sexta-feira, 29 de agosto de 2014

No Escuro


Nome: No Escuro
Título Original: Into the darkest corner
Autor: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Livro: Skoob | Orelha de Livro
Sinopse:
Catherine aproveitou a vida de solteira por tempo suficiente para reconhecer um excelente partido quando o encontra: lindo, carismático, espontâneo... Lee parece bom demais para ser verdade. Suas amigas concordam plenamente e, uma por uma, todas se deixam conquistar por ele. Com o tempo, porém, o homem louro de olhos azuis, que parece o sonho de qualquer mulher, revela-se extremamente controlador e faz com que Catherine se sinta isolada. Amedrontada pelo jeito cada vez mais estranho de Lee, Catherine tenta terminar o relacionamento, mas, ao pedir ajuda aos amigos, descobre que ninguém acredita nela. Sentindo-se no escuro, ela planeja meticulosamente como escapar dele. Quatro anos mais tarde, Lee está na prisão e Catherine, agora Cathy, tenta reconstruir a vida em outra cidade. Apesar de seu corpo estar curado, ela tornou-se uma pessoa bastante diferente. Obsessivo-compulsiva, vive com medo e insegura. Seu novo vizinho, Stuart Richardson, a incentiva a enfrentar seus temores. Com sua ajuda, Cathy começar a acreditar que ainda exista a chance de uma vida normal. Até que um telefonema inesperado muda tudo. Ousado e poderoso, convincente ao extremo em seu retrato da obsessão, No escuro é um thriller arrebatador.



Catherine é uma jovem de 24 anos, sem família, que adora festa, bares, danças e bebidas. Ela aproveita sua vida de solteira ao máximo com suas amigas, até o dia em que encontra um cara lindo e carismático em um bar... Lee. E melhor: ele parece afim dela também. Para melhorar seu conto de fadas, algum tempo depois eles se encontram na academia e ele a convida para sair. Maravilhada com sua sorte, Catherine mergulha em um conto de fadas que faz com que todas as suas amigas tenham inveja.

Até ele mostrar a sua verdadeira natureza: um agressor.

- Toda mulher gosta de brutalidade – disse ele. – As que dizem que não, são mentirosas.

Ao mesmo tempo, Haynes nos apresenta uma Catherine quatro anos mais tarde, com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), que precisa verificar todas as portas, janelas e cortinas seis vezes, para ter o mínimo de certeza de que está segura dentro de seu próprio apartamento. Uma Catherine ansiosa, quieta e contida. O retrato de uma mulher que sofreu abuso.

Divido não em capítulos, mas em dias, o livro alterna seus dias entre passado (Catherine alegre e cheia de vida) e presente (Catherine com TOC e medo). Aos poucos, vamos entendendo tudo o que aconteceu com nossa personagem no passado, desde quando conheceu Lee, até o dia que o conheceu de verdade, passando por momentos de tensão e pavor, até sua quase morte. Enquanto ela no presente tenta com todas as forças levar cada dia de uma vez, verificando suas portas, janelas, cortinas, talheres e fazendo cada dia uma rota diferente para seu trabalho, tentando convencer a si mesma de que ninguém a está seguindo.


Lee é um personagem que, de início, parece um príncipe encantado. Cavalheiro, bonito e atencioso. Mas vamos descobrindo buracos em sua vida, pedaços de seu cotidiano, que ele esconde de sua então namorada, que começam a deixá-la intrigada. Porém, é só Lee sorrir e levá-la para cama, que parece que tudo parece sumir numa nuvem de fumaça. Aos poucos, então, ele se mostra: uma pessoa extremamente transtornada e possessiva, que poderia até sofrer de algum tipo de transtorno psicológico. Manipulador e violento, quando ele está longe de casa a trabalho, para que Catherine possa saber que ele está sempre a observando, ele entra em seu apartamento sem que ela saiba e muda pequenas coisas de lugar: talheres, móveis. Uma maneira de controlá-la.

Esses eventos mudam Catherine definitivamente e, no presente, mesmo com Lee trancado às sete chaves na cadeia, ela ainda possui aquela sensação de perseguição e necessidade de verificar tudo, para ter certeza de que ninguém entrou em sua casa durante sua ausência. E é no meio de uma de suas verificações que ela conhece Stuart, um psicólogo que está mudando para o apartamento acima do seu. De maneira inesperada, ele entra em sua vida e começa a tentar revolucionar algumas coisas, como um bom psicólogo e uma boa pessoa, tentando ajudá-la a superar seu trauma.

"O tempo todo, noite e dia, meu cérebro gera imagens de coisas que aconteceram comigo e coisas que podem acontecer. É como assistir a um filme de terror repetidas vezes, sem nunca se tornar imune ao medo."

Stuart é uma pessoa maravilhosa, que de cara já sente algum tipo de coisa por Catherine, por mais que ela o afaste, grite, surte e suma por alguns dias (sim, mesmo morando no mesmo prédio). Ele é atencioso e procura ajudá-la em seu tempo, tentando não pressionar... Mas apenas um escorregão e tudo parece regredir e ir por água abaixo. Mas, afinal, ele não sabe tudo o que ela passou, e sabe que precisa dar seu tempo para que ela conte, ao menos uma parte.

Já Catherine precisa ser divida para ser explicada: a primeira, uma solteirona independente, que vive em bares com as amigas, pré-Lee; e a segunda, uma solteirona que parece bem mais velha do que é, cheia de manias e que não permite que ninguém entre em sua vida, pós-Lee.
A diferença entre as duas (que são uma!) é uma coisa incrível. Lee parece ter destruído uma parte de Catherine, assim como suas amigas que a abandonaram quando Lee as colocou contra ela.

Não sobrara mais ninguém. Ninguém. Agora era somente ele e eu.

Por mais que a gente já saiba o que vai acontecer com ela no final, mesmo que de forma generalizada, é extremamente difícil não torcer para que ela consiga escapar das mãos de Lee, o homem perfeitamente insano. E é impossível não se apaixonar por Stuart, que tenta de todas as formas agradar a loucura de Cath e se encaixar em sua rotina tão milimetricamente montada.


Pode parecer que eu falei muito, mas muita coisa ainda acontece, principalmente quando ela começa a achar que Lee está de volta, que é quando a coisa começa a pegar fogo de verdade. No passado, vamos descobrindo tudo o que Catherine passou e como ela passou a entender Lee por quem ele era mesmo. E, no presente, acompanhamos ela com Stuart tentando superar tudo de alguma forma, mas se sentindo incapaz quando acha que Lee pode estar de volta e todo o seu progresso no tratamento retroscede. E muito mais acontece a partir de então.
Sério.
Muito.
Do tipo que eu não esperava e que me deixou sem fôlego e que eu não conseguia parar de ler e me deixou assim, meio tonta. Uffa.

O livro se torna cada vez mais surpreendente, a cada página virada. O trauma que a personagem passou é algo que não consigo nem imaginar. Dá nojo de Lee. Dá um nó no estômago só de pensar. Sair de tudo isso apenas com TOC e TEPT é algo incrível, me surpreende que ela não tenha tentado se matar nenhuma vez. As cenas do passado, quando ela está presa na própria casa, presa à rotina de Lee, é enlouquecedor. Há muitas cenas fortes, descritas muito bem e Haynes está de parabéns por elas. Não tem como não roer a unha e querer arrancar os cabelos.

Sempre achei que mulheres que continuavam levando adiante um relacionamento violento e abusivo só podiam ser umas idiotas. (…) Notei que se afastar não era uma alternativa simples, afinal de contas.

A partir de um ponto, o livro segue apenas no presente, depois que todo o passado foi deixado claro... E parece simplesmente que o sofrimento de Catherine não tem fim. Sei que descrevendo assim, ela parece uma personagem fraca, mas ela é uma personagem muito forte. O que ela faz no final, pouca gente teria culhão para fazê-lo.

Um livro cheio de suspense, ansiedade, frustração e horror (porque o que acontece com ela é horror). Mas mais do que isso, um livro de superação. Para mostrar que sim, tudo isso tem fim. Que ninguém precisa sofrer abuso e ficar quieta. E a força de Cath que luta até o fim, é a maior prova disso.

Novamente, ouvi meu mantra surgir indesejavelmente na minha cabeça: Isso não é normal. Não é assim que as pessoas normais pensam.
Mas que se dane — afinal, o que é ser normal?

Nota: 5

Ps: os bons comentários (não vale só "legal", ok) concorrerão a um kit com 7 marcadores da intrínseca + 1 folheto! :) Vencedor será divulgado na próxima sexta (05-09)

Resultado:

Parabéns, Monalisa, do Literasutra! :)



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 20 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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