segunda-feira, 14 de setembro de 2015

[DESAFIO DE GÊNERO: Animais] Soldier

Título: Solider
Título Original: Soldier Dog
Autor: Sam Angus
Editora: Novo Conceito
Livro: Skoob
Sinopse:
Quando Tom Ryder é convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, não imagina o quanto o seu irmão mais novo, Stanley, sentirá sua falta. A única alegria do garoto são os filhotes de Rocket, a cadela premiada que é o orgulho da família. Porém, ao descobrir que Rocket teve filhotes mestiços, o pai de Stanley fica furioso e ameaça afogar os cãezinhos.
Inconformado e desejando reencontrar Tom, Stanley foge de casa. Mentindo a idade, consegue se alistar no exército britânico. Somente o amor incondicional pelos animais será capaz de fazê-lo sobreviver à brutalidade e à frieza dos campos de batalha. Uma prova de que a inocência e a sensibilidade podem ser mais poderosas do que a guerra.
SOLDIER: Leal até o fim é um livro emocionante e intenso, recomendado para leitores de todas as idades, especialmente para os apaixonados por cães.

Esse era o desafio do mês de maio, mas eu estava tão louca por esse livro que resolvi esperar. O que importa é conseguir cumprir o desafio né, independente do mês *aquelas que só tá enrolando kkk*

Após a ida de seu irmão, Tom Ryder, para a Primeira Guerra Mundial, Stanley ficou desamparado. Sua mãe havia morrido recentemente e o pai enlouquecera, tomando uma posição totalmente bruta ao que dizia respeito ao garoto, e as coisas só pioram quando Rocket, a cachorra de raça deles, some e aparece de volta grávida. Da, o pai de Stanley, fazia criação de cavalos e cachorros de raça, portanto a fuga de Rocket só agravou o pesadelo que sua vida tinha se tornado, já que obviamente ela fora pega por algum vira-lata e a partir de então não daria mais luz à linhagens puras. Mas Stanley não pensava da mesma forma e acompanhou toda a gravidez da cachorra, medindo sua circunferência a cada semana, se preparando para o grande dia, mesmo com seu pai os desprezando o tempo todo.

Não demora muito pra que Da pegue os filhotes e os leve embora para doação. Stanley ainda consegue salvar Soldier, o último a nascer e que aparentava não ter forças suficiente para sobreviver. Ele promete cuidar dele com sua própria vida e fazê-lo crescer, mas Da impede essa possibilidade de existir. Um dia, Stanley descobre que seu filhotinho sumiu e que nunca mais voltará.

Esgotado com a grosseria e atitudes desumanas de seu pai, Stanley se alista para escapar do pai e poder finalmente encontrar seu irmão novamente. E mesmo tendo apenas 14 anos, ele consegue mentir a idade e é direcionado à área que lida com os cães mensageiros, portanto Stanley vira um treinador, um mestre. Mas será que afinal foi uma boa ideia mesmo correr desse jeito de seu pai? Será que ele aguentaria a barra que estava por vir?

A chegada em segurança de uma mensagem que tenha sido enviada da retaguarda para a linha de frente, ou da linha de frente para a retaguarda, pode representar o sucesso ou o fracasso de uma ofensiva. As linhas de telefone podem ser facilmente rompidas. A comunicação sem fio pode ser sintonizada. Mas um cão, ao contrário de um pombo, pode trabalhar à noite, na névoa, na chuva, pode nadar através de um rio, de um canal ou de uma cratera de bomba alagada. Usar um cão como mensageiro pode evitar a morte trágica e desnecessária de um corredor humano.

Essa não é uma história leve como Marley & Eu (e que já por ela nós desidratamos lendo). Desde o início nós sofremos junto de Stanley com as palavras árduas e nojentas de seu pai, ameaçando afogar os cachorros, deixando o garoto tremendo de medo. Não acho que seja um livro indicado exatamente para os amantes de cães, acredito que seja um pouquinho ao contrário.

Cães mensageiros eram utilizados durante as guerras para alertarem o outro batalhão de que uma ameaça estava se aproximando, ou então para se comunicarem e montarem um plano quando as linhas haviam sido cortadas pelas bombas. Os cães eram pequenos, mais ágeis e bons nadadores, por isso eram considerados uma boa escolha. E durante todo o treinamento, repetiram para Stanley que se o cão o amasse, ele voltaria por ele. Ou seja, o pobre cachorro ia correndo através de armadilhas e sendo exposto a mil tiros pra entregar o recado e correr, não pra trazer a resposta, e sim pra voltar pro seu mestre, para aquele que amava com todas as forças. Isso condiz muito com o subtítulo do livro “Leal até o fim”. Eles são mesmo, não é? São os melhores amigos do homem, fiéis de uma forma única. E de fato salvaram milhares de vidas naquela época, mas fiquei incomodada em acompanhar a trajetória que eles percorriam. As cenas que representam o cachorro realizando seu trabalho na guerra propriamente dita eram de uma tensão enorme, o leitor fica aflito, e a própria ansiedade de Stanley nos contagia. E quando o cachorro acaba sendo atingido... Gente, acho que não sofri nem um terço lendo Jogos Vorazes do que sofri com esse livro. Logicamente dá pra compreender o quão heroicos eles foram, o quão forte eles eram, e todos os soldados, capitães, etc, prestavam uma homenagem à bravura dos cães que não resistiram, mas que lutaram até o fim pra entregar a mensagem.

Enfim, é um livro que te faz abraçar seu cachorro e agradecer por ele estar a salvo em casa haha, um livro que mostra como questões mal resolvidas entre as pessoas podem gerar desentendimentos que podiam muito bem serem evitados, como algumas dores são capazes de serem tão grandes a ponto de consumir o portador dela. E, acima de tudo, a relação imbatível que um animal e um ser humano podem construir, que acredito ser a parte que mais emociona no livro e te embala junto.

Nota: 5



Sobre mim: Carolina Rodrigues, 20 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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