sábado, 1 de fevereiro de 2014

A Garota dos Pés de Vidro

Nome: A Garota Dos Pés de Vidro
Título Original: The Girl With Glass Feet
Autor: Ali Shaw
Editora: LeYa
Livro: Skoob | Orelha de Livro
Sinopse:
Cenários cinematográficos, paisagens paradisíacas, pântanos congelados com animais transformados em vidro, florestas brancas, penhascos monocromáticos, um oceano de baleias, lendas e águas-vivas. Este é o universo fantástico de Ali Shaw, autor britânico que renova as fábulas e cria uma inusitada história de amor. Midas é um tímido fotógrafo ilhéu. Ida é uma jovem aventureira que vem ao arquipélago de Saint Hauda's Land buscar a cura para sua misteriosa doença. Ela está se transformando em vidro e juntos buscam uma solução. O que eles mais precisam é de tempo - e o tempo está passando rápido. Será que vão encontrar uma maneira de evitar a propagação do vidro?

Esse foi um dos livros mais decepcionantes que li no ano.

Midas, um fotógrafo introvertido que tem sérios problemas na relação com os pais e um único amigo, um dia encontra uma garota chamada Ida, que veio à pequena cidade em busca de um homem que pode saber a cura para uma misteriosa doença que ela tem nos pés. Essa doença, é claro, é que seus pés estão virando vidro. Literalmente.

Quando comprei o livro, o fiz simplesmente porque a capa é maravilhosa. Sério, é uma das capas mais bonitas que eu já vi, ela tem alto relevo e o lado das páginas é cinza, não tem como não gostar. O título me pareceu poético e, sem ler a sinopse nem nada, eu pensei que fosse uma metáfora, provavelmente sobre fragilidade ou sei lá, essas comparações com vidros são bem famosas, então pensei que fosse mais uma. Eu estava na bienal e não tinha comprado muitos livros até o momento, então confesso que eu compraria qualquer coisa no momento, sem prestar muita atenção.
Dica: não façam isso.
Pensei com cuidado antes de saírem comprando livros por impulso, porque sempre dá errado. Eu sempre compro livros pela capa, me arrependo, prometo nunca mais fazer isso, mas lá estou eu na livraria mais próxima comprando mais um livro antes de saber sobre o que se trata.

De qualquer forma, o livro começou bem. Não é muito meu estilo de livro, muito fantástico, mas a escrita era "chique" e eu estava curiosa para ver como tudo ia se encaixar depois. Midas tinha uma história mal resolvida com o próprio pai, que cometeu suicídio antes, e eu fiquei esperando por grandes revelações e um final que enlaçasse tudo. Por outro lado, Ida tinha o problema dos pés dela, que havia aparecido sem explicação nenhuma e ela procurava um meio de resolver. Todos os personagens são sem graça, para dizer o mínimo, e nenhum dos dois fez alguma coisa de interessante no livro inteiro.

Se fosse só isso, eu nem me importaria muito, mas o problema é que, depois de certo ponto, o livro começou a me irritar. E quando isso acontece, não tem mais volta. Se eu estivesse adiantada na minha meta do goodreads, que teria abandonado com certeza, mas estou seis livros atrasada e não posso me dar o luxo de não terminar o que comecei. Esse foi o azar do livro, porque, sendo forçada por mim mesma a acabá-lo, eu só fui ficando com mais raiva do que estava lendo. Eu sei que o livro é de fantasia, mas teoricamente ainda está no mundo real e as pessoas deveriam pensar racionalmente, então não tem desculpa para comportamentos ilógicos, como, por exemplo, o momento que eles resolvem curá-la dando queimaduras com água-vivas em sua perna, para forjar a morte do tecido a sua volta e o vidro não se espalhar mais.

Agora eu pergunto, por que não simplesmente amputaram o pé dela? Uma cirurgia que é feita no mundo real, é segura, pode ser feita com anestesia e depois ainda pode colocar uma prótese. Isso é século XXI, não XV, para que toda essa barbaridade de água-viva? E eu não consigo imaginar uma criatura que vê seu próprio pé se tornando vidro e não vai a um médico. Não que ele pudesse fazer nada, mas tira umas fotos, joga na internet, vê se alguém no mundo sabe alguma coisa, sei lá, quem se importa que você vai ser alvo de atenção? Melhor isso do que morrer. Certo, talvez isso seja só eu e as pessoas realmente façam idiotices assim, mas é demais para mim.

Burrices a parte, tudo isso seria perdoado se ao final tivesse alguma explicação para tudo o que aconteceu. Não tem. O livro acaba tão sem sentido quanto começou. Talvez o livro inteiro seja uma grande metáfora que eu não soube interpretar. Para falar a verdade, provavelmente é, deve ter toda uma linda história nas entre-linhas e, realmente, ele parecia ser bem escrito, e o clima poético ainda estava lá. Mas ele simplesmente não funcionou para mim.

Acabei dando uma estrela só, mas isso não significa que o livro SEJA ruim, eu realmente acredito que seja um livro ótimo, mas foge totalmente do meu estilo e eu não só não entendi nada, como não estava no clima para fazer o mínimo de esforço para tentar entender.

Nota: 1

Sobre mim: Flávia Crossetti, 18 anos, carioca. Estudante de Psicologia, leitora compulsiva, viciada em séries, escritora de fanfic e feminista nos tempos vagos.

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