quinta-feira, 26 de março de 2015

[DESAFIO DE GÊNERO: Que será adaptado para filme] Cidades de Papel

Nome: Cidades de Papel
Título Original: Paper Towns
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Livro: Skoob
Sinopse:
Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma.
Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte.
Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia.


Foi difícil escolher um livro pro gênero do mês. Já li todos os livros que vão ser adaptados e que me interessam, pelo que me lembro, então fiquei num impasse grande, sem nem mesmo saber quais outros livros iam virar filme. E foi na busca que me deparei com Cidades de Papel. Ouvi taaanta gente falando bem dessa obra por muito tempo, e já que alguns quotes perdidos pela internet tinham me despertado curiosidade, resolvi arriscar. Mesmo porque, pra quem acompanha o blog, sabe o quanto tenho me surpreendido com livros “modinha” que todos amam e que até então não tinham me interessado, mas que acabei ficando apaixonada por eles também.

Mas, é................... Esse não foi um caso.

Quentin é melhor amigo de Margo, sua vizinha, desde que se conhece por gente. Eles andavam juntos pra tudo quanto era lado, brincando e vivendo num mundo só deles, ate que numa volta pelo parque, eles dão de cara com um homem morto. Literalmente morto, ensanguentado e tudo mais. Aquela cena pra duas meras crianças foi um grande choque, e as coisas mudaram subitamente a partir de então. O Quentin de dez anos nunca imaginaria que Margo sairia da sua janela pra nunca mais voltar. Até o último ano do ensino médio.

Agora bem mais velhos, Quentin é comportado, nunca falta às aulas, e tem dois melhores amigos chamados Ben e Radar. Já Margo é o extremo oposto: Popular, desejada, e reconhecida por suas aventuras repletas de loucura (e que não são mentiras, ela realmente vivenciou tudo o que contava!). Cada um vivia em seu próprio globo de neve, até num dia como qualquer outro Margo aparecer novamente na janela de Quentin, pedindo que ele a acompanhasse a invadir uns lugares por aí. E mesmo considerando a ideia péssima, e sabendo que nem devia levá-la em consideração, ele topa. Talvez pelo motivo de desde a infância ele ser apaixonado por Margo, quem sabe. E ao mesmo tempo que ele se assusta com as doideras do plano de vingança de Margo, ele se lembra o porque gostava tanto daquela garota.

Falando assim até eu me convenço de que a história é boa. Mas lendo, a única impressão que passa é que Margo abusou deliberadamente da boa vontade de Quentin, porque ela sabia que ele estaria lá sempre que ela precisasse. Então quando o namorado a trai com a melhor amiga, ela resolve lembrar de Q e ir pedir sua ajuda, enquanto durante anos ela nem ao menos dirigiu a palavra a ele direito. Sério gente, eu não engoli isso nem por um minuto. E o ruim dos livros do John Green é que ele sempre retrata a realidade em algum ponto. Se parar pra pensar, quantas pessoas você conhece que só dão as caras quando querem um favor? Quantas pessoas você conhece que sabe que faria qualquer coisa por tal outra que tá nem aí?

Não sei mais quem ela é, ou quem era, mas preciso encontrá-la.

E além disso, Margo é extremamente egoísta. Depois daquela noite, ela some. Por semanas. Ela literalmente foge de casa, espalham papéis pela cidade com o nome dela indicando o desaparecimento, e o livro se arrasta por páginas e páginas com Q tentando encontrá-la. Tentando através das pistas que ela deixou, achar algum pedaço que se conecte, que lhe diga aonde diabos ela foi se meter. E é isso! Q indo atrás de pistas, Q batendo cabeça pra decifrar o poema que encontrou no quarto dela, Q respirando e vivendo sob os mistérios de Margo.

E Q é outro que só pensa em si mesmo. Ele acha que só existe ele no mundo e com princípios. Ele acha que os amigos devem viver a base das descobertas dele. Que eles devem estar prontos a qualquer momento pra acompanhar suas divagações sobre Margo. E isso me irritou, porque os amigos dele são maravilhosos! Meu Deus, alguém devia inventar uma máquina que retirasse os personagens e os trouxessem pra vida real, porque eu quero que eles sejam meus amigos. Sério, eles são incríveis, o livro se salva só por eles. Ben é hilário, sempre cheio de tiradas que te faz morrer de rir e descontrair o clima. Radar também é ótimo, e Lacey, que se junta um pouco depois ao grupo, se encaixa perfeitamente no enredo. Eu achava que ela fosse ser alguma patricinha chata, mas graças a Deus isso não aconteceu.

E tem mais. Q fica obcecado por Margo de um jeito que assusta. Ele se apaixona pelo mistério que Margo representa, não pelo que ela realmente é, como se criasse uma versão do que gostaria que ela fosse na cabeça. E ok, quem nunca fez isso? Quem nunca gostou de alguém e depois se deu conta que não gostava da pessoa, e sim do que você imaginava que ela fosse, de tanto que sonhou e criou ilusões? Isso acontece. Mas Q leva esse fato a um nível absurdo. O livro inteiro se passa com ele imaginando o que devia estar passando na cabeça dela para fugir, para deixar as pistas justamente pra ele, com medo até de ela estar morta, quando... Quando a verdade está bem escancarada na testa dele, e ele se impede de enxergar isso por não deixar aquela venda sair dos seus olhos. E me irritou ver essa frustração, porque a menina fazia séculos que nem mesmo falava com ele, e foi só dar um pouco de bola que ele já ficou todo entusiasmado e parecendo que o resto de sua vida dependia em encontrá-la.

— Nada acontece como a gente acha que vai acontecer — diz ela.
— Verdade — digo. Mas depois que penso a respeito por um segundo, acrescento: — Mas, se você não imaginar, as coisas sequer chegam a acontecer.

E com isso, Margo vira um fantasma. Ela aparece no começo e no fim. Podem falar que é spoiler, mas acho que seja válido, eu mesma preferia saber disso antes. A história se centra na garota, mas ela mesma nem aparece direito. Então pra mim a história inteira deixou muito a desejar. E só não dei nota menor porque 1- Me sinto mal dando nota baixa, já falei, e 2 – o final até foi bom. Não teve nexo algum pra mim o motivo de seu sumiço, mas foi algo previsível, e não esperava nada diferente do final mesmo. Aliás, se fosse diferente, aí sim minha nota ia reduzir sem dó nem piedade kkk

O livro me deixou bem reflexiva, sim. Me fez lembrar de todas as pessoas que não eram o que eu imaginava. Que me agradavam só na forma de ilusão que criei. Mas isso me fazia bem. Não é a toa que essa distância do “ser” e do “parecer” existe. Esses dias li uma frase que diz o seguinte:

“Os japoneses dizem que você tem três faces. A primeira face você mostra ao mundo. A segunda face você mostra aos seus amigos mais próximos e à sua família. A terceira face você nunca mostra a ninguém. É o verdadeiro reflexo de quem você é.”

E essa é uma das maiores verdades que já li, e que inclusive combina com o livro. Cada um tem sua particularidade que nem os mais próximos conseguem enxergar pelas entrelinhas. E o livro passa bem essa mensagem.

Então porque essa nota?” Por todo o resto que comentei durante a resenha. A mensagem é boa, mas foram páginas arrastadas, muitas desnecessárias, que só os amigos salvaram e fizeram a leitura em certas partes serem proveitosas, mas me irritou. Muito provavelmente porque quem está de fora, sempre consegue ver as coisas com outros olhos.

Já foi feita uma resenha desse livro aqui no blog, pela Flávia, então se vocês quiserem ver como as opiniões a respeito de um livro podem ser divergentes, deem uma olhada aqui. Já basta eu apontando lados negativos, eu sei disso, então podem ver a resenha dela com tranquilidade que, ao contrário de mim, ela adorou :D



Nota: 3

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 19 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música..

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