sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

[DESAFIO DE GÊNERO: Distopia] Jogador n° 1

Título: Jogador n° 1
Título Original: Ready Player One
Autor: Ernest Cline
Editora: LeYa
Ano: 2012
Páginas: 464
Livro: Skoob
Sinopse:
Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

James Halliday era um homem antissocial e fissurado em jogos, filmes e música. Devido a sua inteligência e vício na adolescência, Halliday junto de seu amigo Morrow criaram uma empresa de produção de jogos. Halliday dedicava 100% do seu tempo montando novos jogos de última geração, e Morrow era responsável mais pela parte administrativa, até que lançaram o jogo que transformaria completamente a vida da população: o OASIS.

OASIS é um jogo como uma realidade alternativa. Usando óculos e luvas especiais, o jogador tem a impressão que está dentro do jogo, conseguindo tocar as coisas e senti-las. As pessoas podem criar avatares com a característica que quiserem, como um The Sims da vida, com a diferença que podem optar por serem seres sobrenaturais como magos, demônios, etc. Se a pessoa ainda for um estudante e tiver notas altas, pode pedir transferência da escola real para a do OASIS. E as aulas são espetaculares. Na de história, por exemplo, o professor pode levar os alunos a uma excursão no Egito, assim como todas as outras aulas são bem realistas. O OASIS é composto por diversos mundos. Alguns tem profissões ali, outros simplesmente mantem o acesso para se comunicar com parentes distantes, enquanto outros vão para áreas onde combatem monstros e existe a chance de morrerem. É um mundo novo e mágico, que permite o jogador viver de um modo único. Um modo bem diferente do que está acontecendo lá fora, na Terra. O livro se passa em anos futuros, meados de 2040, e a Terra está um caos. Pobreza, fome, famílias passando a morar em trailers e dividir com outras famílias para reduzir o custo, toda a desgraça que você possa imaginar, e que infelizmente não está tão longe de nós. O OASIS surgiu para ser uma válvula de escape, para fugir do mundo e se sentir, ao menos uma vez, num lugar feliz.

Até que James Halliday morre. Sem filhos ou parentes para herdar sua riqueza, Halliday promove um concurso.

Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado

Quem conseguir pegar as 3 chaves, decifrar o enigma e atravessar os três portões, ganha a herança de Halliday. É muito dinheiro que está em jogo, mas para Halliday era mais do que isso. 5 anos se passaram até que encontrassem a primeira chave, e quem conseguiu foi Wade Watts, nosso protagonista.

Wade é um garoto de 18 anos que mora no trailer com a tia, não por ela ser caridosa, e sim por pegar os tickets de alimentação que ele ganha por ser órfão. OASIS sempre foi seu lugar de paz, e quando a notícia da herança de Halliday se espalhou, ele ficou obcecado. Não pelo dinheiro, mas pelo Almanaque de Anorak. O Almanaque foi disponibilizado para todos e continha a bibliografia de Halliday, desde sua infância, pontuando todos os filmes, jogos e músicas que já viu/jogou/escutou na vida, destacando também os seus favoritos. Halliday era apaixonado pela época em que viveu sua juventude, os anos de 1980, e ele queria que todos compartilhassem daquele amor. Por 5 anos, a população voltou a escutar aquelas canções antigas e tão conhecidas, assim como a se vestirem iguais aos personagens dos filmes da época. Mas nada disso levava a lugar algum.

Mas Wade, que vira cada filmes mais de 5 vezes, sabia as músicas de cor, e jogara diversas vezes os jogos citados no almanaque com seu único e melhor amigo, Aech, conseguiu encontrar a chave.

As pessoas que estavam atrás do Easter-Egg (o prêmio final) se titularam de Caça-ovo, e logo os fóruns onde eles debatiam se encheu de notícias sobre Parzival, o avatar de Wade, o primeiro a conseguir a chave. Logo a caça pelo ovo voltou à intensidade total, e não demorou muito para 5 nomes surgirem no placar abaixo dele: Art3mis, a menina mais famosa dos blogs pela qual Wade era secretamente apaixonado; Aech, seu melhor amigo; e Daito e Shoto, que eram irmãos.

A disputa entre eles não era o problema. O maior temor era com os Seis, uma organização que queria tomar os poderes do OASIS. O jogo era gratuito, as pessoas gastavam só para comprar itens. Já com os Seis, as coisas mudariam totalmente, e seria tirado da população o único alívio que eles tinham naqueles dias. Os Seis fariam de tudo para pegar aquele ovo, e logo que apareceram no placar, eles provaram o horror que seriam capazes de provocar.

Esse livro é muito bom. Quando o autor cita filmes, músicas, que você também tanto ama, acaba se sentindo em casa. Imagino que quem não tenha noção alguma dos jogos, tenha ficado um pouco perdido, então acredito que seja mais indicado para quem tenha ao menos uma base, pois as citações não interferem em nada, o autor deixa bem explicado o porque de aquilo se encaixar na resolução do enigma. Os personagens são cativantes, e achei legal a aproximação deles mesmo sendo concorrentes.

Se vocês derem uma olhada nas resenhas pelo skoob, vão encontrar algumas críticas sem fundamento como “a escrita do autor é fraca” ou “o livro é muito juvenil”. Quis comentar isso aqui porque fiquei um tiquinho revoltada. A escrita do autor é impecável, bem elaborada, faz parecer que nós estamos dentro do jogo. E o livro retrata a história de um garoto de 18 anos, queriam o que? Além de que é juvenil de uma forma que não foge dos parâmetros da maioria por aí.

Um ponto que me incomodou um pouco foram os detalhes explicando sobre o OASIS, que foram inseridos num capitulo só (a maioria dos detalhes). Se tornou extenso e um pouco cansativo de acompanhar pela quantidade de termos, mas sei que foi algo necessário; ele queria situar o leitor antes de avançar no mundo que criou. Como um manual de instrução, basicamente. Tirando isso, é uma história que leva o leitor a torcer junto e ficar na nostalgia relembrando de jogos como PacMan ao som de Bon Jovi.

— Criei o OASIS porque nunca me senti à vontade no mundo real. Eu não sabia como me relacionar com as pessoas. Senti medo durante toda a minha vida. Até eu saber que estava terminando. Foi quando eu percebi que, por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real. Entendeu?

Nota: 5


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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