quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Doce Perdão


Título Original: Sweet Forgiviness
Autora: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus
Ano: 2015
Páginas: 322
Livro: Skoob
Sinopse:
Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las - assim como para pedir perdão.


Olá, dragõezinhos!

Apesar de já termos resenha do outro livro da Lori aqui no blog, A Lista de Brett, eu ainda não li. Eu e a Carol fizemos uma troca, praticamente. Ela leu um, eu li o outro hahahha Então, mesmo sem poder fazer um paralelo entre os livros, vamos lá!

Nunca se desiste de quem se ama.

Hannah é uma jornalista que apresenta seu próprio programa matinal em um canal de televisão em Nova Orleans (Encontro com Fátima?). Com mais de trinta anos de idade, ela namora praticamente escondido o prefeito, Michael Payne, que quer concorrer no Senado. Hannah terminou um noivado há não muito tempo, mas mantém contato com sua ex-sogra, Dorothy, que a personagem a tem como uma mãe.

Tudo corria bem na vida de Hannah, na medida do possível, quando ela recebe uma carta de uma emissora de outro Estado com uma proposta de emprego - e isso seria ótimo, tendo em vista que apesar de ter seu próprio programa, seu produtor não dá ouvidos às suas ideias. Contudo, Hannah tem uma vida ali. E pretende se casar com Michael, um dia. Mas, ei, essa não seria a oportunidade perfeita para fazer uma pressão em seu namorado, para ele ver que pode perdê-la e, então, pedi-la em casamento para que ela não se vá?

A ideia de Hannah parece ótima, e ela manda uma proposta de programa para a emissora: as Pedras do Perdão, que ela recebeu há dois anos de Fiona Knowles, mas ficam escondidas no fundo de sua gaveta. A ideia das pedras é passá-las para alguém que você um dia machucou, como pedido de perdão. Se a pessoa enviar uma de volta a você, significa que você foi perdoado, enquanto você pode enterrar a outra. Elas simbolizam a culpa e a raiva, sendo assim, se você a devolve, está se livrando da raiva que o rancor e a mágoa geram e pesam em nossas vidas.

Até que despede luz sobre aquilo que o envolve em escuridão, você estará sempre perdido.

O único problema é que Hannah nunca perdoou Fiona. E, na ideia do Ciclo do Perdão, você deve mandar uma pedra para alguém que você também magoou. Hannah tenta entregar para Dotty, mas esta a lembra de sua verdadeira mãe: aquela com quem Hannah não fala há mais de 20 anos, desde que fez 16 anos, após sua mãe casar com outro homem, Bob e abandoná-la.

As Pedras criam na vida de Hannah uma avalanche que ela nunca pensou ser possível. Memórias começam a vir a tona, e ela se pega revivendo tudo, tentando lembrar o que de fato aconteceu e o que foi inventado. Até onde vai a verdade, e o que foi que sua mente infantil criou para poder lidar com tudo o que se passava ao seu redor?

Esperança é pros fracos. Você precisa ter fé.

Tudo é posto a prova: as verdades que Hannah sempre levou em sua vida; seu relacionamento perfeito com Michael; seu relacionamento com seu pai, sua mãe e até mesmo seu programa de televisão, ameaçado por uma nova âncora.

Devo dizer que apesar de Hannah ser uma personagem forte, ela DEMORA pra ser forte. Ela é simplesmente cabeça-dura e se deixa levar. Tem momentos que são nitidamente descritos, e tudo pisca na testa da pessoa em vermelho neon "ESTOU ENGANANDO VOCÊ" e o que ela faz? ELA ACREDITA! Tinha hora que eu falava "não, ela não acreditou. A pessoa vai virar de costas e ela vai rir", MAS NÃO. Meu Deus, que vontade de dar uns tapas nela.


O relacionamento de Hannah com sua mãe é uma coisa muito complexa. Ela não fala tudo pra ninguém, e nós vamos aos poucos juntando as peças e entendendo o que de fato aconteceu quando ela era adolescente e porque elas se afastaram tanto. Mas, para isso, Hannah também põe em prova o seu relacionamento com seu pai falecido.

O interessante aqui é se tratar de uma questão muito delicada: o perdão. Nenhum personagem é perfeito, e o livro trata isso de maneira bem clara. As facilidades e dificuldades. O pedir ou não pedir perdão, assim como o aceitar, ou não aceitar.

A minha personagem favorita foi a Dotty, A Fiona me pareceu uma personagem muito frágil, assim como Hannah demorou muito para amadurecer, também. Quando ela finalmente amadureceu, eu já estava ficando um pouco de saco cheio dela. O livro aborda alguns assuntos muito delicados, alguns que não posso citar para não dar spoiler, mas quem leu, sabe. E esse assunto em especial ficou meio em aberto e eu não gostei rs Acho que o tipo de coisa que era, deveria ter um final sólido, apesar de ser verdade que na vida muitas vezes jogamos no fundo do rio algumas verdades, para que aqueles que amamos não se machuquem.

- As pessoas guardam segredos por duas razões - Dorothy começa. - Para se proteger, ou para proteger outros.

Não é a mentira. Nunca é a mentira. É encobrir que nos arruína.

O perdão, aqui, está intrinsicamente ligado com a mentira, pois muitas vezes a dor vem não dá mentira, mas da ocultação. Então acabamos encontrando no livro diversos personagens com segredos, ocultações e perdões para ceder e conceder. E nem sempre é fácil, assim como na vida. Mas como já diz o primeiro quote que eu coloquei na resenha... Não se desiste daquele que se ama.

Acredito que o perdão é ainda mais doce quando o concedido com uma memória viva, quando se tem plena consciência da dor que a outra pessoa causou e, mesmo assim, se escolhe perdoar. Isso não é mais generoso do que tapar os olhos ou fingir que nunca aconteceu?

Nota: 4



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), dois patinhos na lagoa, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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