domingo, 8 de janeiro de 2017

Mil Pedaços de Você


Título Original: A Thousand Pieces of You
Autora: Claudia Gray
Série: Firebird #1
Editora: Agir Now
Ano: 2015
Páginas: 288
Livro: Skoob
Sinopse:
Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas.
Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir.
Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois?
Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?



Cada dimensão representa um conjunto de possibilidades. Basicamente, tudo o que pode acontecer, de fato acontece.

Marguerite é uma jovem de dons e alma artísticos em uma família de cientistas. Seus pais, dois físicos renomados, fazem sucesso por terem provado a existência do multiverso, palavra muito conhecida para os fãs de Flash e alguns seriados mais nerds. A casa de Marguerite sempre esteve cheia de experimentos e conversas científicas que ela nunca entendeu, além de Theo e Paul, dois cientistas assistentes de seus pais que são quase como filhos para eles.

No entanto, o pai de Marguerite é assassinado e, em seguida, Paul some com o Firebird entre as dimensões. O Firebird é um dispositivo inventado por seus pais que era capaz de transportar pessoas por entre as dimensões, ou melhor, sua alma, sua consciência.

O universo é, na verdade, um multiverso. Há incontáveis dimensões quânticas da realidade, que se encaixam umas dentro das outras. Vamos chamá-las apenas de dimensões, para abreviar.

Basicamente, na teoria do multiverso, existem Terras diferentes onde você também existe, mas com uma vida diferente. Uma onde a Alemanha ganhou a Guerra. Outra onde o McDonald's nunca foi inventado. Ou simplesmente uma onde sua cor favorita é aquela que você menos gosta. De diferenças sutis à diferenças drásticas.

Theo, então, surge com a ideia de viajar pelo multiverso atrás de Paul. É claro que Marguerite quer ir atrás, afinal, ela confiava em Paul. Seus pais confiaram nele. Ela precisava saber porque ele fez aquilo. E se não foi ele, então porque fugir justo com o Firebird?

Parece que, quando as pessoas viajam de uma dimensão a outra, suas formas físicas "Não são mais observáveis", o que tem algum coisa a ver com mecânica quântica, e para explicar isso seria necessário contar uma longa história sobre um gato numa caixa que pode ao mesmo tempo estar vivo e morto até que alguém abra essa caixa... É bem complicado. Nunca pergunte a um físico sobre esse gato.

Imagine, agora, viajar entre mundos diferentes, com sua própria consciência, mas sem conseguir de fato acessar as memórias daquele corpo, ou seja, sem saber onde diabos você está e para onde ir. É isso que Marguerite faz, sempre tentando encontrar com Theo para que possam andar juntos, e sempre tentando alcançar Paul.

Meu ódio é mais forte que as dimensões, mais forte que a memória, mais forte que o tempo. Meu ódio é agora a parte mais verdadeira do que eu sou.

O problema de Mil Pedaços de Você, pra mim, é que o livro faz com você o mesmo que o Firebird: te joga no meio de um universo diferente, com o circo pegando fogo. E os flashbacks, as memórias, as explicações só vêm aos poucos, em doses lentas. Eu demorei muito pra pegar o ritmo da história e entender o que estava acontecendo ali.

Isso foi um problema, porque a morte do pai e essa sede por vingança deles de ir até o infinito atrás de Paul acabou ficando bem superficial. Marguerite, também, possui sentimentos por Paul, que nos são expostos ao longo do livro, demonstrando toda a confusão de sentimentos que ela sente por ele. Será que ela acredita mesmo que ele faria isso com seu pai?

Ainda não sei se sou o tipo pessoa que é capaz de matar um homem a sangue frio. Mas vou descobrir.

Theo é um personagem que eu não consigo fixar uma imagem dele. As relações entre eles acabam ficando superficiais e só se tornam meramente concretas ao final do livro, que obviamente acaba com a deixa para o segundo. Marguerite é uma personagem um tanto superficial, também. Não no sentido de ser metida ou algo do tipo, mas por termos sido jogas no meio da história, não consegui captar a dor que ela sentia pela perda do pai, mas sim uma negação. Sim, eu sei que ela começou a pular de universo em universo procurando pelo assassino do pai, mas não foi aquela coisa... Tocante, sabe?

Já Paul sempre foi mais reservado, e permanece um personagem reservado por um bom tempo. E, ainda sim, foi dele que eu mais gostei. E de Henry, claro, o pai de Marguerite que, sim, aparece em outros universos - afinal, ele morreu naquele só.

A cada possibilidade, a cada vez que o destino decide algo jogando uma moeda, o universo divide as dimensões de novo, e de novo, criando cada vez mais camadas de realidade. E assim sucessivamente, ad infinitum.

No entanto, conforme o livro se desenvolve, Claudia acerta em cheio ao desenvolver os universos. Principalmente o favoritinho de todo mundo: A Dinastia Romanov.

Quando Marguerite pula de universo mais uma vez, ela acaba indo parar na Rússia, em um mundo onde a Dinastia Romanov perpetuou e se mantém. E ela é filha do czar. Caindo de paraquedas em um mundo tão diferente, Marguerite acaba ficando sem o seu Firebird, sem contato com Theo e presa nesse mundo por algum tempo. Ela precisa aprender a ser da realeza. Uma princesa.

É interessante ver uma menina do século XXI caindo de cara em um mundo com conceitos do século XIX. Senti um tanto de Perdida, da Carina Rissi aqui, o que só me fez gostar mais ainda do núcleo. Além, de claro, Paul Markov, uma das versões do Paul de seu mundo, sim. Esse núcleo apaixonante me fez pensar que, talvez, Claudia devesse largar um pouco a ficção científica e se aventurar nos romances de época.

Depois disso, posso apenas esperar pela morte. Morte não é bem a palavra. Meu corpo vai continuar respirando. O coração vai continuar batendo. Mas não vou ser a mesma Marguerite Caine.

No fim das contas, foi a partir do núcleo Romanov que eu consegui de fato me sentir presa ao livro e com vontade de ler mais. Não é um livro ruim. A ideia dele é ótima, o livro tem muito potencial, mas Claudia parece ter errado um pouco na maneira de desenvolver e prender o leitor. Eu tenho vontade sim de ler a continuação, afinal, eu gostei do que ela trouxe ao leitor mais pro final, e tenho fé de que no segundo livro ela mantenha essa linha, agora que algumas coisas estão explicadas.

A reviravolta é boa, mas nada tão Oh, Super Emocionante. Ainda assim, eu gostei bastante de alguns quotes, então vou deixar mais um com vocês e também deixar a critério de vocês ler ou não. Não é um livro que eu me arrependa, mas não é um livro que eu tenha amado. Foi ok com um toque de "poderia ser melhor".

Agora sei que luto é uma pedra de amolar que afia todo amor, todas as suas memórias mais felizes, e os transforma em lâminas que nos cortam de dentro para fora. Alguma coisa em mim foi rasgada, algo que nunca mais vai cicatrizar, nunca, não importa até quando eu viva.

Nota: 3.5 (com charmander de 4)




Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), dois patinhos na lagoa, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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