domingo, 13 de julho de 2014

As vantagens de ser invisível


Nome: As vantagens de ser invisível
Título Original: The Perks of Being a Wallflower
Autor: Stephen chbosky
Editora: Rocco (jovens leitores)
Livro: Skoob | Orelha de Livro
Sinopse:
Este livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir 'infinito' ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento.



Comecei esse livro da maneira que evito: vi o filme primeiro e depois li o livro. Isso aconteceu principalmente, porque, quando saiu o filme, estava absolutamente todo mundo falando do filme... Bom, eu precisava ver. Acontece que, um tempo depois, eu ganhei o livro e claro que não ia deixar a oportunidade passar. A comparação livro vs. filme eu deixo para uma próxima coluna, mas já lhes digo o seguinte: é fiel. O que é uma raridade. Mas é muito fiel.

Charlie é o nosso remetente. Quem é seu destinatário? Eu, você, o Querido amigo...
Charlie é um personagem (pessoa?) de quinze anos, sensível, tímido e um tanto inocente. Vem até nós contando sua história, seus sentimentos confusos, problemas em família, na escola, o autoconhecimento. Tudo o que um adolescente deve passar, ele passa de maneira diferente, especial, porque Charlie é especial. Ele sou eu. Ele é você. E digo isso com firmeza, porque estou para conhecer alguém que não se identificou com ele.


O livro é narrado em formato de cartas, as cartas de Charlie para seu amigo que em momento algum nos é identificado; em suas cartas [para você?], nosso protagonista conta sua história - desde o primeiro dia de aula no Ensino Médio. Percebemos, ao longo do livro, que ele é uma pessoa sofrida e abalada pela morte de sua Tia Helen, o tempo todo retomada nas cartas.
Charlie, então, nos conta sua passagem pelo ensino médio, começando como um verdadeiro invisível, como costuma acontecer com os adolescentes tímidos e quietos, os wallflower. Apenas mais um na multidão. Até que, de alguma maneira, ele conhece Patrick e Sam, e começa a se sentir parte de algo. Cria melhores amigos. Passa a se sentir infinito.

Mais do que a história de um adolescente tímido e com problemas de controle emocional, o livro aborda temas sérios de maneira leve, dada a inocência do protagonista. Mais do que sexo, drogas e rock n' roll, falamos de homossexualidade e amor. Coragem e amizade.
A escrita de Charlie [Stephen?] é leve e evolui junto com o personagem, na medida do possível. E é simplesmente impossível não se identificar em algum momento com ele. Todos já passamos por algo como o Charlie, afinal, a adolescência é um período um tanto quanto conturbado. Vivi com Charlie enquanto lia... E me senti infinito junto com ele.
Outro ponto que gostei muito são as referências literárias (ganhamos várias dicas de livros, aqui!) e musicais... Faltou um CD ao meu lado [ou uma fita?], para que eu pudesse acompanhar Charlie, Sam e Patrick nessa jornada que é o E.M.


Muito mais do que o filme, o livro me tocou profundamente. Eu fui Charlie. Eu fui o Querido Amigo.
Charlie entrou na minha vida em um momento propício, um momento de transição, de mudança. E junto com ele, eu mudei. Posso dizer que esse livro me mudou, me ajudou a refletir mais sobre diversas coisas, inclusive sobre mim mesma. Nunca me identifiquei tanto com um personagem, como com Charlie, parecia realmente que um pedaço de mim estava exposto ali. E doeu, como um belo tapa na cara.
Posso estar indo um pouco além, mas esse livro é assim: ele vai além. Foi feito para ser lido e relido, refletido, mastigado de leve, saboreado.
Cada experiência e reflexão do personagem, pareceu um pedaço da minha vida ali.

A diagramação e o cuidado da Rocco com o livro foi demais. A simplicidade interna das páginas e tudo mais, combinam muito bem com o personagem que nos é apresentado. Não me lembro de problemas de revisão. Stephen Chbosky e a Rocco me surpreenderam como nunca antes.

Se fui repetitiva ao longo da resenha, me perdoem, mas é assim quando um livro nos toca tão profundamente. Expõe-nos. Eu indico esse livro para todo mundo, independente da sua idade. É curto, leve, é possível lê-lo em um dia. Mas não apenas, leia... Reflita. Encontre-se em Charlie. Sinta-se infinito.

Para finalizar, uma música, além de todas as indicadas no livro, que começou a tocar enquanto eu escrevia e caiu como uma luva... Na sua estante - Pitty. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.

Nota: 5



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 20 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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