quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Eu Sou Jack, O Estripador


Título: Eu Sou Jack, O Estripador - A autobiografia do mais famoso assassino da história
Título Original: The Autobiography of Jack the Ripper
Autora: James Carnac
Editora: Seoman
Ano: 2016
Páginas: 312
Tradução: Jorge Ritter
Livro: Skoob
Sinopse:
Em Whitechapel, em 1888, pelo menos cinco mulheres foram brutalmente assassinadas e mutiladas. O assassino tornou-se conhecido como Jack, o Estripador. Houve muitos suspeitos, porém ninguém foi preso pelos crimes. Este livro apresenta um novo suspeito a partir de um manuscrito redigido nos anos 1920 por James Willoughby Carnac. O texto abrange desde a sua infância até a sua morte, e contém informações que nunca foram divulgadas. Além disso, os acontecimentos da época e a geografia de Whitechapel, em 1888, são descritos com total precisão, tornando James um convincente Jack, o Estripador. Para completar, o motivo oferecido por ele, para ter se tornado um assassino, nos faz crer que seu relato é puramente genuíno. Seria este livro a verdadeira confissão de Jack, o Estripador, ou um extraordinário romance muito bem escrito?


Quem nunca ouviu falar de Jack, o Estripador? Com horror, espanto e, até, um quê de curiosidade: "onde viveu? Onde morou? Morreu? O que fazia? O que comia? Hoje, no Caverna Literária".

Começamos o livro não diretamente com a autobiografia, mas com algumas explicações sobre 3 pessoas que tiveram a oportunidade de ter um primeiro contato com o livro. Alan Hicken, do Mantacute TV, Radio and Toy Museum; Paul Begg, historiador de crimes e, além: Sydney George Hulme Beaman, que teria sido o tutor do testamento de Carnac, nosso Jack.
Antes da breve introdução dos três que possibilitaram que os livros chegassem às mãos do público, temos um mapa da região de Whitechapel, onde ocorreram os assassinatos para que o leitor possa se situar durante as passagens que citam nomes de ruas, etc.

O livro começa, então, com a narração de James Willoughby Carnac, assumindo a autoridade dos crimes e contando sua história de vida. O livro é dividido em III partes: o antes, o momento Jack e o depois.
Contando sua história como criança, apesar dos problemas familiares, é possível identificar em Carnac alguns pensamentos que seriam considerados desvios para uma sociedade de bem, como ele gosta de chamar.

(...) Não era tanto o "esporte" (i.e., a brutalidade empolgante) desses encontros que me interessava, quanto a perspectiva - normalmente satisfeita - de ver o sangue correr. Assim que um dos antagonistas se retirasse do encontro, com o sangue correndo do seu nariz, eu ficaria do lado dele na calçada observando com satisfação as gotas de um vermelho rico pingar na sarjeta."

Na adolescência, esses desejos estranhos e atração pelo macabro de James pioram e aumentam: ele cria um fascínio por facas, o que o faz ingressar na faculdade de medicina, puramente pelo desejo de dissecar carne humana. Apesar do livro possuir poucos diálogos, a sensação que nos é passada, é que ele tinha contato com poucas pessoas e era bastante introvertido. Chegou a quase noivar, mas foi quando as coisas apertaram um pouco: James começou a ter alucinações e desejos malucos por gargantas pulsantes. Mais especificamente, cortá-las.

Não achem que isso é um spoiler, por favor, porque é meio óbvio considerando tudo que ele fez com suas vítimas. Mas o que me chamou a atenção foi a lucidez da mente de James, mesmo quando sentia um desejo incontrolável de cortar gargantas e enquanto tinha suas alucinações. Ele sabia que não era real, ele conversa com o leitor, o tempo todo, falando sobre como a "sociedade de bem" o julgaria e o que você, leitor, uma pessoa sensata, acharia do pensamento dele. Ou seja, não é alguém simplesmente maluco que acha que está certo: ele sabe tudo o que há de errado, mas encontra sua justificativa dentro disso.

Em outras palavras, será que eu poderia assegurar um grau mais alto de segurança para mim mesmo e, incidentalmente, para outros membros razoavelmente úteis da comunidade, cortando a garganta de uma pessoa que poderia muito bem ser dispensada em circunstâncias cuidadosamente arranjadas de discrição?

Aqui eis um ponto que muito me chama a atenção: o porquê de ele assassinar prostitutas. Que, em sua concepção, são uma vergonha para a sociedade e para si mesmas, e só podem contribuir espalhando DSTs.

As pessoas se referem ocasionalmente ao caráter sagrado da vida humana e parecem acreditar nele, mas não vejo razão para considerar a vida humana nem um pouco mais sagrada do que a vida animal. Um homem pode matar um animal inofensível e amigável, como um cão, por que a vida do cão não é "sagrada", mas ele não pode matar um homem que, por sua disposição e hábitos, talvez seja obviamente muio menos ajustado para viver do que o é o cão. A vida do canalha bêbado, libertino e desonesto é "sagrada".

Sendo assim, James assassina sua primeira vítima tentando se livrar um pouco de seu desejo insano de cortar gargantas, para tentar não matar "acidentalmente" um membro verdadeiramente útil da sociedade. Além, a moral dele é tão conturbada ao ponto de quando a polícia prendeu o primeiro suspeito, ele ficou apreensivo porque não queria que um inocente fosse preso em seu lugar.

Os assassinatos, entretanto, não são tão descritos quanto eu achei que seriam. Em partes, talvez, porque o tal Beaman, do testamento, disse ter tirado as partes horrendas. Mas fica aquela dúvida "se ele tirou, por que ainda tudo se encaixa tão bem? Não ficou aquela lacuna?"

O motivo dos assassinatos terem parado me surpreendeu, foi realmente algo que nunca pensei. Achei interessante, mas considerando que não há provas de que James Carnac foi de fato Jack, ou que sequer existiu, tudo deve ser colocado na balança.

Na balança do livro, por fim, de toda a sua história, até a terceira parte, após os assassinatos e já durante sua velhice, fiquei pensando... Existe, também, no final do livro fala dos historiadores para nos ajudar a refletir.

Por fim, não sei. James pode muito bem ter sido Jack, como também pode ter sido que Beaman escreveu o livro a partir das memórias de Jack, o seu conhecido. Por que não? É bem interessante a análise sobre o livro ter sido datilografado em máquinas diferentes, e gostei muito da editora ter usado uma letra que imitasse a datilografia. Mas, no fim, só quem lê pode, sozinho, opinar.

Eu marquei um número de quotes absurdo nesse livro, desde frases absurdas à frases que eu ficava "nossa!" como:

Será que é melhor ter amado e perdido esse amor do que nunca ter amado? Não; discordo desse velho adágio. Preferiria mil vezes jamais ter conhecido meu amor."

Aliás, no meio do livro há fotos de algumas localidades e fotografias mortuárias (tenso!) das assassinadas.

É difícil para mim, associar o livro à algo que aconteceu de verdade, talvez por ter sido há tanto tempo. Porém, Jack ou não Jack, ele aterrorizou Whitechapel durante o ano de 1888 e fez suas vítimas: Martha Tabram, Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes, Mary Jane Kelly.
Independente da vida que levaram à época, tiveram um fim perturbadoramente trágico e, para trás, restaram apenas memórias e a tristeza da família.

Parabéns à Seoman pela edição gráfica. A capa do livro é SENSACIONAL, eu não consigo parar de olhar pra ela! As páginas amareladas e a escolha da fonte foi sensacional. Poucos erros de digitação foram encontrados, mas a leitura com certeza não foi prejudicada.

Posso apenas indicar a leitura para quem gosta de livros policiais/criminais, já avisando que esse livro é muito mais para tentarmos analisar uma mente perturbada e pesar se James existiu, ou não.

"Não há um céu ou um inferno; não há uma cessação de uma longa sequência de existência depois da outra, pré-ordenada e inexoravelmente direcionada. O destino de cada homem foi, realmente, pendurado em torno do seu pescoço, mas na distância obscura de um passado além de nossa compreensão. E à medida que essa verdade (como eu então supunha ser) tornou-se clara para mim, compreendi absolutamente pela primeira vez aquilo que antes suspeitava vagamente. A humanidade estava, realmente nas garras de um Poder, mas não um poder benevolente; e sim diabólico e sem piedade. Os horrores e os sofrimentos da humanidade estavam claros agora; eles não haviam sido gerados por uma Divindade benevolente suscetível a rezas, louvores, doações para santuários e velas, e o cheiro do incenso; mas os Poderes da Escuridão, implacáveis e provavelmente satíricos."

Nota: 4.5



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), não quer mais falar a idade, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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