sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Novembro, 9

Título: Novembro, 9
Título Original: November 9
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Páginas: 352
Livro: Skoob
Sinopse:
Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

Meu senhor, comofaz pra não chorar com os livros da Colleen? Não sei de onde ela tira tanta tragédia, mas ela consegue se superar a cada lançamento. E eu, a tapada aqui, depois de cinco livros destruidores lidos da autora, ainda duvidei do potencial de Novembro, 9. O começo não me convenceu muito, mas quando dei uma segunda chance... Fui parar no chão. O livro é exatamente isso, minha gente. DES-TRUI-DOR!

"Você é uma leitora?" Ele pergunta.
Eu olho por cima do meu ombro e ele está manuseando os livros em minhas prateleiras. "Eu amo ler. Você deve apressar-se e escrever um livro, porque ele já está na minha pilha PSL."
"Sua pilha PSL?"
"Pilha Para Ser Lido" Eu esclareço.

Fallon é uma garota de dezoito anos que teve sua vida arrasada quando um incêndio provocou queimaduras em 30% de seu corpo. No dia em que isso aconteceu, ela estava na casa de seu pai, Donovan O’Neil, um ator famoso. Ela jamais esqueceria. Em 9 de novembro, tudo mudou. Agora, faziam dois anos do acidente, e Fallon estava almoçando com o pai, que vivia ocupado e não via há muito tempo. E que também não lembrava o que aquele dia significava para a filha. Por todo aquele tempo, Fallon botou a culpa no pai. Ele não estava na casa na hora, e suas atitudes não demonstravam se importar com a gravidade de suas lesões. E ainda vinha anunciar que sua nova esposa estava grávida.

Antes do acidente, Fallon estava seguindo o caminho do pai de atuar. Ela estava protagonizando uma série e seu sonho era fazer faculdade na área. Mas depois daquilo, Fallon se fechou por completo. Não saía com garotos há dois anos, se escondia por baixo de roupas compridas e pesadas, e usava o cabelo para esconder as cicatrizes do rosto. Sua auto-estima foi à zero, e ao invés de incentivá-la, o pai considerava uma péssima ideia Fallon se mudar para Nova York para atuar.

Por mais que Fallon tentasse se esconder, alguém a percebeu naquele restaurante e esteve atento a toda a conversa. De repente, o garoto aparece na cabine onde Fallon almoçava com o pai, se apresentando como namorado dela. Fallon fica surpresa, e também estupefata, quando aquele mero desconhecido passa a defendê-la e apoiar a sua viagem à Nova York, dizendo o quão talentosa ela era. Donovan também se choca, mas os argumentos do garoto levam a uma discussão, e Donovan deixa o lugar.

Eu paro de examinar atentamente as camisas em meu armário e olho para ele. "Não," eu digo com um gemido. "Por favor, não me diga que você é um daqueles leitores pretensiosos que julgam as pessoas pelos livros que eles gostam."

E é aí que Fallon e Ben se conhecem. Ben tem dezoito anos e é um escritor, embora numa fase de bloqueio. Além disso, é divertido, engraçado, gentil, e em apenas um dia, faz Fallon olhar para seu corpo marcado por cicatrizes com outra perspectiva. Ben a acha linda e prova isso por diversas vezes. Em um único dia, Fallon e Ben se aproximam de uma forma inexplicável. Eles se sentem bem na companhia um do outro, leves, confortáveis, e é dolorosa a despedida, já que Fallon vai se mudar para Nova York naquela noite. Por isso, eles fazem um trato. Todo ano, no dia 9 de novembro, eles vão se encontrar no mesmo lugar e passar o dia juntos. Se você está pensando que é parecido com o livro “Um Dia”, o próprio livro te explica a diferença: 9 de novembro é literalmente o único dia. Não há comunicação por e-mail, telefone, redes sociais, absolutamente nada. Ben cria uma lista das coisas que Fallon deveria realizar até o próximo 9 de novembro, e ela cria o mesmo para ele, com o acréscimo de que Ben deveria escrever a história deles.

E no mesmo dia, Ben volta para casa e começa a escrever.

Será que eles vão cumprir a promessa nos anos seguintes? Afinal, a mãe de Fallon dizia que ela não deveria se apaixonar até os vinte e três anos, antes que se auto-descobrisse e se apaixonasse por si mesma, então Ben e Fallon ainda tinham cinco anos pela frente de encontros. Será que eles suportariam a longa espera? Estariam eles destinados a ficarem juntos?

"Você não pode ir embora ainda. Eu não terminei de me apaixonar por você"

A Colleen é maravilhosa, não é? Através de uma simples premissa, quiçá simples, ela constrói uma história sensacional de abalar as estruturas. Vocês não fazem ideia do que esse encontro vai implicar na vida dos nossos protagonistas. A menooor ideia.

O começo não me convenceu porque parecia um amor à primeira vista repentino demais. Sabe quando lemos um livro onde só de bater os olhos os personagens já se apaixonam perdidamente e você fica com aquela cara de blé? Pois então, foi o que aconteceu. Aquela premissa já velha conhecida de a mocinha danificada que de repente aparece o mocinho para salvá-la de todos os pesadelos. Mas ah, meus amigos... É da Colleen que estamos falando. Nada é superficial assim nas histórias dela. E eu relaxei quando Fallon diz que também não gosta de amores à primeira vista nos livros.

Como Ben é escritor e Fallon adora ler, podem contar com várias conversas que nos deixam mais próximo deles. Sempre achei viajado demais esses livros onde o mocinho é bad boy uma hora e em seguida está recitando poemas. Sério, isso é tão incomum que é difícil até de engolir. No entanto, garotos escritores que debatem sobre a construção de uma história são reais, pena que só o Ben é fictício. Eu simplesmente amei as conversas que eles tinham sobre a diferença dos beijos nos livros e na vida real, dos spoilers e de manuscritos. Dá até vontade de participar da conversa. E Ben acha que dá pra se conhecer uma pessoa pelos seus gostos musicais. Esse é dos meus.

Eu caio de volta sobre o travesseiro me sentindo derrotada. "Suspiro."
"Você acabou de dizer suspiro? Alto? Em vez de realmente suspirar?"
"Rolo os olhos."

A obra tem como ponto importante se focar nos dias 9 de novembro de cada ano. Não temos outros meses no desenrolar para encher linguiça, é direto e objetivo. Afinal de contas, depois de um ano separados, nós leitores queremos aproveitar o máximo possível o tempo que eles têm juntinhos, né? E isso é possível também através da narração tanto da Fallon quanto do Ben, com capítulos intercalados.

Bom, vamos falar sobre Ben. Apesar de ser totalmente encantador, ele esconde um segredo obscuro de destroçar o coração. Ele foi um personagem muito bem construído, seu amadurecimento e sua dor. Me lembrou o Miles de O lado feio do amor, com uma linha tênue separando os dois, de acordo com a forma que eles lidaram com suas tragédias. Um criou uma barreira ao redor de si, e outro perdeu a cabeça, agindo no impulso. Aliás, O lado feio do amor é o livro que ganha meu top de livros da Colleen, seguido agora por Novembro, 9.

Colleen tem um dom especial de conduzir o leitor sobre uma montanha russa. Ela nos faz acreditar que finalmente tudo dará certo, para então a bomba estourar novamente. Eu senti uma angústia imensa lendo esse livro. Senti toda a dor, o amor, a tristeza, a alegria, o conforto, o desespero dos personagens. Depois de tantas reviravoltas, depois de meu coração ter se acalmado, eu olhei pro número de páginas e já pensei: Hmm, ta bom demais pra ser verdade. E aí quando a bomba veio, juro que parei, respirei fundo, levei a mão à cabeça e pensei: Não.... por favor, não.

Ela me dá um tapa no peito. "Isso foi um enorme spoiler, Ben! Será que você não aprendeu sobre alertas de spoilers durante sua compulsão de leitura?"

Esse livro me estraçalhou. E principalmente pela força do nosso casal. Eles apanharam muito da vida, circunstâncias que se eu estivesse na situação, dificilmente saberia que decisão eu tomaria. Mas Colleen soube contornar tudo e criar personagens altruístas, arrependidos e profundamente apaixonados. Porque suas obras também não são feitas só de drama, né? Temos muitos momentos felizes, de completa entrega, de suspirar de um monte.

Mas e então, qual o destino de Ben e Fallon? Será que vão ter um final feliz digno de livro? Tendo ou não, só digo uma coisa: LEIAM!

Nota: 5 / 



Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

Nenhum comentário:

Postar um comentário