domingo, 12 de outubro de 2014

O Começo de Tudo

Nome: O Começo de Tudo
Título Original: Severed Heads, Broken Hearts
Autor: Robyn Schneider
Editora: Novo Conceito
Livro: Skoob
Sinopse:
O garoto de ouro Ezra Faulkner acredita que todo mundo tem uma tragédia esperando ali na esquina – um encontro fatal depois do qual tudo o que realmente importa vai acontecer. Sua tragédia particular esperou até que ele estivesse preparado para perder tudo de uma vez: em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a perna de Ezra, com sua carreira no esporte e com sua vida social.
Depois que perdeu o favoritismo ao posto de rei do baile, Ezra agora almoça na mesa dos losers, onde conhece Cassidy Thorpe. Cassidy é diferente de qualquer pessoa que Ezra tenha encontrado antes – melancólica e com uma inteligência mordaz.
Juntos, Ezra e Cassidy descobrem flash mobs, tesouros enterrados e um poodle que talvez seja a reencarnação do Grande Gatsby. À medida que Ezra mergulha nos novos estudos, nas novas amizades e no novo amor, aprende que algumas pessoas, assim como os livros, são difíceis de interpretar. Agora, ele precisa considerar: se uma tragédia já o atingiu, o que poderá acontecer se houver mais infortúnios?
O Começo de Tudo é um livro poético, inteligente e de cortar o coração sobre a dificuldade de ser o que as pessoas esperam, e sobre começos que podem nascer de finais trágicos.

Ezra Faulkner é aquele típico garoto popular que todos idolatram, que faz parte do grupo mais popular da escola, e que vive indo nas festas que Renato Russo chamaria de “festa estranha com gente esquisita” e muita bebedeira. Ele é também o capitão do time de tênis, e namora Charlotte, a típica garota que se engraça no primeiro que lhe der mais vantagens, e que é mais rodada que sei lá o que.

Mas as coisas não eram assim. Na verdade, Ezra não é nem um pouco parecido com seus amigos, começando pelo fato gritante de que nem bebe. Tudo desandou na festa de aniversário de Toby, seu melhor amigo, quando eles foram na montanha-russa da Disney e uma cabeça decepada voou em sua direção. Depois daquilo, seu amigo que passou a infância toda ao seu lado, mudou completamente, isolando-se e se prendendo em seu próprio mundo, enquanto Ezra não viu outra solução a não ser seguir em frente, e arranjar aqueles novos amigos.

Às vezes acho que uma tragédia vive à espreita de todo mundo; por isso, as pessoas que vão comprar leite na esquina ou que cutucam o nariz enquanto aguardam o sinal abrir estão a apenas alguns minutos de um desastre. Na vida de todos, não importa quão comum seja, existe um momento que se tornará extraordinário — um único embate após o qual tudo o que realmente é importante vai acontecer.


No entanto, Ezra acaba caindo na real meio que à força. Após pegar Charlotte o traindo numa festa, ele sai do lugar com a paciência já esgotada, e sofre um acidente com o carro. Mesmo durante meses no hospital, absolutamente ninguém foi visitá-lo, e ao voltar pra escola, Ezra certamente estaria perdido se não fosse por Toby, que o acolheu como se nada tivesse acontecido entre eles dentre os anos que passaram afastados. Mesmo deprimido e se sentindo abandonado por seus antigos amigos (e pela escola inteira, já que ele não é mais o incrível Ezra, e sim apenas um garoto mancando de um lado pro outro com uma bengala), Ezra tenta se adaptar ao grupo de amizade de Toby, que são conhecidos por participarem dos debates do colégio. Além disso, Ezra conhece Cassidy Thorpe, uma aluna nova que logo se entrosa em seu grupo, e juntos, eles descobrem momentos e sensações únicas.

Esse livro caiu no momento perfeito em que eu estava precisando. Andava meio perturbada com a vida, cheia de indecisões, e ver que Ezra às vezes se perguntava as mesmas coisas, me fez me sentir um pouco mais aliviada, ainda que seja apenas um personagem fictício. Toda a transição pelo qual ele passa, desde sentimentos até situações, nos faz olhar ao redor e questionar quem realmente vai estar ao nosso lado quando o nosso momento trágico chegar. Eu me identifiquei muito mesmo com Ezra, e queria entender como ele se apegou tanto à Cassidy, mas infelizmente não deu certo.

Para mim, o silêncio representava segurança. As palavras podem nos trair se forem mal escolhidas, ou significar menos se usadas em exagero.


Vocês não fazem ideia da raiva que senti com esse livro. Sem brincadeira, eu tive que esperar uns dois dias pra respirar fundo e fazer a resenha sem quebrar o teclado de tão furiosa que fiquei. De início, o livro tinha tudo pra ser maravilhoso, e de fato é, mas da metade pro final as atitudes de Cassidy ficaram tão grotescas que eu não sabia nem onde surtar ou no que descontar. Ela é uma personagem bem filosófica, que reflete profundamente sobre as coisas, e faz Ezra perceber verdades que deixamos passar batidas diariamente por nós. Mas a questão é que ela faz tanto mistério, se deixa envolver tanto, pra depois um único detalhe escapar, e tudo desabar. E sabe o pior? EU NÃO POSSO FALAR NADA, se não é spoiler!! Mas argh, me deu muita raiva, e não tinha necessidade NENHUMA daquilo.

Tudo bem, uma parte eu tenho que concordar. Os personagens são bem humanos, então consequentemente cada um vai ter um modo de agir, e isso não significa que vão sempre nos agradar, então eu também tenho meu direito de ter odiado a Cassidy enquanto todo mundo amou. Entendo que isso faz parte da vida, que as pessoas fazem coisas estúpidas, que são imprevisíveis, que podemos nos decepcionar com facilidade mesmo com aqueles que mais confiamos, e que tudo, a história inteira pelo qual Ezra passou, foi um aprendizado, e que essa é a parte mais importante. Que não importa o quanto tropecemos e caímos de cara no chão, o que importa é se levantar e seguir em frente, com uma lição nova aprendida. Mas da mesma forma como isso me tira do sério na vida real, me enfezou lendo. Então, sim, O Começo de Tudo é uma ótima história, a escrita da autora é leve e fácil de ler, e embora talvez pareça que eu mais me irritei do que qualquer outra coisa, eu gostei do livro. Pode não ser perfeito, pode ter seus furos por Ezra ser um cabeça dura que pelo visto gosta de ser pisado, e por também não dar valor pra quem tem do lado, porque eu esperei o livro inteiro em vão pela parte na qual ele pedia desculpas pra Toby e agradecia por ele tê-lo acolhido daquela forma, mas a verdade é a seguinte: Isso tudo faz parte. Podemos estar com 60 anos de idade e achando que logo partiremos pra outra, mas na verdade, é só o começo de tudo, porque cada dia é um começo, cada pessoa que entra é uma nova lição, e cada momento que passamos, se torna único na nossa mente e no coração, mas sempre haverá a oportunidade pra um novo começo de tudo

A saída do cinema sempre me deixa estranhamente animado, envolto pelo cheiro de pipoca e com todo mundo falando sobre o filme. É como se tudo ficasse mais vivo, e a linha entre o provável e o cinematográfico se tornasse mais tênue. A gente faz grandes reflexões, como mudar para algum lugar excitante, ou arriscar algum sonho, ou sei lá o quê, mas depois não faz nada. Dá uma sensação de que a vida poderia ser como num filme se quiséssemos.


Nota: 4

Sobre mim: Carolina Rodrigues, 19 anos, mora em Santos e cursa faculdade de Biomedicina. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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