quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Príncipe de Westeros e Outras Histórias

Título: O Príncipe de Westeros e Outras Histórias
Título Original: Rogues
Organizadores: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Editora: Saída de Emergência
Edição:
ISBN: 9788567296364
Ano:: 2015
Páginas: 480
Livro: Skoob
Sinopse:
Com histórias de Joe Abercrombie, Gillian Flynn, Matthew Hughes, Joe R. Lansdale, Michael Swanwick, David Ball, Carrie Vaughn, Scott Lynch, Bradley Denton, Cherie Priest, Daniel Abraham, Paul Cornell, Steven Saylor, Garth Nix, Walter Jon Williams, Phyllis Eisenstein, Lisa Tuttle, Neil Gaiman, Connie Willis, Patrick Rothfuss e George R.R. Martin o livro traz contos que não são preto e nem branco, contos com todos os tons de cinza. 21 histórias com reviravoltas astutas e deslumbrantes nessa galeria de histórias de vilões que vão saquear seu coração e ainda deixá-lo mais rico a cada história.

A proposta de O Príncipe de Westeros e Outras Histórias foi o que realmente me chamou atenção na antologia, ao invés do nome ligeiramente sugestivo. E isso se deve mais ao meu interesse pelos chamados rogues do que propriamente pelas histórias de George R. R. Martin. Não é que eu não goste do trabalho do autor, não me entenda mal. É apenas que não sou aficionado por ele. Reconheço sua importância e tudo o que ele vem construindo em As Crônicas de Gelo e Fogo, mas particularmente, li apenas seus contos, e sou adepto da opinião de que O Príncipe de Westeros e Outras Histórias não é um nome que faz jus a esta obra. Afinal de contas, o conto do livro que leva esse nome, é apenas mais um (muito bom, mas apenas mais um) e o título no original, rogues, é muito mais condizente com a obra que qualquer outra coisa.

O que seria então um rogue? Os mais chegados em jogos de role-playing game (o nosso tão adorado RPG) rapidamente lembrarão do Ladino de Dungeons & Dragons. E quem conhece a classe, entendeu bem a essência rogue aqui! Ele pode ser um ladrão, um trapaceiro, um patife, um ludibriador e ainda um sedutor de primeira. Não necessariamente mal, mas também não necessariamente heroico. É um homem ou uma mulher que está muito mais interessado em se dar bem e sair ileso, do que exatamente em salvar o dia. Não é um herói. Também não é um vilão. Na maioria das vezes anti-herói lhe serve como uma luva. São aqueles personagens que nós sabemos que não valem nada, que são imprevisíveis, e que exalam adrenalina e perigo de todos os seu poros, mas que ainda sim, ou talvez exatamente por isso, não conseguimos deixar de amá-los.

Então talvez seja por ser muito fã dos Ladinos das mesas de RPG, que achei formidável a ideia dessa antologia de colocar um monte de autores dos subgêneros do fantástico e da ficção especulativa no geral, para trabalhar exatamente essa temática: os traidores, os falsários... os rogues!



A edição original deste livro conta com 21 contos. Já a edição lançada no Brasil, pela editora Saída de Emergência conta com 10 contos desses 21. O que em si já dá um grande número de páginas, visto que o livro é bem grosso também. Coisa de 480 páginas, com uma capa muito bem feita, ornamentada com alto relevo e cores vivas e chamativas.

Entre os autores temos Neil Gaiman, Gillian Flyn, Patrick Rothfuss, o próprio George R. R. Martin (que além de ter um conto aqui, escreve a introdução e organiza o livro todo com Gardner Dozois) e outros.

No fim das contas, apesar do tema em comum, o livro não se deixa cair na mesmice. Uma vez que esse é o tipo de antologia que agrada a todos os fãs e públicos da ficção especulativa no geral. Temos contos de fantasia épica, ficção histórica, ficção policial, steampunk e etc.

Em “Como o Marquês Recuperou seu Casaco”, o conto de Gaiman, traz o leitor para o mesmo cenário abordado em “Lugar Nenhum” e alguns personagens muito carismáticos. Na fantasia épica de Phyllis Eisenstein temos um bardo com uma característica no mínimo peculiar e uma história que além de muito bem escrita, trata de problemas sociais contemporâneos de uma maneira muito sutil, mas ao mesmo tempo contundente. Temos o steampunk com Scott Lynch, cheio de ironias e bom humor, “história de detetive” com Hap e Leonard, os personagens do conto de Joe R. Lansdale e etc.

No mais, essa é uma antologia de contos realmente boa. Como disse anteriormente, um livro que agrada a todos os públicos, com contos diversificados e autores que se esforçaram para não decepcionar o leito. Indico fortemente.


Sobre mim: Jefferson Pessoa, graduando em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Fã de Stephen King e Oscar Wilde, mantenho ainda vivo o sonho de escrever profissionalmente; Amante de cinema, séries, quadrinhos e músicas. Descobri na arte uma forma de suportar a vida.

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