quarta-feira, 25 de novembro de 2015

[DESAFIO DE GÊNERO: Drama] Amy & Matthew

Nome: Amy & Matthew
Título Original: Say what you will
Autora: Cammie McGovern
Editora: Galera Record
Livro: Skoob
Sinopse:
Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa.À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou.E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa.

Amy é uma garota de 17 anos que, apesar de sempre emitir alegria nas suas famosas redações, a realidade na qual convive é bem diferente. Ainda bebê, Amy sofreu uma paralisia cerebral que afetou mais um lado só, portanto seus punhos estão sempre contraídos, tem dificuldade para comer civilizadamente, e precisa de um andador de auxílio e de um aparelho para se comunicar. Mas nada disso parece incomodá-la, então é um susto quando Matthew, um garoto da sua classe, chega apontando tudo o que havia de contraditório em suas redações, que a vida não era daquele modo, e mesmo que de primeira vista Amy tenha ficado chocada, aquelas palavras a fizeram pensar e perceber que ninguém nunca tinha sido tão sincero com ela, nunca havia dito a verdade, por medo de piorar suas condições.

Eis então que surge uma ideia. Amy está cansada de ter adultos como acompanhantes para suas necessidades, portanto junto de sua mãe, elas promovem um processo de seleção afim de empregar 4 alunos de sua escola para ajudá-la, assim ela poderia fazer inclusive novos amigos. E a primeira coisa que Amy faz é mandar um e-mail para Matthew, pedindo para que ele se candidate. Ok, ela basicamente implorou.

E essa acaba por ser a melhor decisão que Amy fez. De princípio as coisas não fluem como Amy imaginava, os auxiliares (Chloe, Sanjay e Sarah) tem o próprio grupinho, por vezes até mesmo esquecendo da presença dela, mas tudo é diferente na vez de Matthew. Ele tem algumas manias, mas é calmo, puxa conversa com ela, e cada vez mais eles vão se aproximando e descobrindo os segredos que cada um guarda. Na verdade, é mais do que isso; a amizade deles é tão bonita e profunda, repleta de lealdade e companheirismo.

Mas nem tudo são flores. Matthew também sofre de uma doença, que nega em aceitar. Amy não se conforma e insiste tanto no assunto que após algumas discussões, ele acaba abaixando a guarda e cumprindo as tarefas dadas por ela. E assim evolui a relação dos personagens, um sendo o apoio do outro, compreendendo as peculiaridades e aprendendo a lidar com elas.

— Por que você não se inscreve em algo difícil de verdade? — perguntou Matthew. — Quer dizer, olhe para isso… só adiantou três matérias? Parece que você nunca se desafia.
— ESSAS AULAS NÃO SÃO DIFÍCEIS PARA MIM — disse ela.
Matthew balançou a cabeça.
— O que é difícil para você, Aim? Sério. Estou curioso.

Tem aqueles que pela sinopse acham que é uma história estilo A culpa é das estrelas, mas pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque definitivamente não é. Essa não é uma obra sobre superação, sobre vencer uma doença, e sim sobre amizade. Sobre como esse afeto pode influenciar na nossa vida, dar força pra continuar mais um dia. Eu imaginava que grande parte ia ser centrada no problema de Amy, afinal não é algo pequeno, mas... não. As dificuldades de Amy são bem pouco citadas, como se após tantos anos, ela já tivesse se adaptado à sua situação. Senti falta sim de uma explicação quanto à ajuda dos auxiliares além de andarem com ela de um lado pro outro e entregar os livros, mas sei que esse não era o foco, então dá pra relevar.

O livro é narrado em 3° pessoa, e sabe aquele personagem que te vontade de ler o ponto de vista, de chegar a parte dele? Matthew é assim. Ele é tão atencioso, gentil, adorável, que nos deixa aflitos também quando as vozes começam a falar em sua cabeça mandando lavar as mãos, verificar a porta, ter medo de machucar os outros. Nunca havia lido uma obra que se aprofundasse no TOC, e a forma como a autora abordou a doença foi excelente, com naturalidade, nada exagerado que tornasse o personagem em um lunático. Sempre tive a impressão de que não era uma doença grave, mas pode se tornar, e além disso, tem o potencial de perturbar o indivíduo da mesma forma. Só de ler nós já ficamos com a boca seca e apreensivos, imagine só quem passa por isso. E no caso de Matthew, ele ainda precisava se controlar e forçar a crise a passar pois sabia que era responsável por Amy e precisava tomar conta dela. Todos esses fatores (e ele ser super amável, séerio) fizeram com que ele se tornasse um dos meus personagens favoritos!

A Amy, bom... Até metade do livro eu a admirei completamente. Uma garota que mesmo com suas deficiências e limitações, conseguia ser encantadora e surpreendente com suas tiradas engraçadas e inteligência. É aquela personagem que a gente se apega principalmente por ela ser sensata, ter suas esperanças mas saber dar espaço à elas, não se iludir assim fácil. Mas depois, onde foi parar essa menina? Amy começou a tomar atitudes e decisões que a descaracterizou completamente. Muitas vezes fiquei frustrada, porque a história estava se encaminhando perfeitamente, e de repente começou a tropeçar e não parar mais. É como se a autora tivesse aberto forçadamente uma outra direção, e ela mesma se perdeu. Entendo que ela quis criar dilemas, mostrar que a vida tem seus trôpegos, mas..... De verdade, não precisava daquilo. Foi desnecessário, ela podia muito bem criar outras situações pros dois se distanciarem. Então, sim, eu dei nota 5 por 70% do livro, por ainda assim ser maravilhoso e ter me emocionado, mas ela poderia ter bolado bem melhor as últimas 100 páginas. Amy e Matthew se desencontram muitas vezes nesse decorrer, e esse amor não confessado entre eles é de cortar o coração.

Não comentei muito sobre os outros auxiliares, mas eles também são ótimos. Cada um à sua própria maneira se demonstra dedicado ao trabalho que, de início, para a maioria era exatamente só para ganhar dinheiro, mas quanto mais iam conhecendo Amy, mais iam gostando e se importando com o bem-estar dela. E ah, essa resenha não está nem chegando aos pés de tudo o que essa obra significou pra mim, portanto deixem de enrolar e leiam logo o livro!

Nota: 5



Sobre mim: Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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