domingo, 13 de dezembro de 2015

[Livro vs Filme] Naomi & Ely e A Lista do Não-Beijo


Título Original: Naomi & Ely's No Kiss List
Autor: David Levithan & Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Páginas: 256
Livro: Skoob
Sinopse:
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


Depois de ler Todo Dia há um bom tempo, eu fiquei bem apaixonada pela escrita do David. Não li nada da Rachel, ainda. Porém, vendo resenhas de outros livros dele, resolvi arriscar com Naomi & Ely, por ser um livro mais recente e porque... Bem... A capa. Sim, julguei o livro pela capa, porque convenhamos: que capa effing maravilhosa!

"Não existe alma gêmea... e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma."

Naomi é uma menina maravilhosa & gostosa, que tem como seu melhor amigo de infância Ely, por quem ela é apaixonada desde sempre. Eles são vizinhos de porta no prédio onde moram, em Nova York. O problema é: Ely é gay, e não ama Naomi do jeito que ela gostaria.
As coisas andam complicadas entre os dois apartamentos, desde que uma das mães de Ely teve um caso com o pai de Naomi e este foi embora, enquanto as mães de Ely tentam reconstruir o relacionamento, e a mãe de Naomi passa os dias na cama, se entupindo de remédios.

Mentiras são mais fáceis de processar. Menti para Ely dizendo que não tenho o menor problema com alguém ser gay. E não tenho mesmo. Exceto no caso de Ely. Ele deveria ser meu, no melhor estilo Felizes para Sempre, marcados pelo destino. Menti para Ely dizendo que entendia, é claro, que o verdadeiro destino dele era o glorioso reinado cor-de-rosa, e que aquilo esteve óbvio o tempo todo.

Tendo os relacionamentos dos pais como exemplos, principalmente, Naomi e Ely têm uma Lista do Não-Beijo, onde eles listam os garotos que não podem beijar para que o relacionamento deles não se abale. Friends first.
Nessa lista se encontram garotos como Gabriel, o porteiro. Porém, alguns nomes óbvios não se encontram na lista como: o cara que um dos dois está namorando. E, ainda assim... Ely beija Bruce, o Segundo, atual namorado de Naomi. E ambos gostam. E ambos queriam isso.
Assim, logo no começo do livro, Ely conta isso para Naomi e ela, como uma boa mentirosa crônica que é, diz que está tudo bem. Mas não está tudo bem: nem tanto por Bruce, mas por Ely. Porque é por Ely que ela é apaixonada, não por Bruce, o Segundo.
A situação leva a uma briga feia entre os dois, onde o prédio inteiro fica dividido e eles tentam, inutilmente, seguir a vida um sem o outro.

"A beleza não é apenas superficial. Só porque alguém é bonito, não quer dizer que não tenha uma alma por dentro. Não quer dizer que não sofreu igual a todos, ou que não tenha esperanças de ser um humano legal num mundo terrível."

O livro é narrado em primeira pessoa, cada capítulo por um personagem diferente: até por personagens secundários, como Bruce, o Primeiro, Gabriel, o porteiro, Robin-mulher, Robin-homem, etc.
Essa variabilidade nos dá uma visão mais ampla de toda a história e o drama adolescente de Ely e Naomi. Não esperem nada complexo: é drama adolescente, mesmo. O livro é bem juvenil, e eu me peguei irritada diversas vezes com os personagens e suas atitudes infantis.
Naomi é uma personagem muito difícil e muito mentirosa, os capítulos narrados por ela são cheios de emoticons - o que é legal e chato, ao mesmo tempo. No final, eu ainda não sabia o que achar dela, juro.

Gostei muito dos personagens secundários. Alguns são bem estereotipados, mas no final do livro eu fiquei com a sensação de qual é o ponto disso tudo? O livro tem uns pontos reflexivos legais, visto que a briga dos dois na verdade os faz refletir para amadurecer. E acho que talvez o ponto principal seja: amadurecimento. Mas nhé. Talvez eu só tenha passado da fase de aguentar um drama tão grande quanto esse.


O engraçado é que eu falei do livro pra uma amiga, nem sabendo que tinha filme, e algumas horas mais tarde ela me manda uma foto do Netflix dela, com a capa do filme e dizendo "ué, não é do livro que você me falou hoje?". Então eu me vi na obrigação de assistir o filme.

Sendo muito sincera: eu achei o filme muito mais legal.

Enquanto no livro a briga de Naomi & Ely acontece logo no começo e o livro fica naquela patinação e encheção de saco o tempo todo, no filme é só mais pra frente, há uma construção maior dos relacionamentos, o que deixa a briga com um sentido muito diferente.
Claro que no filme não temos, infelizmente, o ponto de vista dos Bruces e do Gabriel, mas ainda assim, é mais leve, mais engraçado, menos dramático. Dá até uma vontade de chorar (ops).
É uma boa adaptação e, como toda adaptação, muitas cenas são cortadas - algumas das quais senti falta, mas nada que estragasse o geral. Fora que no filme dá a impressão de que o POV todo é só da Naomi.

É um bom filme sessão da tarde, juvenil, pra dar algumas risadas e ver a evolução dos personagens. Já o livro, também é bem juvenil, mas um pouco mais dramático, ainda assim, bem leve.

É uma grande mentira dizer que só existe uma pessoa com quem se vai ficar pelo resto da vida. Se tiver sorte – e se esforçar bastante -, sempre haverá mais de uma.

Nota do livro: 3
Nota do filme: 4



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 21 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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