quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Dangerous Curves Ahead


Título Original: Dangerous Curves Ahead
Autora: Sugar Jamison
Série: Perfect Fit #1
Editora: St. Martin's Paperbacks
Ano: 2013
Páginas: 368
Livro: Skoob
Sinopse:
Ellis Garrett is dumping her critical boyfriend, opening a plus-size clothing store, and starting a blog—all to spread the word that fashion shouldn’t require a size-two body, and happiness should allow for the occasional cupcake. Or two. But is indulging fantasies about her sister’s long-ago ex, the still-hunky
Michael Edwards, biting off more than she can chew?
Mike must be losing his detective’s touch. He doesn’t recognize Ellis when he bumps into her at Size Me Up, and he certainly doesn’t remember his ex-girlfriend’s outspoken sister being so irresistible. Her curves are indeed dangerous—and so is her wit. Could it be that Ellis is his Perfect Fit? One thing’s for sure: Mike will make it his sworn duty to find out…


Ellis terminou com seu namorado há seis meses, se demitiu do trabalho com advocacia e abriu sua própria loja, Size Me Up, e está tentando colocar as coisas nos eixos, se aceitar e descobrir o que ela realmente quer de sua vida. Porém, Ellis não é como a maioria das personagens que vemos por aí: magras, corpo normal, aceitável pela sociedade venenosa. Não, o corpo dela é curvy e eu tô tentando até agora achar uma palavra boa pro português que não seja com curvas. Ellis fala o que pensa, se impõe e é uma ídola para todas nós!

Mike Edwards é o crush de Ellis de quando ela estava na faculdade, com um porém: ele namorou sua irmã. E, quando se reencontram, ele não a reconhece (!). Ellis pode ter mudado um pouco (corte de cabelo, maneira de se impor), mas Mike continua o mesmo, e Ellis pode sentir o ar de cara-galinha ao redor dele.

Após se reencontrarem, Mike sabe que a conhece de algum lugar, mas não se lembra de onde. Ellis fica muito brava, principalmente porque ela tinha um crush (ainda tem?) nele, e resolve jogar com ele. Mike começa a ir atrás dela, querendo conhecê-la e tentar lembrar de onde eles já se viram, enquanto Ellis joga frases sarcásticas e o insulta levemente, provocando. Todos aqui sabemos onde vamos parar, não é?

Eu li o livro em inglês, porque comecei a ajudar na tradução, e eu me apaixonei na escrita da Sugar. O livro é leve, mas ainda assim abordando temas muito importantes e atuais do feminismo. Digo isso porque...:

A loja de Ellis, Size Me Up, não é apenas para mulheres acima do peso, mas para mulheres que se destacam, que saem do padrão manequim: mulheres altas (as roupas ficam curtas), mulheres baixas (ficam grandes), mulheres com o pé maior que o "normal", enfim. Ela quer abraçar essa fatia da sociedade que se sente rejeitada, diferente, pois é assim que ela sempre se sentiu em lojas convencionais: nunca servindo, sempre precisando mandar ajustar... E mesmo que em sua loja algo não sirva de imediato, ela mesma ajusta as roupas e as mulheres se sentem extremamente acolhidas com ela.

Há várias personagens no livro, como o ex babaca de Ellis e a tia dele (que é como uma mãe pra ele), que o tempo todo estão enchendo Ellis de frases odiosas e preconceituosas. A mulher, no caso, é bem explícita com seu preconceito. Já o Jack, o ex, é tipo brasileiro: acha que não é preconceituoso, mas cada ação, cada frase que sai da boca dele diz o contrário.

"Don't you see that by selling them clothes, you are contributing to their obesity? If they don't fit into normal sizes, they'll have to get their behinds in the gym and out of the drive-thru."

Ellis tenta ser bem resolvida com seu corpo, e ela é, até certo ponto. Sua autoestima ainda é um tanto baixa, por conta de tudo que sempre ouviu sua vida toda. Principalmente durante o relacionamento venenoso com Jack. O tipo de cara que fala "ninguém mais vai te querer, só eu", ou como ele tem que se esforçar pra fazer sexo com uma mulher como ela. Nojento.

Mas o Mikey... Ah, Mike! Que homem, minha gente. Um policial ex-galinha que simplesmente não vê Ellis como uma mulher gorda. Digo isso porque o livro é em terceira pessoa, com o foco variando entre os dois. Ele a vê como uma mulher cheia de curvas, maravilhosa, gostosa e, na mente dele, todos a veem assim também. E é quando eles começam a sair que ele começa a presenciar o preconceito vivido diariamente por Ellis. E aí ele tenta ajudá-la a lutar contra isso, tenta ajudar a melhorar a autoestima dela.

"Why don't you just eat what you want, Ellis?"
"Because Mikey, us fat girls can't eat what we want when we want it. It's so much easier for you men. You can eat whatever you want and the most half of you get is beer bellies. It's really very sickening. I eat a bag of chips and I can't button my pants. You never have to worry about your ass jiggling or squeezing yourself into a pair of Spanx. Do you know how hard it is to put on a pair of Spanx? Have you ever had to wear a girdle? Or worry about cellulite on the back of your legs? And back fat! Oh, don't get me started on back fat. Nobody ever tells you that you need to lose weight. People don't come up to you in coffee shops and offer to put you on a diet. You don't cringe evert time you have to put on a bathing suit." Ellis took a breath.

E é mais ou menos nesse ponto que temos um problema. Ellis não quer que um homem ajude ela a ter a autoestima levantada, ou qualquer coisa do gênero. Ela quer se levantar sozinha, por si própria. Ela não quer ser dependente. Ela é extremamente forte, sério. Cada coisa que ela passa, por mais que ela caia, ela sempre levanta. Um exemplo de personagem.

Além do casal principal, temos o amigo de Mikey, o irlandês Colin. As duas amigas de Ellis, que trabalham na loja com ela e, claro, a família de Ellis, que é simplesmente maluca: seus pais são professores cientistas de universidade. Sua mãe foi uma hippie, ainda é totalmente liberal e muito engraçada e direta, enquanto seu pai tem a síndrome de Asperger, o que faz o relacionamento dos dois ser muito peculiar e fofo. Já a relação de Ellis com a irmã, é complicada: ela é mais velha e age como uma adolescente (e elas tem mais de 30 anos rs).

A autora, então, nesse meio-tempo, nos presenteia não somente com uma comédia-romântica sobre autoestima, mas também discorre sobre temas importantes, preconceito, relacionamentos de maneira geral e os dois lados dos seres humanos. E os personagens dela são muito humanos! Mike tem algumas dificuldades no trabalho como policial, Ellis está na corda bamba com a loja por questões financeiras e o relacionamento com sua irmã é sempre uma bomba-relógio. Aliás, podemos ver até o preconceito dentro da família (mais especificamente da irmã com o pai com síndrome de Asperger).

Prison didn't rehabilitate kids. Throwing fifteen-year-olds in with the adult monsters wouldn't cure them. It would only turn them into monsters. Or it would kill them.

Ou seja... Assim como na vida, nada é preto no branco. E uma coisa que eu gostei muito desse livro, é a lição de perdão e de força da Ellis, afinal, para amarmos o próximo, precisamos primeiramente nos amar, assim não nos perdemos. Eu sinceramente gostaria muito que o livro começasse antes, quando ela ainda tava com o Jack, pra poder ver quando foi que ela se tocou que estava em um relacionamento tóxico e que precisava sair dele. Apesar de ela falar muito sobre, ainda assim, é diferente.

Once you really love somebody you can't let go of them so easily. You can't just move on with you life.

O livro ainda não tem em português (nem pra baixar, sorry dragons), mas se alguém se habilitar para ler em inglês, ou quiser esperar pro português... Vale muito a pena! Não sei se já li um livro tão leve e ao mesmo tempo com temas tão bons e atuais assim.

Nota:


Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), dois patinhos na lagoa, Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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