesmo era.

A única pessoa disposta a ajudá-lo era a enfermeira Ash, também conhecida por Jocelyn, que esteve acompanhando-o desde o início. Mas será que Ricky podia confiar nela? Será que ela não era apenas mais uma contratada do diretor, que faria qualquer coisa que ele pedisse?

Como Ricky escaparia agora? Ele precisava contar a seus pais. Precisava que o mundo inteiro soubesse das atrocidades cometidas no Brookline. Precisava que todos aqueles alunos, logo na faculdade ao lado, soubessem que enquanto estavam se divertindo nos jardins, haviam pacientes sendo maltratados e mortos dentro do hospital. Mas como ele faria isso se mal lembrava o próprio nome? Haveria esperança para Ricky e os outros pacientes, tão inocentes naquela história quanto ele?

 

Asylum é uma série que eu gosto muito. Fiz resenha de todos os volumes, e com A Fuga não seria diferente. Eu sempre digo nas resenhas que “esse volume é o último!”, mas então a Madeleine vem e nos surpreende com mais um volume intermediário. Agora ela está escrevendo uma nova série chamada Casa das Fúrias, cuja resenha logo sairá no blog, portanto imagino que dessa vez definitivamente é o último volume.

A Fuga se passa no mesmo período que o volume/conto chamado O Diretor, anterior a esse. O Diretor conta a história de Jocelyn e Madge, duas enfermeiras que são contratadas para trabalhar no Brookline. Não vou me aprofundar nesse volume, caso tenham interesse podem ler a resenha de O Diretor, mas estou contando isso porque Jocelyn é a nossa enfermeira Ash, então A Fuga acontece logo após O Diretor.

O diretor Crawford foi uma figura misteriosa durante os livros principais de Asylum. Sempre tive muita curiosidade em saber mais a seu respeito e com os dois livros intermediários eu me arrependi. Adorei as histórias, é claro, por isso a nota, mas eu queria ver o diretor como o narrador, queria ver as situações sendo contadas através das suas palavras e do que ele via, para tentar compreender melhor o que o fez transformar-se naquilo, num monstro. Mas Madeleine novamente não nos deu esse prazer.

Ricky é um personagem extraordinário. Nosso protagonista é curioso, ardiloso, sem papas na língua e muito corajoso. Ele foi esperto e lutou o tanto quanto pôde. Adorei acompanhar a sua trajetória e torci por sua salvação o tempo inteiro. Kay foi seu braço direito, trazendo-o de volta à realidade sempre que o diretor tentava arrancá-lo de si mesmo. Sem Kay, talvez Ricky não tivesse tanta força para continuar batalhando. E o interessante é que os demais pacientes possuem personalidades próprias, e embora pouco seja apresentado a nós como foram parar ali, nós simpatizamos por eles da mesma forma.

A edição ficou maravilhosa, como sempre, e gostei bem mais das ilustrações nesse volume. Não chegam a ser assustadoras, mas são bem construídas e possuem uma conexão direta com as cenas. Sempre adorei as fotos dessa série, acho que trazem o diferencial necessário para tornar a história melhor ainda. E o legal é que a autora destaca nas últimas páginas que ela se inspirou nas vítimas do Atascadero State Hospital.

A Fuga foi uma leitura muito boa que me prendeu do início ao fim. No entanto, não indico para quem nunca leu nada de Asylum. É possível compreender, sim, mas acredito que perde grande parte da graça, e talvez não fará tanto sentido para quem não conhece as outras histórias relacionadas à série. Mas quanto a série, eu indico muito a todos os fãs de mistério e suspense com um toque de terror, embora eu deva deixar claro que não se trata de uma série de terror. Como falei antes, as imagens podem remeter a isso, mas não passa de um suspense muito bem bolado.

Nota: 4


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica e autora do livro O Poder da Vingança. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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