sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[DESAFIO DE GÊNEROS: Ficção Científica] Eve & Adam

Nome: Eve & Adam
Título Original: Eve & Adam
Autores: Michael Grant e Katherine Applegate
Editora: Novo Conceito
Livro: Skoob
Sinopse:
Filha única da poderosa e fria geneticista Terra Spiker, Eve fica entre a vida e a morte depois de sofrer um acidente de carro. O processo de cura no misterioso laboratório Spiker transcorre com uma rapidez impressionante, o que desperta a curiosidade da menina.
Antes que Eve estreite os laços com Solo, um rapaz que compartilha segredos com a corporação, a Dra. Spiker lhe propõe um desafio: Eve terá a chance de testar, em primeira mão, um software desenvolvido para manipular gens humanos. Ela poderá criar um namorado sob medida!
Mas brincar de Deus tem consequências, e agora Eve vai descobrir até que ponto existe perfeição.

Nunca me interessei por esse livro. Nunquinha mesmo. Achava que era algo muito bobo do estilo que a menina cria o cara perfeito para ela e então eles vivem felizes para sempre. Da onde eu tirei essa besteira? Depois de ler a resenha dele no blog This Adorable Thing eu percebi que tinha que ler esse livro de qualquer jeito. Ainda bem que mudei de opinião!

Eve sofre um acidente e, mesmo aos berros dos médicos que dizem que ela não vai sobreviver se for retirada do hospital, a mãe manda um rapaz buscá-la e levá-la pra Spiker, empresa na qual ela é dona. A Spiker é imensa, com andares resignados a uma área específica, e é completamente focada na pesquisa/experiências pra descobrir cura de doenças. Lá é onde se encontra grande parte dos cientistas, e com todo o aparato que recebe, a perna decepada de Eve parece nunca ter sido arrancada dela. Aliás, seu corpo inteiro estraçalhado parece se recuperar incrivelmente bem.

Mas Eve se sente sozinha naquele lugar. A única outra pessoa da sua idade é Solo, o rapaz que foi buscá-la e que vem acompanhando a evolução da situação dela. Mas ele é muito jovem pra trabalhar, como diabos ele tinha conseguido parar ali?

Na intenção de distraí-la, a mãe tem uma ideia brilhante. Ela deixa Eve mexer no mais novo projeto que construíram, onde através de um software, ela é capaz de criar um humano. Parece meio sem sentido? Bom, a genética explica. Pelas cadeias de DNA, é possível incluir ou retirar o gene que dá determinada característica à pessoa, como cor dos olhos, ou se será corajoso através de outras combinações de genes, e até mesmo retirar genes responsáveis por certas doenças. É assim que Eve cria Adam, o homem mais lindo que já vira na vida.

Esse não é o trabalho simples e divertido de fazer um rosto e um corpo. Não sou religiosa, mas estou começando a simpatizar com Deus. Dê ao homem um cérebro inteligente o suficiente para dar nome aos animais, um cérebro útil e produtivo, e você começa a entender a história toda do fruto proibido.
Não é tão fácil quanto parece.

Mas lógico, ela não faz isso sozinha. Sua única amiga e profundamente odiada pela mãe, Aislinn, se empolga com o projeto e participa de todo o desenvolvimento. E é graças a Aislinn, aliás, que a história começa a pegar fogo quando ela manda uma mensagem pedindo socorro para Eve, e Solo logo topa ajudá-la a escapar daquela jaula.

E bom, assim ainda parece simples. Mas não é. Temos que convir que brincar de Deus sempre traz consequências e nem sempre são positivas, certo? E por trás da criação daquele projeto, há tanta crueldade que Eve se encontra perdida.

- Isso não fará com que você seja tão diferente da maioria dos caras – digo. É um comentário espertinho. Uma piada. Ele tem senso de humor? Dei senso de humor a ele. Pelo menos foi isso que eu fiz, incluir os códigos que permitiriam que ele desenvolvesse senso de humor, mas ele tem experiência para diferenciar uma piada de outras coisas?
- Você me fez diferente dos outros – ele diz.

Gente, esse livro é demais! Nas primeiras páginas eu dei algumas travadas, a narração não estava me agradando muito (que é dividida entre a Eve e o Solo) e o enredo não mantinha minha atenção presa. Mas então Aislinn se mete em confusão, elas se aproximam de Solo, e os mistérios que rondam a Spiker acabam nos fisgando de vez.

Todo mundo odeia a Terra, mãe de Eve, por ela ser fria e rígida, mas não vi nada demais. Pelo contrário, ela ainda contribuiu pra ajudar Aislinn, que aliás essa sim me deu raiva várias vezes quando se tratava do namorado. Tem que ser muito amiga mesmo pra aturar sem perder a cabeça. E o Solo é bem fofo! Sempre disposto a ajudar e fazer o correto, mesmo que isso possa acabar ferrando com ele.

Quando me deparei com o livro, achei bem curto, mas creio que a história tenha sido elaborada o suficiente, sem muita enrolação, e até mesmo sem grandes detalhes científicos. Pensei que eles amplificariam o assunto da genética, que é tão comentado (e eu tanto gosto), mas eles se atem somente ao projeto em si. Eu fiquei meio frustrada, querendo saber mais afundo, mas é palpável que a intenção dos autores era exatamente não complicar e transmitir apenas o essencial, senão se tornaria algo pesado e sem necessidade, já que o foco deles era outro. E tudo o que ocorre nos faz pensar bastante na perfeição. Será que é algo bom? Será que talvez as pessoas sejam como são justamente pelos defeitos?

Falando em autores, eu adoro a série Gone do Michael Grant, e fiquei surpresa quando descobri que os autores são casados. A parceria que eles usaram pra escrever algo tão genial, e ainda é perceptível em determinadas cenas a diferença singela de narração. Foi realmente muito bem construído! Vale totalmente a pena a leitura (e perder o sono durante a madrugada também haha).

Nota: 5



Sobre mim: Carolina Rodrigues, 19 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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