segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Quando a Noite Cai

Título: Quando a Noite Cai
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Ano: 2017
Páginas: 476
Livro: Skoob
Sinopse:
Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai e o sono vem, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos... e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e esperanças e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos. Enquanto tenta manter a má sorte longe do escritório, Briana acaba por misturar realidade e fantasia e se apaixona pelo belo, irresistível e enigmático Gael. Em uma viagem à Irlanda, a paixão explode e, com ela, o mundo de Briana, pois a garota vai descobrir que seu conto de fadas está em risco — e que talvez nem mesmo o amor verdadeiro seja capaz de triunfar...

Briana Pinheiro é o desastre em pessoa.

Aos 23 anos, ela não consegue parar em um emprego por mais de uma semana. Já tentou de tudo: loja de sapatos, salão de beleza, restaurante fino, e em todos ela acabava cometendo alguma gafe, de forma que basicamente pedia pela demissão.

Briana já estava desanimada, mas sabia que precisava continuar batalhando. Sua mãe e irmã dependiam dela. Seu pai falecera há poucos anos e desde então a mãe toca a pensão que por um bom tempo tem tido apenas uma hóspede, a dona Lola. Sempre animada e muito bem maquiada, dona Lola é uma senhora adorada por toda a família, mas infelizmente apenas sua hospedagem não é o suficiente para bancar as contas da pensão. Aisla, sua irmã, está no último ano da faculdade e pretende logo arranjar um trabalho na área que garanta um sustento melhor. Mas enquanto isso não acontece, Briana tem que pular de emprego em emprego.

Aisla é um ser de extrema alegria, energia e positividade. Ela diz a Briana que o problema não é ela, tampouco o seu desastre, na verdade ela apenas ainda não encontrou o trabalho perfeito.

E não é que ela estava certa?

No dia após mais uma demissão, Aisla conta a irmã sobre uma vaga, e Briana não perde tempo. Mas obviamente o azar tinha que acompanha-la. Antes mesmo de chegar à entrevista, Briana destrói o bebedouro e um alagamento se inicia na sala de espera da empresa.

Sabendo que jamais seria contratada depois do acidente, Briana sai às pressas do local e quase é atropelada. Quando ela encara o motorista que vêm ao seu socorro, ela tem certeza que bateu forte a cabeça.

Não era possível.

Como que o cara dos seus sonhos poderia estar bem ali na sua frente, em carne e osso?

Como uma boa história de amor, esta começa da mesma maneira que tantas outras:
Era uma vez....

Aquele cara era literalmente dos seus sonhos. Desde os 18 anos, Briana vem sonhando com um guerreiro. Os sonhos seguem como uma série, cada episódio com a continuação da história. No caso, Briana enxerga tudo através dos olhos de uma princesa chamada Ciara que está perdida no bosque após ter fugido de seu noivo. Lorcan O’Connor, o guerreiro irlandês, a resgata e a mantem segura numa aldeia por alguns dias. Nisso, o amor do casal vai crescendo, até que eles se veem apaixonados, mesmo sabendo que Briana corre perigo e que esconde grandes segredos.

Toda noite Briana sonha com o casal. E sempre antes de dormir ela faz o que mais gosta para se distrair: Desenha Lorcan, seu amor platônico.

E agora lá estava ele, bem na sua frente, carregando-a pra dentro do carro com um mau humor estampado pelo rosto. Lorcan, digo, o cara misterioso a leva até o hospital e, devido ao trânsito, fazem uma pausa num pub, que é quando Briana descobre que Gael O’Connor (não Lorcan, embora tenham o mesmo sobrenome e sejam idênticos) é o chefe da empresa na qual provocou um grande estrago, e ele também enfim encontra a culpada por toda a dor de cabeça.

Visto o jeito meticuloso e distante de Gael, ela esperava qualquer reação negativa da parte dele diante daquela descoberta, menos que ele se divertiria. Mas o que a chocou de verdade foi quando ele ofereceu a ela o emprego. Gael alegou estar cansado de contratar robôs e havia simpatizado com a moça. Briana aceita a proposta, afinal de contas, o dia inteiro já tinha sido uma loucura, então não dava pra se surpreender com mais nada. Quem sabe finalmente o azar tivesse dado uma trégua.

Essa é a diferença entre fantasia e realidade: a vida te frustra a todo instante enquanto a fantasia te entorpece com suaves doses de falsas esperanças.

A partir de então, Briana seria a assistente de Gael. Redigiria e-mails, faria telefonemas, marcaria as reuniões do chefe, e o acompanharia em todas as viagens. Até que não foi difícil para Bri se adaptar com a nova rotina. Mas se conformar em ver seu chefe, que possuía os mesmos traços físicos que o homem por quem ela estava apaixonada e que só existia em seus sonhos, isso sim estava se mostrando uma tarefa bem complicada. Principalmente quando Gael demonstrava ser tão sombrio e solitário, diferente de Lorcan.

Aos poucos, Bri se sente tentada a se aproximar do chefe e botar um sorriso no rosto dele. E é exatamente o que consegue, mesmo sem se esforçar. Gael gosta de sua companhia e se sente frustrado por muitas vezes não conseguir mentir para Briana. Com ela, ele fica relaxado e em paz. Lorenzo, o antigo assistente e grande amigo italiano de Gael, fica pasmo toda vez que o encontra dando risada. E tudo graças à Briana.

Mas será que Bri conseguiria lidar com todas as mudanças de humor de Gael por muito mais tempo? Conseguiria guardar a mágoa pela falta de confiança de Gael? Quantos segredos no final das contas ele estaria escondendo dela? E Ciara e Lorcan... Seriam apenas invenções de sua imaginação? Só viajando para a Irlanda junto da escrita deliciosa da Carina Rissi pra encontrar as respostas!

Porque, onde há amor, a esperança continua existindo.

E mais uma vez Carina Rissi nos presenteia com uma leitura ágil, sagaz e divertida. Confesso ter um pouco de preguiça quando os livros dela são lançados por serem sempre extensos, mas a sensação que as obras nos transmitem compensa todo o tempo que passamos lendo. Já li todas a histórias da Carina, e a cada livro novo, percebo que ela melhora cada vez mais na escrita. Com Quando a Noite Cai, ela se superou. Além de criar uma história envolvente, repleta de drama e com não apenas um, mas dois romances, ela foi a fundo em suas pesquisas e construiu um cenário espetacular ao retratar a mitologia irlandesa. Gosto muito de mitologias, mas admito que não conhecia absolutamente nada da irlandesa, então a aula que Carina nos dá é muito bem recebida. No final, ela mostra quais partes da mitologia são reais, e quais a criatividade dela que deu vida.

Falando dos personagens, Briana merece palmas. Uma mulher forte, independente, corajosa e cheia de garra. A única que não se intimidou por Gael e bateu de frente com ele. A única que de fato lutou para compreendê-lo e que, quando as coisas ficaram feias, não se calou. Admiro muito sua ousadia. Mesmo temendo o que ele acharia dela, ela não escondeu seus sentimentos. Pelo contrário, disse tudo e mais um pouco. Briana é exatamente isso, uma personagem completamente admirável.

Quanto aos mistérios de Gael, as resoluções não foram muito surpreendentes pra mim, já tinha matado a charada logo de cara, mas isso não diminui nem um pouco a qualidade da história ou reduz o suspense por trás dos seus segredos. Gael é um homem de olhos vazios que sofre pela perda da esposa e não permite que mais ninguém se aproxime. Quando se pega sorrindo com tamanha naturalidade para Briana, ele se reprende e se culpa, e é doloroso ver como ele está sozinho e sofrendo. Briana surge como uma luz em seu caminho. E apesar de mau humorado, ele não é nenhum badboy escroto. Ele é gentil, educado, e super altruísta. É daqueles personagens que a gente quer pegar no colo ou dar uns tapas pra acordar pra vida.

Lorenzo também foi um personagem do qual gostei muito. Ele possui um jeito italiano característico, sempre dizendo palavras vindas de seu país e chamando Briana de bambina. Ele é um amor, e sua história de vida comove. Estou torcendo para que haja um segundo livro contando melhor sua história. Lorenzo merece um final feliz.

Além dele, Aisla foi uma das minhas personagens favoritas. Sem ela, a história não teria o mesmo brilho. Ela possui uma energia contagiante, e toda vez que ela aparece, o sorriso é garantido. É daquelas personagens carismáticas que vê o lado bom em tudo e nos instiga a pensar da mesma forma.

- E você? Pode conviver com o meu passado? Pode ser o meu presente e o meu futuro?

A história do casal irlandês também é emocionante, principalmente por ser mais pesada. O sofrimento e a luta para ficarem juntos é clara. Na metade pro fim, as histórias dos dois casais se interligam e é de apertar o coração acompanhar o resto da trajetória.

Mas o que eu realmente mais gostei, além da química muito bem planejada entre Briana e Gael, foi a mitologia. Ela está ligada intrinsecamente com a realidade (que se passa metade no Brasil e metade na Irlanda) e dá um gostinho de estar lendo algum livro da Colleen Houck. Carina Rissi fez um excelente trabalho investigando a mitologia e os antepassados e unindo à dois personagens de séculos tão distantes.

Resumindo, Quando a noite cai é uma obra de drama, mistério, romance e muita magia. Um livro que você pega pra passar o tempo e quando vai ver já está devorando as páginas querendo descobrir todos os segredos de Gael e qual a conexão dos dois casais. Uma história leve e divertida que vai aquecer o seu coração.


Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

Nenhum comentário:

Postar um comentário