quinta-feira, 12 de março de 2015

Meu Inverno em Zerolândia

Nome: Meu Inverno em Zerolândia
Título Original: Il Mio Inverno a Zerolandia
Autora: Paola Predicatori
Editora: Suma de Letras
Livro: Skoob
Sinopse:
Alessandra tem 17 anos quando sua mãe morre. Sua dor é como uma redoma e quando retorna à escola, se afasta dos amigos e vai sentar junto a Gabriel, conhecido como Zero, a nulidade da turma. Deseja apenas ser ignorada, como acontece com ele. Zero, porém, é mais interessante do que parece. Em sua falsa indiferença, é atento e sensível. É ele quem socorre Alessandra, aparecendo inesperadamente ao seu lado quando ela precisa de ajuda. Viram um par: Zero e Zeta. Aos poucos, um sentimento indefinível ganha forma entre as paredes da classe e a praia de inverno, surgindo uma história delicada e forte que mudará para sempre a vida desse casal de adolescentes. De maneira realista, Meu inverno em Zerolândia mostra a juventude italiana e seu cotidiano, em uma história dura e envolvente, capaz de mostrar que a soma de dois zeros não é zero, mas sim dois.

Desde que vi a sinopse e principalmente a capa desse livro, eu o quis pra mim. Depois de ler uma resenha super entusiasmada do mesmo no blog Vício Literal, fiquei mais curiosa ainda, e decidi não esperar mais nada.

Em que se transformam as pessoas que não existem mais: aquilo que existiu ou tudo aquilo que desapareceu?

Alessandra é uma garota de 17 anos que nos conta como foi os últimos dois anos com a mãe doente, tentando lutar contra o câncer nos rins. Mesmo após cirurgias, o tratamento não deu resultado, e ela acabou morrendo. Com isso, Alessandra se sente profundamente deprimida, como se tivessem arrancado uma parte dela. A casa onde ela e a avó moram é assombrada por uma terrível tristeza, as duas mal se falam, cada uma no seu próprio sofrimento.

Quando as aulas voltam, ela continua querendo paz. Por causa disso, ela ignora suas amigas, e vai se sentar justamente com ninguém mais, ninguém menos, que Zero. Ele é um garoto com diversos problemas em casa: seu pai não trabalha e só sabe beber e descontar na esposa, enquanto a coitada sofre em silêncio, tendo de aturar a situação. Gabriel (o nome verdadeiro dele) não liga pra escola, vai mais por ser obrigado, e passa a aula inteira desenhando, sem entregar lições de casa, levando assim sempre nota zero, e por isso pegou o apelido. Ele é sempre o motivo principal de risadas na classe, embora permaneça sempre em seu canto, quieto, sem se comunicar com ninguém. E era exatamente disso que Alessandra precisava, só de sossego.

Nos primeiros dias que se passam, é como se ela realmente estivesse sozinha. Ele não fala, nem parece perceber a presença dela ao seu lado. E aquela solidão cresce tanto, que ela acaba indo numa festa cheia de gente do colégio, só pra encher a cara e se esquecer de tudo. Mas sua paz é interrompida quando Giovanni, um dos garotos mais desejados, dá em cima dela, a tratando com força, e ela é salva por, adivinha quem? Gabriel.

É a partir de então que a relação deles se inicia, e vai crescendo de forma beeem lenta. Gabriel é um cara silencioso, gosta de ficar no canto dele e de fumar, e de alguma forma, Alessandra se sente bem ao seu lado, em Zerolândia, um universo só deles. Mas mesmo quando eles se envolvem de outra maneira, ela não consegue sentir que ele realmente se importe tanto assim com ela. E então ela comete uma loucura que pode colocar tudo em risco.

É incrível, pensei, como o final das coisas sempre se parece com o início. Como se entre nós nunca tivesse acontecido nada.

Pra mim, o livro peca na forma de escrita. É como se fosse um diário narrado por Alessandra, quase até como se ela estivesse contando tudo o que acontece pra mãe. E graças a isso, é difícil acompanhar os diálogos com maior liberdade. Aliás, é mais texto do que conversa em si. Se a autora destacasse mais como o diálogo era desenvolvido, acrescentado mais detalhes, nós poderíamos captar melhor o avalanche de sensações pelo qual ela estava passando.

Ainda assim, mesmo apesar disso, não tem como não se comover com a saudade que ela sente da mãe. Acho que esse é um livro direcionado em grande parte pra perda, pra dor que sempre vai estar lá, pra aquele desejo enorme de ter a pessoa ao seu lado, e saber que nunca mais isso vai acontecer. E direcionado, também, a relação mãe e filha. Vários capítulos são dedicados só a mãe de Alessandra, do quanto ela sente sua falta, de recordações, diversos detalhes que nos faz sentir como se fizéssemos até parte da família. É realmente bonito como nem por um momento a autora deixou de lado o fato de a mãe ter morrido há pouco tempo, e como aquilo sempre a afetava de alguma forma, em alguma situação específica.

E Gabriel não fica fora dessa. Ele é extremamente difícil de se compreender, e as vezes também arrogante, mas aquele é o jeito dele, então não se incomoda em se expressar. E ao mesmo tempo é adorável; a proteção que ele dá a Alessandra, sem ser exagerado, e ainda assim mantendo uma devida distância. E o final; ah que nervoso, eu entendia totalmente seu lado, mas dava vontade de chacoalhar a cabeça dele pra que não fizesse besteira também.

Confesso que não saquei muito o porque da mudança de Alessandra. Dá a entender que ela era uma das garotas populares, e não é dizer que os amigos deram as costas pra ela; na verdade, a maioria mandou recados, dizendo que lamentava a perda. E eu entendo, ela simplesmente estava muito abatida na hora e não queria mais ninguém falando aquilo, mas né.. Foi uma decisão bem radical. Não que eu esteja reclamando, porque senão não teria nada de Gabriel/Zero, e ele é um personagem e tanto, mesmo com suas poucas palavras. E também, com isso ela pôde perceber as segundas intenções da maioria das pessoas que se diziam amigas dela. Ás vezes é necessário sair da zona de conforto pra observar a cena com outros olhos, né?

Nota: 4

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 19 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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