terça-feira, 24 de junho de 2014

Morangos Mofados


Nome: Morangos Mofados
Autor: Caio Fernando Abreu
Editora: Agir
Livro: Skoob | Orelha de Livro
Sinopse:
O que primeiro chama a atenção na leitura de "Morangos Mofados" é a fineza de estilo, a agudeza e a percepção de Caio Fernando Abreu para tratar da essência, do que há de mais profundo no ser humano. A busca, a dor, o fracasso, o encontro, o amor e a esperança vão se delineando nessa série de contos que se entrelaçam quase como se fossem um romance. Morangos Mofados foi o maior sucesso de Caio, que lançou 11 livros e foi traduzido para diversas línguas.


Morangos Mofados foi o primeiro livro que eu peguei em uma biblioteca - desconsiderando os acadêmicos. Uau! Vocês não têm ideia de como isso foi emocionante para mim. Ok, sim, eu estava matando aula para pegar um livro, e eu matei aula para ler o livro. Leitores, não façam isso da vida de vocês! Não recomendável, ainda mais se a aula vai cair na prova. Voltando...

"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?"

A realidade é que escolhi um livro do Caio F. Abreu por pura curiosidade. Afinal, se tanta gente posta quote e frase e parafraseia e fala e acontece por causa dele... Bom, alguma coisa deve ter, não?! E, cara, devo dizer que gostei muito do que encontrei. Não sei se conseguirei transmitir alguma coisa nessa resenha, ou, pelo menos, o que eu gostaria e transmitir, porque além de fazer um tempinho que li, Caio trouxe até mim uma grande mistura de sentimentos.

Dividido em três segmentos, o livro nos traz contos em fases, por assim dizer.

O Mofo: aqui encontramos contos mais pesados e tristes. Tudo que há de ruim. O mofo, que te deixa com aquele gosto amargo na boca, um leve enjoo, até, eu diria. Amores fracassados, bebidas, drogas e afins. A dor no peito predomina... O primeiro conto resumiu bem uma parte da minha vida; sabe quando você lê e fala, nossa, this!? Pois é.

"...Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."

- Natureza Viva


Os Morangos: aqui encontramos a esperança. Os fiapos de fé; o amor - ainda que muitas vezes sofrendo repressão e preconceito. Fitas de raio de sol no meio de uma tempestade.

"- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu."

Morangos Mofados: Esse é um conto único, ao som de Strawberry Fields, dos nossos (meus!) queridos Beatles. Esse conto resume bem o livro, resume bem o gosto de morango mofado que fica na nossa boca durante o livro todo; aquele nó no estômago. Esse conto diz tudo.

"E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta."

No fim, ainda encontramos uma carta de Caio... Que, nossa, ela fechou com chave de ouro o livro!
Mas, agora, falando sobre os contos. Seria muito hipócrita e mentira de minha parte se eu dissesse à vocês que eu entendi todos os contos em 100%. Muitos ali possuem um toque tão pessoal do autor, que é realmente difícil compreender completamente; entretanto, há outros contos que me identifiquei muito com o sentimento do personagem, a situação vivida.
Uma coisa que eu não esperava, porque nunca tinha ouvido ninguém falar nada do livro, é a quantidade de contos puxados para o lado mais sexual/sensual. Em sua maioria, homossexual. Não tenho muitos problemas com isso (só com a cena que ele descreve suor e... ew.), mas realmente não esperava.
Não é uma leitura simples, a linguagem pode incomodar quem não está acostumado. Mas é uma leitura que vale a pena, por mais incômoda que seja - afinal, os nossos morangos estão mofados, e não apenas no livro, mas em nossa vida. Um sentimento de amor e dor, eu diria que é isso que o livro passa.
Alguns contos foram muito especiais para mim. Diálogo, que é o primeiro, praticamente resumiu minha vida. Natureza Viva, Aqueles Dois, O Dia em que Júpiter encontrou Saturno e, por fim, Caixinha de Música foram contos que me marcaram muito. Caixinha de música acho que é o que mais sai um pouco da linha que o autor manteve ao longo do livro - eu diria que é o tipo de coisa que eu escreveria, é do tipo que eu amo ler.

Percebi, também, que esse livro é bem 8 ou 80 - ou ame ou odeie. E isso vai depender unicamente de você: por quanto tempo você aguenta esse gosto de azedo na boca? Por quanto tempo você consegue fingir que não está sentindo esse incômodo, as cutucadas constantes? Strawberry fields forever.

Acendeu outro cigarro, desses que você fuma o dobro para evitar a metade do veneno, mas não é no cérebro que acho que tenho o câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum.


Nota: 4



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 19 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

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