segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Conselho apresenta: Sete Minutos Depois da Meia-Noite


O Conselho, formado por Superman, Pâm, Priih, Leeh e Carol, foi criado com a finalidade de apresentar e discutir as obras que serão adaptadas para o mundo dos filmes em 2017. Alguns de nós irá resenhar o livro, enquanto outros irão assistir o filme e, se possível, compará-los e avaliar o quão fiel foi. A nossa primeira obra escolhida para o projeto foi Sete minutos depois da meia-noite. Venha descobrir um pouco mais da história do Conor do livro!

Título: Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Título Original: A Monster Calls
Autor: Patrick Ness
Editora: Novo Conceito
Ano: 2016
Páginas: 160
Tradução: Paulo Polzonoff Junior
Livro: Skoob
Sinopse:
Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida.
A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido.
O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade.
Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.

Conor O’Malley é um garoto de 13 anos que vê seu mundo sendo destruído. Sua mãe tem câncer e nenhum tratamento surte efeito, embora ela prossiga perseverante, acreditando e fazendo Conor acreditar que o próximo tratamento dará certo.

Com a gravidade do caso da mãe, sua avó passa a visitá-los com maior frequência. Só que Conor e sua avó são muito diferentes, e a relação deles piora quando ela insiste em ter “conversinhas” com ele a respeito de, em breve, ter de morar com ela.

O pai de Conor tem uma nova família e mora nos Estados Unidos. Sempre que ele vem visitá-lo, alguma urgência com a nova bebê o faz voltar correndo pra casa. Devido ao estado da mãe de Conor, ele vem dar apoio ao filho, mas a verdade é que tudo nele incomoda Conor. Seu sotaque, suas gírias, seu modo de tratá-lo. Como se fosse um estranho. Como se ele não pertencesse à família do pai. Como se nunca fosse existir um espaço para ele.

- Nem sempre há um mocinho. Nem sempre há um bandido. A maioria das pessoas fica no meio-termo.

Na escola, Conor é invisível. Lily costumava ser sua melhor amiga, até que espalhou para todos sobre a doença da mãe dele. Depois disso, todos passaram a encará-lo à distância com pena. E agora, ninguém notava mais sua presença, exceto Harry, que vive dando surras nele.

Essa é a realidade em que o nosso protagonista vive. E, para piorar, todas as noites ele tem o mesmo pesadelo. Até que o monstro aparece.

- É só um sonho - repetiu ele.
- Mas o que é um sonho, Conor O'Malley? - perguntou o monstro, abaixando-se para que seu rosto ficasse próximo ao do menino. - Quem pode dizer que a vida real é que não é um sonho?

Ao lado da casa de Conor existe um teixo, que é uma árvore com poder medicinal. Às 00h7, ele cria vida e conversa com Conor. Á principio, Conor se assusta, mas então percebe que o monstro dos seus sonhos é muito pior do que o monstro à sua frente. O monstro em questão diz que irá contar três histórias a ele, e por fim, Conor contará a quarta, que é a verdade que ele esconde.

- Eis aqui o que vai acontecer, Conor O'Malley - continuou o monstro. - Eu virei a seu encontro novamente nas próximas noites.
Conor sentiu seu estômago se revirar, como se estivesse se preparando para um soco.
- E lhe contarei três histórias. Três narrativas das vezes que já caminhei.
(...) - Histórias são o que há de mais selvagem - disse o monstro com estrondo. - Histórias perseguem, mordem e caçam.

Conor não compreende o propósito do monstro. Pra que ele vem e enche sua cabeça com histórias tristes, ao invés de ajudar a curar a sua mãe? Porque ele vem sempre no mesmo horário?

- Você me contará a quarta história. Você vai me contar a verdade.
- E se eu não contar? - perguntou Conor.
O monstro abriu um sorriso malvado novamente. - Então eu o comerei vivo.

No final do ano passado, o LP do blog Quatro Selos convidou a Priih do Infinitas Vidas, a Pâm do Interupted Dreamer e nós da Caverna para montarmos um projeto. Foi assim que surgiu a ideia de resenhar livros que serão adaptados para filme esse ano, e foi assim que surgiu a minha curiosidade com Sete minutos depois da meia-noite. Esse é o nosso primeiro livro escolhido, e eu fico extremamente grata ao LP pela ideia, porque de outra forma, eu não teria me aventurado pelas páginas da obra.

Sete minutos depois da meia-noite é um livro emocionante e sensível. Conor é um garoto forte e inteligente que sabe o que está para acontecer, mas se nega a acreditar. Ele acompanha a mãe por tratamento atrás do outro, os efeitos que eles causam, a fraqueza e palidez que a mãe vai ganhando ao longo do tempo, e ainda assim luta contra a verdade à sua frente, cria esperanças, se recusando a aceitar que sua mãe, a pessoa que é o mundo para ele, eventualmente irá deixá-lo. É engraçado ver como nosso psicológico é frágil. Conor é um garoto bom, sabe se virar completamente sozinho, fazer sua comida, se arrumar pra escola, arrumar a casa, mas seu psicológico está tão abalado que ele teima durante grande parte do livro sobre o destino da mãe.

- Você não escreve sua vida com palavras, você escreve com ações. Não importa o que você pensa. Só importa o que você faz.

O livro também fala sobre bullying, mas o foco está no sofrimento e na revolta de Conor. O monstro acaba por ser uma figura amiga para ele, que o escuta, e também o faz refletir com suas histórias. É tocante observar o processo de negação de Conor, e principalmente as cenas dele junto à mãe. Em poucas páginas, Patrick consegue transmitir um mar de emoções ao leitor. Fazia tempo que eu não chorava com um livro, e a batalha interna de Conor conseguiu provocar isso.

— As coisas naturais deste mundo são maravilhosas, não são? — continuou a mãe. — Nós nos esforçamos tanto para nos livrarmos delas e às vezes elas são aquilo que nos salva.

A ideia da obra, na verdade, foi dada por Siobhan Dowd, que faleceu devido ao câncer de mama. Esse seria seu quinto livro. Ela tinha os personagens, a premissa e o começo, e tudo o que Patrick fez foi capturar a mensagem que Siobhan pretendia transmitir, reunir com suas próprias idéias que foram surgindo, e colocar em palavras.

- A crença é metade da cura. Crença na cura, crença no futuro que nos aguarda.

Sete minutos depois da meia-noite é uma história linda e delicada que merece toda a sua atenção. O tipo de história que mexe com a gente e muda a forma de enxergarmos as coisas. O tipo de história que te faz respirar fundo ao terminar, e correr pra abraçar quem ama. O filme estreou dia 5 de janeiro, e se só o trailer ficou de arrepiar, imagino que tenham feito um bom trabalho com a adaptação. Preciso ver!



Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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