quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

[DESAFIO DE GÊNERO: Comédia] O Projeto Rosie

Título: O Projeto Rosie
Título Original: The Rosie Project
Autor: Graeme Simsion
Editora: Galera Record
Tradução: Ana Carolina Mesquita
Ano: 2013
Páginas: 320
Livro: Skoob
Sinopse:
Para se ter a vida de Don Tillman, não é preciso muito esforço. Às terças-feiras come-se lagosta com salada de wasabi (seguindo um roteiro com refeições padronizadas que evitam o desperdício de ingredientes e de tempo no preparo); todos os compromissos são executados de acordo com o cronograma – alguns minutos reservados para a prática do aikido e do caratê antes de dormir; uma hora para limpar o banheiro; três dias da semana reservados para suas idas à feira – e se, apesar dessa programação, algum desagradável contratempo surgir em sua rotina, não há nada que não possa ser solucionado com meia hora de pesquisa científica.
Exceto as mulheres.
Até o momento, a única coisa não esclarecida pelos estudos no campo de atuação de Don, a genética, é o motivo para sua incapacidade de arrumar uma esposa. Uma namorada ao menos? Ou até mesmo uma amiga para somar ao seleto grupo de amigos de Don, formado por Gene, também professor na universidade, e a mulher dele, Claudia, psicóloga e esposa muito compreensiva.
Para solucionar esse problema do modo mais eficaz, Don desenvolve o Projeto Esposa, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a filtrar candidatas inadequadas a seu estilo de vida: fumantes JAMAIS, e mulheres que se atrasam por mais de cinco minutos ou que usam muita maquiagem estão fora dos critérios pouco flexíveis que o levarão à mulher ideal.
O único problema é que um questionário desse tipo exige tempo e dedicação, duas coisas que começaram a diminuir exponencialmente no cotidiano de Don desde que ele conheceu Rosie: fumante, vegetariana e incapaz de chegar na hora marcada. Ou esse era o único problema até Rosie entrar na vida de Don e – despretensiosamente, uma vez que ela nunca se candidatou ao Projeto Esposa – mostrá-lo que a mulher ideal não existe, mas o amor, sim.

Escolhi esse livro para o gênero comédia porque diziam ser divertido, mas tive uma perspectiva diferente.

Don Tillman é quase um quarentão, professor de genética na faculdade de Medicina, e cientista. Seus únicos amigos são Gene e Claudia. Os dois são psicólogos e vivem um casamento aberto. Eles são as únicas pessoas com quem Don se sente livre e não precisa forçar pra conversa progredir.

Don vive sob uma rotina meticulosa. Tem os horários certos para jantar, pra treinar, pra ir dormir, e o tempo exato que cada atividade leva (além de ter programado o que vai comer em tal dia). Ele não gosta de papo furado; gosta de ir direto ao ponto para não desperdiçar o precioso tempo, e assim não atrasar todo o resto de sua rotina já planejada. Dois minutos de atraso já o deixa aflito.

Don também é extremamente inteligente e tem conversas articuladas. Sua forma de falar não é casual, tendo sempre um toque científico pra justificar o que diz. Mas isso o tornava um cara estranho. Ele tinha sérios problemas em “jogar conversa fora”, e sinceramente não ligava muito pro que pensavam dele. E como seus amigos estavam sempre em cima do fato de ele ter 40 anos e nenhuma pretendente, ele resolveu criar o Projeto Esposa. Após uma pesquisa profunda e detalhada, Don montou um questionário para que as mulheres respondessem e, a partir dele, ele encontraria a esposa perfeita que se encaixasse em seus critérios. Ela não podia fumar, nem ingerir muito álcool, ser vegetariana, ou chegar atrasada em encontros. E tinha muitos mais requisitos no questionário, logicamente.

Como disponibilizar on-line não estava funcionando muito, Don começou a ir em encontros marcados através de sites. Ali, ele podia arrumar um modo de fazer as perguntas sem de fato entregar o questionário em papel para responder. Socialmente (o que, nessas, ele acabou treinando bastante) era suficiente para obter tais informações.

Mas o projeto não estava surtindo muito efeito, até Rosie aparecer. Don achava que Gene havia a mandado, e então eles marcaram um encontro que mudaria a vida dos dois, mas não da forma que você está pensando. Don deixa claro após algumas revelações que Rosie não se encaixa no perfil, e ela não se importa muito. Após algumas doses de álcool, ela revela que não sabe quem é o pai biológico, e ela queria descobrir. A mãe morrera quando ela tinha 10 anos, então não podia responder a pergunta. E Don, sem nem mesmo saber o porque, decide ajudá-la nesse mistério. Afinal, ele era um geneticista e poderia coletar amostras de DNA, já que Rosie tinha a certeza de o pai ter se formado junto da mãe. Era fácil, simples, e rapidamente aquele Projeto Rosie estaria finalizado.

Mas não foi o que aconteceu.

Mas a reação de Rosie foi uma versão verbal da minha.
— Uau — disse ela, bem baixinho, olhando para trás, apreendendo a vastidão daquilo tudo.
Então, naquele pequeno momento ínfimo da história do universo, ela segurou minha mão e não largou mais durante todo o trajeto até o metrô.

Nós acompanhamos então a trajetória e a dificuldade que eles passam na busca do verdadeiro pai de Rosie. Mas, acima de tudo, nós acompanhamos o laço que Don e Rosie criam. Por mais desqualificada que Rosie fosse, ela proporciona sensações únicas em Don. Ela escolhe justamente as coisas que ele mais odeia, e de uma forma particular as transforma em algo não só tolerável, como memorável. De repente, Don não se importa tanto com o fato de ela fumar, ou beber tanto quanto ele. Juntos, eles se divertem e se metem em perigo para coletar as amostras. Juntos, eles fazem tudo que Don nunca faria. Não estou dizendo que ele pula de asa-delta ou coisa do tipo, mas ele utiliza a inteligência e memória boa para outras atividades além da genética, descobrindo talento em outras áreas que ele jamais imaginaria.

Além disso, seus hábitos mudam. Por alguns dias, ele deixa a rotina de lado. Eu não achei o fato de Don ter uma rotina algo ruim. Todos nós temos uma; talvez não tão controlada em termos de horário, mas temos algo que nos dá um sentimento familiar, de que está tudo em ordem. Ás vezes é isso que nos dá a força de prosseguir dia após dia. Don podia ser um pouco exagerado, seus amigos mesmo alertavam isso, e no início me deu um pouco de nervoso. Como o cara podia exigir que alguém tivesse todas as características que desejava? As pessoas não são perfeitas. E outro exemplo é o detalhe de ser vegetariano. O cara come de t-u-d-o, todas as partes de um animal que você possa imaginar. Eu não sou vegetariana, mas só como a carne básica, uai. Ninguém é obrigado a ter um gosto tão abrangente, e não é isso que determina a pessoa ser destinada a você.

A parte boa da história é que Don aprende. Passa por poucas e boas, mas Rosie é capaz de situá-lo no mundo, de mostrar tudo o que ele está perdendo. Ela o aceita do jeito que ele é. E não há nada mais importante do que isso. Mas, no final de tudo, ela não é a escolhida, não é? Será que Don consegue encontrar alguém que atenda melhor aos seus requisitos? Será que ele quer encontrar?

Sério, eu amei esse livro. Não achei engraçado, mas algumas passagens são divertidas pela espontaneidade, por Don provocar uma risada sem ter intenção. Rosie também é uma ótima personagem, suas indecisões são compreensíveis, ela é a personificação do ser humano. Com defeitos e qualidades que Don admira sem nem mesmo reparar. Como Don tem pensamentos bem caídos pro lado científico, temos uma boa base da genética, e haviam tantos quotes bons que fiquei entretida e até esqueci de anotá-los hahah posso dizer que é um livro que envolve dois temas cruciais, e que se você leu a resenha, dá pra entender quais são eles.

Nota: 5



Sobre mim: Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

Nenhum comentário:

Postar um comentário