domingo, 24 de setembro de 2017

RESENHA: O poder da Vingança

Título: O Poder da Vingança
Autora: Carol Antonucci
Editora: Maresia
Ano: 2017
Páginas: 548
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Sinopse:
Rebecca Morelli é filha da estilista mais famosa da cidade. Ela tem os melhores amigos que poderia imaginar e carrega o esplêndido talento de modelar os vestidos para os desfiles da mãe. Mas como resultado de toda fama, sua vida perfeita é apenas uma fachada. Um acidente fez com que a relação com sua família se tornasse um pesadelo. As noites em casa viraram um caos, repletas de pavor e gritos.
Em pouco tempo, Rebecca descobre segredos envolvendo seus pais, sua amiga que não via há anos e, principalmente, Daniel Palacci, um rapaz sarcástico e misterioso. Becky então se vê no meio de uma rede de mentiras, traições, assassinatos e perseguições.
Sem saber com quem contar, Becky se encontra num dilema: Confiar ou não em Danny, que aparentemente é o único capaz de salvá-la, mas ao mesmo tempo o principal a levá-la para uma armadilha. Seria o amor capaz de arrancá-la das garras do mal, ou introduzi-la cada vez mais nesse mundo onde não existem escapatórias?

Quando a Carol me pediu para resenhar o livro dela, honestamente não poderia ter ficado mais feliz. Um pouco nervosa, claro, pois faz anos que eu não resenho um livro, mas PDV é uma das minhas histórias favoritas e lê-la novamente, dessa vez PUBLICADA (sou uma amiga mega orgulhosa), foi uma honra.

Poder da Vingança conta a história de Rebecca, ou Becky, como os amigos a chamam, uma adolescente que, em um primeiro momento, parece ter a vida perfeita. Sua mãe é uma estilista famosa, é cheia de amigos que parecem ser os melhores do mundo e ela possui um talento fora do normal para desenhar vestidos. No entanto, à medida que vamos a conhecendo melhor, descobrimos que, na verdade, sua vida é o oposto de perfeita: além de lutar com a falta de reconhecimento pelo seu trabalho árduo e sua dedicação com os vestidos da mãe, por causa de um segredo que a família carrega, sua relação com seus pais encontra-se extremamente desgastada. Seu pai é alcoólatra, e, ao beber, desconta sua frustração e impotência ao proteger a família batendo na sua esposa e seus filhos. Sua mãe, Natasha, é a típica workacaholic cuja maior preocupação é seus vestidos e sua marca, muitas vezes sendo insensível com a filha que faz de tudo para ajudá-la.

Sua vida vira de ponta cabeça quando conhece Daniel, um cara encantador que parece saber mais sobre os sentimentos de Rebecca do que todos que a cercam. Após o seu primeiro encontro acidental, os dois continuam se esbarrando nas situações e locais mais improváveis e, aos poucos, ela passa a confiar no homem apaixonante que parece adotar suas ideias mais malucas, como a revitalização da pracinha perto da casa de Becky. Todavia, ao longo do livro, Rebecca começa a desconfiar que talvez Danny guarde mais segredos do que ela possa ter imaginado ao conhece-lo e, que ao invés de lhe trazer a felicidade que busca, ele represente algo totalmente contrário, o perigo. Mesmo assim, Becky parece não conseguir ficar longe de Danny. E, honestamente, eu não a culpo. Daniel é um personagem extremamente bem escrito, que, com suas camisetas xadrez e suas músicas (tenho uma queda por músicos desde sempre, então sou extremamente suspeita), arranca vários suspiros e, se não fosse seus mood swings bizarros, eu estaria totalmente apaixonada por mais um personagem de livro.

Fechei os olhos, dançando conforme a música e permitindo que ele me levasse para outro mundo. Eu poderia dormir com aquela voz cantando para mim todas as noites. Eu queria me agarrar àquele momento, àquelas duas pessoas tão diferentes e tão iguais, àquela sensação de que não existia ninguém além de nós. Só eu e Danny, rodopiando um nos braços do outro, duas almas danificadas encontrando a paz.


Aliás, personagens bem escritos é uma das características mais fortes do livro. Becky não é uma adolescente típica, alternando o seu tempo disponível entre seus amigos, escola e a costura dos vestidos para sua mãe. Ela claramente tem um coração enorme, sendo uma das minhas características favoritas dela o quanto ela se importa com todos ao seu redor. Até mesmo com Danny, quase um estranho, quando tudo aponta para a sua culpa, ela insiste em descobrir a verdade e inocentá-lo. Obviamente, quando fica realmente óbvio que ele não é quem ele diz ser e todo mundo começa a alertar Becky para ficar longe dele e ela não o faz, eu comecei a ficar um pouco brava com a personagem. Dá vontade de dar umas boas sacudidas nela, para ser honesta. Os personagens secundários também são extremamente bem desenvolvidos. Com a escrita da Carol, passei a conhecer Matheus, Henrique, Nicholas, Gabriella, Cíntia, Sara e Elena tão bem que eu terminei o livro me sentindo como se eu fizesse parte do grupo de amigos deles.

Dizem que quando estamos prestes a morrer, temos um flashback da nossa vida, dos momentos mais importantes e marcantes. E eu tive. Lembrei das piadas ruins e sem noção da extrovertida Ellen. Lembrei das noites de pijama e conversas até altas horas com Gabi. Lembrei das letras novas de Henrique piscando na tela do meu celular todo dia. Lembrei das tentativas de colocar Cindy para tomar sol. Lembrei do carinho e ombro amigo de Nick. Lembrei das tardes assistindo filmes de terror e depois morrendo de medo com Sara. Lembrei da persistente cantoria durante o dia inteiro, das irritações propositais e das madrugadas fingindo estar dormindo, mas jogando até o sol nascer com Matt. Lembrei da rara diversão que eu compartilhava com minha mãe quando tentávamos preparar alguma comida diferente e sujávamos a cozinha inteira. Lembrei dos dias em que meu pai me recrutou para ajudá-lo a pintar as paredes de casa e como brincamos durante aquelas singelas, porém inesquecíveis horas.


Outro ponto positivo é que o livro é recheado de mistério, do tipo que você fica roendo as unhas bolando teorias para descobrir o que aconteceu de verdade. Felizmente, a autora foi extremamente feliz pois todos foram respondidos ao longo do livro – minha gastrite agradece – e todos surpreenderam. Devido às verdades que vão sendo reveladas, fui obrigada a reavaliar os personagens várias vezes. Eu pessoalmente gosto muito disso, pois adiciona um caráter muito realista ao livro, visto que a vida é assim mesmo. Quanto a pontos negativos, para mim o livro tem um: é muito comprido. De forma alguma isso faz com que o livro seja menos proveitoso, até porque a história de forma alguma se arrasta nas páginas e todas as cenas possuem alguma importância. Especialmente após o início do livro, você se sente num trem-bala e não tem mínima vontade de pular para fora. Aliás, às pessoas um pouco mais distraídas (eu!) deixo uma dica de ouro: está tudo relacionado, prestem atenção!

Quando achava que finalmente descobriria seus segredos, ou ao menos conseguiria arrancar uma parte, ele me fazia retroceder, como se todas minhas tentativas e conclusões tivessem sido em vão.

Outra coisa que curti muito, é que, para os amantes de música como eu, o livro é um prato cheio. Além do irmão e os amigos de Becky terem uma banda, todos os capítulos começam e terminam com uma música do Capital Inicial – coincidentemente uma das minhas bandas favoritas - que está perfeitamente relacionada com o que ocorre neles. A Carol foi extremamente feliz nesse aspecto, bem como as músicas que ela escolheu para fazer parte da trilha sonora do livro, que, inclusive, tem uma playlist no spotify aqui. Recomendo a quem estiver lendo o livro que acompanhe-o com a playlist, adicionando “som” a essa história apaixonante.

Para finalizar, gostaria de recomendar o livro a todos vocês que se interessam por livros de suspense e mistério. Garanto a vocês que não irão se arrepender. Para vocês terem noção, essa foi a terceira vez que eu li a história de cabo-a-rabo, e, embora ela sempre tenha sido uma autora fenomenal, a evolução da Carol ao longo dos anos é clara e eu estou mega feliz que agora mais pessoas podem compartilhar essa história comigo e, com certeza, se apaixonar por ela, assim como eu. Há só 25 exemplares disponíveis e o livro pode ser comprado por aqui.

Direcionei o olhar embaçado até minhas mãos molhadas de suor, conferindo minha sobrevivência. Meus lábios trêmulos, secos e estáticos, incapazes de se mover. Com tudo ocorrendo rapidamente, eu estava eufórica e elétrica; mas também em profunda descrença. Acabava de escapar da morte, salva por Daniel Palacci.


Nota: 5


Sobre mim: Mariana, 21 anos, acadêmica de medicina. Fiz parte do Caverna Literária quando ele tinha 16 anos e estava de ressaca (para os não entendedores de trocadilhos: quando era Hangover at 16) mas por motivos de falta de tempo, precisei me afastar. Depois de cozinhar e das minhas gatas, ler é a coisa que eu mais amo no mundo. Também sou uma viciada em série, atualmente em abstinência (obrigada, faculdade).

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