domingo, 23 de outubro de 2016

O Martelo de Thor

Título: O Martelo de Thor
Título Original: The Hammer of Thor
Autor: Rick Riordan
Série: Magnus Chase e os Deuses de Asgard - #2
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Páginas: 400
Livro: Skoob
Sinopse:
Em A Espada do Verão, primeiro livro da série, os leitores são apresentados a Magnus Chase, um herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain. Morador de rua, sua vida muda completamente quando ele é morto por um gigante do fogo. Por sorte, na mitologia nórdica os heróis mortos vão parar em Valhala, o paraíso pós-vida dos guerreiros vikings. Lá, Magnus descobre que é filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina. Desde então, seis semanas se passaram, e nesse meio-tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os soldados de Odin — tudo segue na mais completa paz sanguinolenta do mundo viking. Mas Magnus deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. O martelo de Thor ainda está desaparecido. E os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano

Após recuperar a Espada do Verão, Magnus Chase está de volta mais experiente, amadurecido e consciente da realidade que vive. Ou que não vive, seria o correto?

Magnus morrera lutando bravamente numa ponte e fora levado pela Valquíria Sam para Valhala, por ser filho de um deus nórdico. Lá era a nova casa de Magnus, junto dos seus amigos Mallory, Mestiço e T.J. do corredor 19. Blitz e Hearthstone, os amigos que cuidarem dele enquanto moravam na rua, haviam sumido depois das últimas aventuras e Magnus sentia falta deles, mas agora tinha problemas maiores em mãos, como o novo inquilino do andar, vulgo irmão de Sam. Ou irmã?

Quando você acha que já viu o tio Rick bolando de tudo, ele coloca um personagem transgênero na história. Mas qual é a surpresa, afinal? Sam é muçulmana, Hearth é surdo e Magnus é basicamente o Kurt Cobain. E ainda mistura os deuses nórdicos com o gregos e romanos. Que delícia de milkshake!

Aparentemente, os Estados Unidos estavam infestados de deuses antigos. Era uma verdadeira praga.

Alex Fierro é arredia (utilizaremos pronomes femininos que é como Alex se identifica a maior parte do tempo) e chega botando terror no andar. Ser filha de Loki é um fator que contribui para a falta de confiança nos olhares alheios, por mais que Sam, também filha de Loki, tenha provado seu valor. Com muito sacrifício, Magnus consegue se aproximar de Alex, uma amizade inusitada que rende boas gargalhadas ao leitor, já que em 90% do tempo Alex está surtando e deixando Magnus em dúvida sobre a qual gênero ela pertence naquele dia. E isso é uma coisa MUITO legal de ser exposta dessa maneira: suavemente polêmica, mostrando pro leitor a dualidade da personalidade, afinal, ela é uma metamorfa, mas não escolhe ser feminina ou masculino. Ela apenas é aquele dia e fim.

- Olha, alguns preferem a neutralidade - disse Alex. - São pessoas não binárias ou de espectro neutro, sei lá. Se elas não querem identificação de gênero na fala, é issoo que você deve fazer. Mas, no meu caso, eu não quero usar os mesmos pronomes o tempo todo, porque eu não sou assim. Eu mudo muito. Essa é a questão. Quando sou ela, eu sou ela. Quando eu sou ele, sou ele. Não sou elx. Entendeu? (...) Você não precisa entender. Só, sabe, respeitar.

Em O Martelo de Thor, não temos exatamente uma profecia, mas a missão é basicamente essa: ir em busca do martelo de Thor. Otis, um de seus bodes, contata Sam e Magnus, pedindo ajuda. Os gigantes já estão nas fronteiras de Midgard, apenas esperando o momento certo de fragilidade de Thor, tendo certeza que ele está sem seu martelo para atacar. No entanto, o inimigo-nosso-de-cada-dia tem um plano. E sim, estou me referindo a Loki, que propõe uma oferta sem chance de declínio à Sam: Ela deve se casar com Thrym, o gigante que escondeu o martelo e, em troca, o martelo será devolvido. E antes disso, eles devem encontrar um dote precioso para ser entregue no dia do casamento, conforme rege a tradição.

A resposta de todos, logicamente, é unânime. Sam pretende se casar com Amir, e de forma alguma entraria no jogo do pai. Mas de qualquer jeito, eles precisam encontrar o martelo antes de Loki e evitar o Ragnarök, o que leva os nossos heróis à mais uma jornada.

Não quero soltar spoilers do volume anterior, então vou ser bem sucinta, até porque o foco desse segundo volume é exatamente o que contei. Se você é fã do tio Rick ou ao menos leu um livro dele, deve imaginar como a história vai ser desenrolada, repleta de ação, aventura, desafios e grandes risadas. No caminho, nós acompanhamos Magnus e os amigos enfrentando desde gigantes até pais odiosos de enfiar a cabeça na privada e dar descarga. Conhecemos mais sobre a infância de Hearth, sua família rígida e a culpa que ele carregou por anos nos ombros. O tio de Magnus, Randolph, também exerce um papel importante na trama.

Não esquecendo do Jacques, nossa espada falante! Como eu ri com esse cara (espada?) cantando Selena Gomez. Fico imaginando se um dia o Jacques encontrasse a contracorrente, que que ia rolar. Uma paixão? Uma disputa? Deixa pra lá!

Nesse desenrolar todo de aventuras e corrida contra o tempo (sempre), o tio Rick consegue desenvolver muitas coisas de nossa realidade de maneira a realmente tocar o leitor e fazê-lo se colocar no lugar do personagem, uma verdadeira desconstrução. Vemos tantos personagens obviamente preconceituosos e odiosos (e não só em relação à Alex, transgênero), mas também vemos o preconceito do dia-a-dia. As piadinhas e os apelidos que sempre cutucam, sempre incomodam. O tempo todo ali, a sociedade (humana e não humana) apontando o dedo para o diferente.

Acho que de todos os livros do tio Rick, esse foi o que eu considerei mais humano. Os personagens expressam claramente suas emoções e frustrações, inclusive o amor, a confusão e o egoísmo, tanto os defeitos quanto as qualidades que nos compõe, seja o preconceito e a empatia. Não é porque são semideuses que são imunes às mesmas sensações que os humanos têm, afinal.

Como é que se decidia que alguém era um caso perdido? Quando uma pessoa era tão má ou tóxica ou determinada a fazer as coisas do próprio jeito que tínhamos que simplesmente aceitar o fato de que nunca mudaria? Quanto tempo dava para insistir em salvar alguém, e em que momento desistíamos e sofríamos como se aquela pessoa tivesse morrido pra nós?

Como sempre, os livros do tio Rick vêm carregados de uma quantidade de referências da atualidade que torna a obra muito mais leve. Confesso que os deuses especialmente me irritaram um pouco nesse volume, talvez eu que estivesse sem paciência pras gracinhas deles, mas num geral, só tenho elogios. Um livro que não caiu pra maldição do segundo volume, e promete uma sequência sensacional!

- Espere aí... deixe-me adivinhar. Ele não quer chamar atenção. Ou quer nos dar a chance de sermos heróis. Ou é uma trabalheira danada e ele tem muitas séries para ver.
- Para ser justo - disse Otis -, a nova temporada de Jessica Jones acabou de estrear.

Nota: 5

Sobre nós: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Letícia Proença, dois patinhos na lagoa, Medicina Veterinária em Botucatu. Nos conhecemos nos confins da internet na época sombria, emo-punk da adolescência e do mundo. Até que resolvemos subir de nível e passamos a pseudo-cult e cá estamos nós, 6 anos de Caverna Sombria Literária!

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