quinta-feira, 23 de março de 2017

A Chave de Bronze

Título:A Chave de Bronze
Título Original: The Bronze Key
Autoras: Cassandra Clare e Holly Black
Série: Magisterium - #3
Editora: Galera Record – selo Galera Junior
Ano: 2016
Páginas: 272
Tradução: Rita Sussekind
Livro: Skoob
Sinopse:
Call, Tamara e Aaron deveriam estar preocupados com coisas normais na vida de jovens aprendizes de mago. Ao invés disso, depois da assustadora morte de um de seus colegas de classe, eles devem rastrear um terrível assassino... e arriscar suas próprias vidas no processo. O trio terá que usar toda sua força e magia para combater o mal que está escondido no Magisterium. Mas, dessa vez, o Caos irá revidar.

[PODE CONTER SPOILERS]

1. O Desafio de Ferro
2. A Luva de Cobre
3. A Chave de Bronze

Depois dos acontecimentos em A Luva de Cobre, o Magisterium resolve dar uma festa em homenagem à Callum, Aaron e Tamara antes do início das aulas.

As férias foram ótimas para Call. Ele não entendeu exatamente porquê Aaron preferira ficar em sua casa ao invés de na de Tamara, onde todos o mimavam, mas não reclamou. Aaron era seu melhor amigo, seu contra-peso, e durante as férias, o irmão que nunca teve.

Alastair também surpreende Call, que não só o acompanha na festa, como aceita a volta de Call às aulas sem bronca. Os eventos mudaram seu pai, que não parecia mais querer matar Call por ter a alma do Inimigo da Morte dentro dele.

Na festa, Jen, uma das amigas da irmã de Tamara, entrega um bilhete a Call, enviado por Célia, pedindo para que ele a encontre na Sala de Troféus. Ele vai, morrendo de medo de aquilo ser um encontro. Quem dera fosse isso! O lustre despenca propositalmente em cima de Call e, se não fosse por Aaron e Tamara aparecerem na hora para salvá-lo, Call teria partido dessa para outra.

A tentativa de assassinato deixa todos alarmados. Os magos os interrogam, tentando compreender como tudo aconteceu. No entanto, o susto é deixado de lado quando eles encontram o corpo sem vida de Jen.

A partir de então, Aaron e Tamara, e às vezes até mesmo Jasper, combinam de revezar para ficar de olho em Call. Com a ameaça concretizada, eles vigiam Call o tempo inteiro, a fim de protegê-lo. Call fica um pouco incomodado com a falta de liberdade, mas sabe que deve ser grato por ter amigos tão bons.

Durante o decorrer do livro, mais ameaças assombram Call. Ninguém sabe quem matou Jen, muito menos quem é o espião de Call e porquê. Afinal, estavam atrás dele por ser um Makar ou por ser o Inimigo da Morte? A segunda opção lhe parecia improvável, já que apenas quatro pessoas sabiam do segredo. E quanto a ser Makar, porque não estavam atrás de Aaron também, que no caso, era o mais forte dos dois?

Diante do perigo que os Makaris correm, Mestre Rufus se dá conta que eles precisam aprender mais sobre a magia que possuem de manipular o caos. Quando se pensa no caos, logo vem em mente Constantine Madden, guerra e destruição, mas o caos vai muito além disso. E é assim que Call e Aaron aprendem a enxergar e tocar almas.

— É — disse Aaron, parecendo inseguro. — Você disse a mesma coisa de Célia. Pare de agir como se o espião fosse alguém que trata você mal ou que você odeie. Não pode simplesmente acreditar que uma pessoa é realmente sua amiga só porque está agindo como tal!

Esse terceiro volume é razoavelmente curto, semelhante ao segundo, porém mais calmo, sem toda a adrenalina do anterior. Exceto nas cenas das ameaças, é um livro mais parado, de reflexões para os nossos personagens. Vemos também como eles estão crescendo e os dramas que acompanham a idade, como o ciúmes e namoro. Não tem romance, isso eu garanto, mas tem muita amizade e lealdade. Call demonstra ciúmes em relação a Aaron e Tamara, mas a gente ainda não consegue determinar se por gostar dela, ou por ambos serem seus melhores amigos.

Mesmo se for por amor, eu não seria capaz de torcer por algum deles. Apesar da ligação de Makar, Aaron e Call são tão diferentes um do outro. Aaron é órfão (mais ou menos?), educado, sempre gentil e altruísta. Não existe um pingo de maldade nele. Em muitos momentos eu pensei que apesar do mistério que envolve a alma presente no corpo de Call, Aaron é que deveria ser o protagonista. Ele tem um instinto de liderança que eu gostaria muito de ver sendo narrado por ele.

O livro é em terceira pessoa, mas é claro o foco em Call e seus pensamentos. Os outros personagens não são tão claros assim, e é disso que o terceiro volume se sustenta, na dúvida das reais intenções das pessoas, em confiar ou não nas pessoas próximas a você.



Uma marca da série que eu gosto bastante são os desenhos no início de cada capítulo. Te dão uma pista do que você vai encontrar nas páginas seguintes, e pro que você deve se preparar. E falando em se preparar, eu fiquei completamente abalada com o final. Fiquei lendo, lendo, e pensando não é possível. Apesar de os ataques à Callum deixarem o leitor aflito, as revelações e grandes acontecimentos estão no final.

Dois personagens que eu gostava muito me decepcionaram. Tomaram atitudes completamente atípicas deles. Não aprovei a mudança, muito menos a identidade do espião. Quando nos aproximamos do fim, matamos a charada facilmente, o que pros Sherlock Holmes da vida deve ter sido algo previsível até. O problema é que a sua justificativa para matar Call não convence. Foi algo totalmente inesperado, ao menos ao meu ver.

Mas assim são os livros, não é? Os livros e as pessoas. Não dá pra confiar em ninguém. E eu sou alguém sentimental, então vou precisar de um tempo pra me recuperar daquele final. Felizes, Cassandra e Holly? Eu não!

Embora o ritmo seja mais calmo, A Chave de Bronze segue rica em suspense, fantasia e mistério. De escrita envolvente, que nos transporta às cavernas do Magisterium, é um livro para ser devorado. O caos quer devorar.

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, biomédica. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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