segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Invisível


Título Original: Invisibility
Autor: David Levithan e Andrea Cremer
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Páginas: 322
Livro: Skoob
Sinopse:
Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth.
Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à opção sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!


E aqui estou eu mais uma vez, depois de tanto gostar de Um Dia e me decepcionar com Naomi e Ely. Bom, com a balança equilibrada assim e eu sem saber o que realmente achava do David, parti para um terceiro livro: Invisível.

Eu não existo. E, mesmo assim, existo.

Stephen sempre foi invisível, desde que era bebê. Sua mãe o criou com muito amor e cuidado até falecer, quando ele tinha 15 anos. Seu pai mora em outra cidade, com outra família; foi embora quando Stephen ainda era um bebê, pois não aguentava a pressão de ter um filho invisível. Assim, após a morte de sua mãe, ele vive em seu apartamento em Nova Iorque, sempre fazendo de tudo para não ser notado - pois, apesar de ser invisível, ele ainda é uma pessoa que come, bebe, esbarra nas coisas (mesmo que com mais dificuldade), etc.

A cidade de Nova York é um lugar no qual é muito fácil ser invisível, desde que você tenha um pai ausente que contribua com sua conta bancária de vez em quando. Tudo: mantimentos, filmes, livros, mobília, pode ser comprado pela internet. O dinheiro nunca passa de uma mão a outra. Pacotes são deixados nas portas.

Stephen pode ser sentido, se fizer muito esforço e se concentrar; pode ser ouvido, pois ainda está lá; porém, nunca visto...

Até que Elizabeth muda para o apartamento de frente ao dele.

Stephen mal pode acreditar quando a garota começa a falar com ele, de modo até grosseiro, por ele não ajudá-la com as compras caídas no chão. Em estado de choque, ele se esforça para ajudar, enquanto seus pensamentos estão a mil: ela o viu! Será que a partir de agora, todos poderão o ver? Mas, infelizmente, só Elizabeth é capaz de vê-lo. A partir daí, os dois criam uma amizade quase que escondida, visto que Stephen só se encontra com ela sozinho, por medo de Elizabeth descobrir seu segredo.

Elizabeth é uma personagem um tanto forte e cabeça dura. Mudou-se para lá depois que seu irmão sofreu intensas rejeições por conta de sua sexualidade na antiga escola, e tudo ao redor deles desmoronou - seus amigos de verdade não eram, no final das contas, amigos de verdade. Ela se torna uma pessoa mais dura e desconfiada, que gostaria simplesmente de passar despercebida pelas ruas. Ser invisível.

O livro é narrado em primeira pessoa, ora por Stephen, ora por Elizabeth. Sendo assim, podemos ter uma noção maior do que se passa em certas situações, conforme entre eles nasce não só uma amizade, mas um amor.

Quero que uma pessoa me veja. No meio daquelas centenas. No meio daquelas milhares. Só quero que uma delas me pergunte as horas. Pergunte o que estou fazendo. Olhe nos meus olhos. Desvie quando parecer que estou bem no caminho.

E é lá pela metade do livro que Stephen, Elizabeth e Laurie, o irmão de Elizabeth, descobrem o que realmente acontece com Stephen para ele ser invisível: uma maldição. Pois no mundo em que vivem há feiticeiros - rastreadores e conjuradores - que lançam maldições boas ou ruins.

E é aqui que para muitas pessoas o livro se perdeu. Mas não pra mim. Não só porque eu tava com expectativas zero com o livro, por causa de Naomi e Ely, mas também porque eu esperava mesmo que houvesse algum toque de magia, afinal de contas, foi o que Um Dia me deixou pensando.

- Então você acha que é isso? - pergunto. - É disso que precisamos para quebrar a maldição?
- Sim - diz meu pai. - Para quebrar a maldição você deve encontrar um homem que não existe.

Os três começam a correr atrás de respostas para tentar tirar a maldição de Stephen, e cada coisa que descobrem os deixa mais perdidos, o mundo de todos está de cabeça para baixo.

Uma coisa é fato: o fator Stephen ser invisível e Elizabeth querendo ser invisível deveria ser melhor explorado. Porém, mesmo assim, eu gostei do desenvolvimento dos dois. Elizabeth é uma personagem um tanto difícil, mas Laurie, seu irmão mais novo, é mais fácil de lidar e acaba facilitando as coisas, já que ela o escuta. Eu gostei mesmo do Laurie.

- Como as maldições funcionam?
- Plantão de notícias - diz ele. - Eu sou gay, não um feiticeiro. Quem é gay e feiticeiro é o Dumbledore e, da última vez que verifiquei, ele ainda era só um personagem de livro.

Ainda assim, mesmo quando a parte realmente fantasiosa entra, as coisas ainda fazem sentido. Mas é perto do final que tudo correu um pouco demais. Pelo ritmo que ia, eles podiam muito bem desenvolver um pouco mais o final. No final das contas, ficaram num meio termo entre não desenvolver tanto a fantasia e não desenvolver tanto o ponto da invisibilidade, e acho que isso que deixou a desejar - pra maioria das pessoas, e até pra mim.

De qualquer maneira, como minhas expectativas eram nulas, foi um livro que eu gostei para passar a tarde e mesmo assim pensar um pouco sobre o fator invisibilidade e ainda me distrair com um toque de fantasia. Mas não esperem um segundo Todo Dia, porque apesar de lembrar, não chega aos pés.

O tempo parece sem sentido; um indicador arbitrário em um mundo cheio de possibilidades e problemas com os quais jamais havia sonhado até hoje.

Acho que isso me mostra que, no fim das contas, preciso ler um livro só do David pra fechar minha opinião sobre Hahaha Dicas?

Nota: 4



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 21 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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