sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O Efeito Rosie

Título: O Efeito Rosie
Título Original: The Rosie Effect
Autor: Graeme Simsion
Série: O Projeto Rosie - #2
Editora: Record
Ano: 2016
Páginas: 415
Tradução: Ana Carolina Mesquita
Livro: Skoob
Sinopse:
O Projeto Rosie foi concluído, e Don e sua amada estão morando em Nova York. Ele é professor na Universidade de Columbia, e Rosie cursa o primeiro ano do programa de doutorado em medicina. Tudo vai muito bem até o dia em que ela anuncia: “Estamos grávidos.”
Diante do desafio ainda maior do que encontrar uma esposa, Don não vê alternativa a não ser iniciar o Projeto Bebê. Ao tentar definir os protocolos para se tornar pai, usando seu estilo de pesquisa peculiar e suas habilidades sociais – ainda baixíssimas –, Don, é claro, acaba se metendo em várias confusões e mal-entendidos. Agora ele corre o risco de ser processado, deportado, de perder a credibilidade profissional e, o pior, de perder Rosie para sempre.
Prepare-se para rir, chorar e se emocionar novamente com o professor de genética mais carismático de todos os tempos.

Depois de O Projeto Rosie, Don Tillman enfrenta um problema de dimensão maior que a procura de uma esposa. Com o Projeto Esposa sendo bem sucedido, era de se imaginar que no pacote viria o Projeto Bebê, e não por escolha.

Com um certo custo, Don se adapta à nova rotina junto de outra pessoa. Casar com Rosie abriu horizontes, mas não significa que Don mudaria completamente seus métodos de viver, portanto eles estabeleceram algumas regras. Os horários programados das refeições e a quantidade precisa de comida na geladeira foram extinguidos de sua planilha, assim como alguns outros detalhes, mas de resto, Don continuava metódico e aprendia aos poucos a conviver com a desorganização de Rosie.

Um dia, Rosie solta a frase “estamos grávidos”, o que o faz pensar em todas as implicações errôneas que aquela sentença remete, ignorando assim o ponto principal. Quando se dá conta da bomba, Don está correndo para a casa de Dave e Sonia, seus amigos também “grávidos”, surtando. Para quem não gosta de surpresas, a notícia é um baque. Aquilo não estava nos planos. Don precisa de toda uma preparação quando escolhe executar algo, e aquilo definitivamente não tinha sido discutido nenhuma vez em seus 10 meses de casamento.

Havia duas reações possíveis diante daquela sobrecarga: a primeira era fazer uma programação mais esquematizada e alocar o tempo de modo eficiente, levando em consideração a relativa prioridade de cada tarefa e sua contribuição para atingir os objetivos principais. A segunda era abraçar o caos. A escolha certa era óbvia. Estava na hora de iniciar o Projeto Bebê.

Como se não bastasse a gravidez, o casal é despejado do apartamento e, por sorte, Don consegue um apartamento em troca de cuidar das cervejas de George, que logo acaba se tornando um amigo na sua lista de 7 amizades ao todo. E por mais que Don evite elevar os níveis de cortisol de Rosie, ela fica extremamente estressada quando Gene vem morar com eles por convite de Don.

Gene e Claudia, sua esposa, são os melhores amigos de Don há muitos anos. Claudia é psicóloga e Gene e Don trabalhavam juntos como professores numa faculdade na Austrália. Após o casamento, Don e Rosie se mudaram para Nova York, onde Don arranjou emprego de professor geneticista na Universidade de Columbia, e às vezes fazia bico em bares. Rosie, por sua vez, fazia esses bicos junto, enquanto se dedicava à sua tese do doutorado orientada por Gene. Por mais que ele fosse seu orientador, eles nunca se deram muito bem. E agora que Gene havia sido chutado de casa por sua infidelidade, Don não encontrou outra solução além de ajudar o amigo.

Don, apavorado por sua falta de conhecimento acerca de bebês (e também de Bud, como o chamam – Bebê Único em Desenvolvimento), pede conselhos a Gene, que diz a Don que observar as crianças e a forma como elas se comportam seria um bom começo. Então ele vai a um parquinho e tarde demais descobre que se meteu numa fria com a polícia pelo simples fato de estar tão focado nas crianças que não notou na placa que proibia a entrada de pessoas desacompanhadas de crianças. Don é avaliado e encaminhado a um terapeuta que, coincidentemente ou não, é Lydia, uma mulher que o julgou dentro de poucos minutos num jantar entre amigos. E ainda de quebra finalizou o jantar pedindo para que ele fizesse um favor a si mesmo e ao mundo de não ter filhos. Que surpresa Don tê-la desapontado, não é? E agora ela quer uma consulta com Rosie, uma mulher auto-suficiente que jamais aceitaria participar de um aconselhamento médico sobre como ser mãe. O que Don ia fazer? Ele não podia contar à Rosie, era arriscado demais estressá-la desse jeito. Então que alternativa existia?

Bom, como disse Gene, Don ia resolver o caso de seu próprio jeito não-convencional.



Desde O Projeto Rosie, eu disse que não considerava essa uma obra de comédia, por mais que insistissem nisso. Talvez seja engraçado por Don ser espontâneo, seu pensamento é livre de julgamentos e maldade, ele vê as coisas através de uma lógica pura. As cenas podem se tornar cômicas pelas atrapalhadas de Don, mas certamente, pra ele não é. Ele encara tudo o que faz com seriedade e real preocupação. O Efeito Rosie segue o mesmo modelo, com o detalhe que parece que dessa vez o autor deixa mais sugestivo que Don tenha Asperger, o que inclusive Lydia o acusa de ter, e ele mesmo já pensou na hipótese, mas não quer ser rotulado.

Por conta de seu jeito singular, Don passa a impressão de ser uma pessoa extremamente insensível. Esse incômodo alcança o próprio leitor, que chega a se perguntar como alguém tão inteligente não consegue reconhecer o verdadeiro problema? A questão é que Don tem um pensamento lógico, não emocional. Para tudo ele tem uma justificativa técnica na ponta da língua. E muitas vezes Rosie só desejava receber um “vai ficar tudo bem”, não extensas explicações repletas de termos científicos que não mostrariam lado positivo algum da situação.

Rosie se casou com Don sabendo quem ele era e como sua mente funcionava, é lógico, mas a gravidez a deixa em seu limite e ela começa a duvidar se Don realmente está pronto para ser pai. Se ele quer ser pai, afinal. E como ela mesma teve seus traumas de infância a respeito da criação, é um desafio que ela se encontra tendo que vencer sozinha, já que Don está mais preocupado em ler trilhões de livros sobre nutrição da gestante e sobre parto. E é claro que o resto das pessoas parabenizam Rosie por ter um marido tão dedicado, mas é como um professor que sabe da matéria e não consegue transmitir esse conhecimento aos alunos.

- Sim, a minha também tem champanhe – disse ela. – Vou tomar só um pouquinho, mas eu poderia tomar a taça inteira sem causar praticamente nenhum dano ao bebê. Henderson, Gray e Brocklehurst, 2007. – Ela abriu um largo sorriso e ergueu a taça. – Feliz aniversário de casamento, Don. Foi assim que tudo começou, lembra?

Por isso, acho que o mais interessante no livro é a personalidade dos personagens. A paciência de Rosie, por mais que ela fosse uma pessoa difícil de lidar; os amigos de Don, sempre presentes, fazem jus àquele famoso ditado de melhor ter poucos amigos, mas verdadeiros; e o Don, toda a sua complexidade, suas citações de livros que me lembravam que eu devia estar fazendo meu TCC, seus esforços para ser amável e contribuir com a gestação da mulher de sua vida, sua falta de emoção que nos deixa encabulados, as encrencas em que se mete e após muita reviravolta consegue dar um jeito de salvar tudo, o seu jeito.

A Record lançou edição nova para O Projeto Rosie com a capa original para seguirem um padrão com O Efeito Rosie. Eu curti a capa, mas ainda não supera a primeira versão de O Projeto Rosie, era tão linda! E ouvi boatos de que vai sair filme da história do nosso querido Don, oremos para que a adaptação seja boa e fiel!

Agora só falta saber como Don está se saindo como pai, né? Quero terceiro livro sim!

- Somos cientistas – lembrei. – Não deveríamos nos deixar derrotar pelos problemas. Se pensarmos com bastante afinco, iremos encontrar uma solução.

Nota: 5

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 21 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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