domingo, 18 de dezembro de 2016

Doadores de sono

Título: Doadores de Sono
Título Original: Sleep Donation
Autora: Karen Russell
Editora: Record
Ano: 2016
Páginas: 168
Tradução: Cláudia Costa Guimarães
Livro: Skoob
Sinopse:
Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio
Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

Uma epidemia assombra os Estados Unidos. Primeiro, milhares de pessoas começaram a dormir somente de 3 a 4 horas por dia. Depois, se pregavam os olhos por uma hora era muito. E então, a insônia os dominava por completo, os levando a uma morte iminente.

Devido ao alto número de pessoas sofrendo da condição, os irmãos Storch criaram uma organização sem fins lucrativos chamada Corpo do Sono, que visa transfundir o sono de pessoas saudáveis aos insones.

Por anos, Trish Edgewater trabalhou na equipe, usando a história trágica de sua irmã Dori para recrutar voluntários. Dori faleceu jovem pela falta de sono que acabou por destruir seu corpo. O sono é vital para o funcionamento e manutenção dos órgãos e do corpo, e sua falta por longo tempo é fatal. Ninguém sabia o motivo da epidemia e ainda não haviam chegado a uma cura. Enquanto isso, Trish convencia as pessoas com a triste história de sua irmã a doar seus sonos por um bem maior, já que a porcentagens de insones crescia, e já era comprovado que em determinados casos, apenas uma hora de noite bem dormida era o suficiente para que essas pessoas não falecessem. Em outros casos, doses de sono proviam a habilidade do insone voltar a dormir naturalmente, e sua vida voltava ao normal, sem a necessidade de mais doações.

A lista de insones precisando de transfusões de sono era grande, até que a milagrosa Bebê A apareceu. A bebê tinha 6 meses e, após certa relutância dos pais, passou pelo processo de transfusão. Ao centrifugarem sua amostra, os pesquisadores descobriram que seus sonhos eram perfeitamente puros, livres de qualquer maldade e pesadelos, além de ser uma doadora universal, compatível com todos. Essa foi a maior notícia dentro de muitos anos, e trouxe esperança a milhares de insones. Por outro lado, até quando a bebê A teria que ser submetida a tais procedimentos de transfusão? Quando enfim encontrariam outra solução? Quais seriam as conseqüências para esse bebê?

A situação só piorou com a explosão do doador Q, um doador que afirmou não ter nenhum dos pesadelos citados na ficha de triagem, e por fim contaminou mais de 100 insones. Insones esses que, agora transfundidos com os sonhos do doador Q, lutavam para ficar acordados. Qualquer coisa era melhor do que os pesadelos do doador. E o que teria acontecido, afinal? Como não detectaram os príons de pesadelos antes de realizarem a transfusão? Seria o doador Q uma pessoa honesta, ou vingativa, que desejava disseminar seus pesadelos para não sofrer sozinho?

As pessoas começaram a temer o Corpo do Sono. Se recusavam a doar, com receio de serem infectados. Se recusavam a receber, preferindo a realidade dolorosa aos pesadelos sem fim. E o Corpo do Sono precisava tanto dos doadores quanto dos receptores.

Ao meio de toda a confusão, Trish descobre coisas que a faz duvidar das intenções da organização e seu trabalho. Ela se dedicou por anos àquilo, alimentando a existência da irmã toda vez que discursava sobre ela, mas será que estava fazendo o certo em expô-la assim? Dori não voltaria mais, afinal. Seria mesmo aquela a melhor abordagem? E a bebê A, qual seria o futuro daquela criança, se a lista de insones só crescia? Ela teria um futuro?


Doadores de sono é um livro que me despertou muito a atenção com a sinopse. Quando Stephen King elogia a mistura de ficção científica com fantasia, não tem erro, né. É uma obra inteligente e original, daquelas que eu não lia há um bom tempo. O grupo da Trish usava vans para buscar o doador e realizar a transfusão, e por isso a capa. Existe toda uma política e normas a serem respeitadas com a doação. O doador tem que preencher um formulário e então é classificado se pode ou não doar. E ainda assim, o sono não é compatível com todos, exatamente como uma transfusão de sangue.

A insônia é uma doença que afeta um grande número de pessoas e, por conta disso, é possível se sentir próximo da realidade do livro. Além disso, a obra explica detalhadamente como funciona o Corpo do Sono e mostra ambos os lados da história, dos insones desesperados por uma doação que provavelmente não virá, e os doadores amedrontados de um dia virem a desenvolver o mesmo problema.

Gostei bastante da proposta, mas tive duas ressalvas. A primeira é que a Trish é uma boa personagem, mas meio distante. Ela narra todo o histórico da epidemia e o que ocorre ao redor dela, mas os momentos em que expõe seus sentimentos são poucos. Os personagens secundários também não foram aprofundados e senti falta disso. Os únicos que realmente tiveram atitudes humanas e comoventes foram os pais da bebê A, principalmente o pai, aflito com a saúde da bebê e cheio de dúvidas. Embora os personagens sejam superficiais, a epidemia é mostrada de forma clara e direta, sem interrupções, inclusive deixando o livro com uma quantidade pequena de páginas.

Em segundo, eu odiei o final. Uma boa definição para esse livro seria: nadei para morrer na praia. Depois do caminho percorrido, nós esperamos por revelações, por algo significante, e eu acabei com a sensação de “e aí?” Cadê o resto? Se fosse uma série, eu estaria tranquila, sabendo que ainda tem muito para ser concluído, mas não! É um volume único, e parece que a autora só quis apresentar o desafio vivido nos Estados Unidos e fim. Como se fosse uma reportagem passando no jornal da TV. Não tiro o mérito da história, mas o final (que nem é um final) foi péssimo.

Nota: 4


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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