terça-feira, 10 de outubro de 2017

Olhos Prateados

Título: Olhos Prateados
Autores: Scott Cawthon e Kira Breed Wrisley
Série: Five Nights at Freddy’s - #1
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 368
Livro: Skoob
Sinopse:
O primeiro livro da trilogia Five Nights at Freddy’s leva o leitor ao mundo de Charlie, uma adolescente que volta para sua cidade natal quando é convidada para participar de uma homenagem a um de seus amigos de infância, morto dez anos atrás, em circunstâncias misteriosas, dentro da pizzaria do pai dela.
Tomados pela nostalgia e determinados a desvendar o crime jamais solucionado, Charlie e seus amigos acabam voltando à pizzaria, agora totalmente abandonada. Eles logo vão descobrir que as coisas lá dentro não são mais as mesmas. Os quatro animatrônicos mudaram. Os bonecos que antes encantavam as crianças agora guardam um segredo sombrio... e um plano mortal.

Aos 7 anos, Charlie tinha um grupo de amigos de quem gostava muito: John, Jessica, Marla, Carlton, Lamar e Michael. As crianças eram unidas e brincavam em todo canto, mas principalmente na Pizzaria Freddy Fazbear’s, cujo dono era o pai de Charlie. A grande atração e diferencial da pizzaria eram os animatrônicos, invenção também do pai de Charlie. Os animatrônicos eram robôs fantasiados de animais que seguravam instrumentos musicais e alegravam a criançada. Existiam quatro: o Freddy (um urso), a Bonnie (coelho), a Foxy (raposa) e a Chica (galinha). Aquela era basicamente a casa de Charlie e seus amigos, até que Michael e outras crianças foram sequestradas. A tragédia sem resolução fez com que as crianças perdessem o contato e a imagem da pizzaria fosse manchada. A tia de Charlie a levou embora de Hurricane, assim como os demais afetados pelo evento também saíram da cidade, restando apenas Carlton lá.

Dez anos depois, os amigos de Michael são convidados para uma cerimônia em homenagem a ele, e é quando se reencontram. Charlie se sente um pouco desconfortável ao ver os amigos agora crescidos, adolescentes, planejando seguir rumos diferentes. Voltar à Hurricane também traz de volta tudo o que acontecera em seus últimos dias na cidade, e é como se tivesse um elefante na sala, um peso claro sobre o ombro de todos, e ninguém quer ser o primeiro a tocar no assunto. Afinal de contas, o que aconteceu com Michael? Como não o viram sendo sequestrado? E as outras crianças? Quem os teria raptado? E a pizzaria, depois de todos aqueles anos, como estaria?

Para a última dúvida, Carlton tem a resposta. A pizzaria foi demolida e um shopping começara a ser construído no lugar, embora as obras tenham sido pausadas pouco tempo depois. E é então que uma ideia maluca surge e eles resolvem ir à antiga pizzaria. Não bastando isso, vendo como o lugar estava abandonado, eles decidem invadir. Dá pra imaginar que coisa boa não vai sair disso, né?

Investigando o espaço, eles descobrem que, na verdade, o shopping foi construído em volta da pizzaria, portanto tudo ainda está intacto, como se as pessoas tivessem saído às pressas e fechado as portas daquele jeito mesmo. Tudo estava exatamente do jeito que lembravam, inclusive os animatrônicos, em seus postos de sempre. Na ausência de luz, eles pareciam mais aterrorizantes do que nunca. Os olhos prateados, a expressão vaga, como se estivessem olhando além da pessoa na frente deles.



Não demora para que o grupo encontre as câmeras de vigilância, o palco, a cozinha, entre todos os outros setores da pizzaria. Também encontram um vigia noturno, que os faz fugir do local, mas com a promessa e o desejo de voltar.

E é o que eles fazem logo depois da cerimônia.

Só que, dessa vez, as coisas não vão bem. Os animatrônicos parecem criar vida, e se antes apenas Jason, irmão mais novo de Marla, acreditava que eles estavam se mexendo sozinhos, agora os adolescentes se veem lutando pela sobrevivência.

No meio disso tudo, Charlie volta para a antiga casa, inundada de recordações e nostalgia. Mas mesmo que a casa ainda esteja mobiliada e os brinquedos que lhe faziam companhia ainda no seu quarto, assim como os havia deixado da última vez que estivera ali, a sensação não era a mesma. Era um vazio muito grande, junto de um assombro sem razão. E após uma conversa com o pai de Carlton, ela decide ir atrás de maiores informações sobre o sequestro, levando o leitor a criar várias teorias baseadas no mistério que envolve a história.



Para os que não conhecem, Five nights at Freddy’s é um jogo de computador onde você é um vigia noturno que deve sobreviver por 5 noites. Você fica só na sala de controle, vigiando as câmeras para saber se algum deles está se aproximando, e se estiver, tem que fechar a porta correndo pra que eles não entrem, então basicamente a única coisa que você faz é fugir. Não é um jogo interativo no sentido de poder agir diretamente contra os animatrônicos, batendo neles ou coisa do tipo. Você não tem nenhuma arma, e mesmo luta corporal não iria funcionar. Já no livro, tem sim sangue, chutes, e os UFC’s da vida que você possa imaginar, mas nada exagerado, até porque são adolescentes normais que nunca esperaram passar por uma situação daquela na vida.

O jogo é sim de terror, mas mais pela tensão psicológica do que por botar medo. Os animatrônicos são sim assustadores, possuem um sorriso diabólico, e você fica desesperado quando não o encontra onde ele deveria estar. Eu nunca joguei, mas já acompanhei várias vezes um amigo jogando, então reconheço que dá vários sustinhos. As noites são como fases, então cada noite fica mais difícil de vigiar todas as câmeras e escapar.



Abaixo está um vídeo de uma noite para vocês terem noção de como é. Mesmo que você tenha medo, pode assistir. É só tirar o som, colocar vídeos de gatinho no plano de fundo, sei lá, mas acho importante assistir pra associar com a história e localizar a conexão, afinal o livro foi criado baseado no jogo. São só 2 minutinhos, essa já é a noite 5, coloquei um simples só pra vocês pegarem a ideia, porque os outros gameplays são compridos e explicam tudo o que eu expliquei agorinha.


Quando eu soube sobre o lançamento do livro, só faltou eu subir as paredes. Fiquei mega ansiosa para tê-lo em mãos, curiosa com a história. Sempre existiu muitas teorias e mitos sobre o porque dos animatrônicos “acordarem” de noite, e no próprio jogo nós encontramos artigos grudados na parede falando sobre 4 crianças desaparecidas, sobre o suposto responsável preso, e a possibilidade de as crianças estarem mortas. Fala sobre a pizzaria fechando as portas, sobre os brinquedos estarem saindo do controle e ficando estranhos. E, gente, como é lindo ter respostas! Como é uma sensação boa finalmente juntar o quebra-cabeça.

Os autores fizeram um trabalho sensacional com a obra, e muito provavelmente graças ao Scott Cawthon, criador do jogo, ser um dos autores. Ele não tirou a essência da história original, muito menos inventou coisas a mais. Ele, junto da Kira, apenas saíram da sala de controle da pizzaria e foram desenterrar o segredo por trás dos animatrônicos já conhecidos. Eles nos apresentaram personagens extremamente importantes e que possuem relação direta com o passado da pizzaria. É através desses personagens e suas lembranças que podemos finalmente compreender no que os animatrônicos se tornaram e porquê. Olhos prateados não é apenas mais uma história de terror, e sim a explicação para todo o terror já existente. Antes de comprar o livro eu até o abri e dei uma lida rápida nas páginas pra conferir se não era um livro parecido com o do Donnie Darko, onde não temos uma história contada, e sim somente explicações pro que ficou confuso, mas felizmente não foi o caso do primeiro volume de Five Nights at Freddy’s.

Artigos nas paredes confiram os rumores de que há algo estranho na pizzaria (Foto: Reprodução)

Sim, é uma série! Esse é o primeiro volume, e honestamente eu não sei como serão os seguintes. Para os nossos personagens da vez, acredito que a história teve início, meio e fim. Eles carregavam uma dor pela ausência de respostas, pelo desconhecido, e conseguiram se libertar após encarar a realidade.

Uma dica: Não vá esperando por personagens profundos e de grande personalidade. Eles não são bem desenvolvidos. Acredito que o autor deu tanto foco no mistério em si que esqueceu de dar um ar humano a eles. Charlie não é exatamente carismática, vive dentro de uma bolha, sem deixar que ninguém se aproxime, e mesmo depois de John se mostrar solidário ao máximo, ela ainda mantem uma certa distância. Carlton é daqueles que faz piada de tudo, até nos momentos mais críticos, e isso mais irrita do que descontrai, já que a situação num geral é séria. Algumas atitudes me deixaram espantada, mas me forcei a voltar ao ponto de partida: São pessoas que não se viam ou se falavam há dez anos. Muita coisa mudou, e eles agem com cautela, sem conhecer direito um ao outro. Ainda assim, eu não largaria alguém na pizzaria por achar que ela estava só tirando uma com a minha cara, mas tudo bem.

Mesmo com toda a explicação fazendo sentido, eu achei que faltou algo no final. Talvez as coisas tenham se resolvido rápido demais, de uma hora para a outra, e fiquei esperando por alguma coisa que não chegou. Não sei se é também porque não consigo sentir medo com livro de terror. Filme, ok, mas livro a minha mente não consegue criar uma imagem assustadora o suficiente, vai entender haha. Mas consigo imaginar direitinho a obra sendo adaptada pro cinema, seria bem legal e apavorante.

Conheça a verdadeira história do tenebroso jogo Five Nights at Freddys (Foto: Reprodução)

Em suma, Olhos prateados é o primeiro volume da série Five Nights at Freddy’s, baseado no jogo com o mesmo nome. Para todos que curtem um terror mesclado com mistério e cenas sombrias numa pizzaria abandonada, recomendo muito!

Nota:

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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