sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Garotas de Vidro


Nome: Garotas de Vidro
Título Original: Winter Girls
Autora: Laurie Halse Anderson
Editora: Novo Conceito
Livro: Skoob | Orelha de Livro
Sinopse:
Lia está doente e sua obsessão pela magreza a deixa cada vez mais confusa entre a realidade e a mentira. Mas ela perde totalmente o controle quando recebe a notícia de que sua melhor amiga, Cassie, morreu sozinha em um quarto de motel. E o pior: Cassie ligou para Lia 33 vezes antes de morrer. O que começou como uma aposta entre duas amigas para ver quem ficaria mais magra tornou-se o maior pesadelo de duas adolescentes reféns de seus próprios corpos. Ao negar seu problema, Lia impõe a si mesma um regime cruel em que contar calorias não é o bastante. Ao omitir seu desespero, apela ao autoflagelo numa tentativa premeditada de aliviar seus tormentos. Seus pais e sua madrasta tentam ajudá-la a qualquer custo, mas nem mesmo sua doce irmã, Emma, consegue fazer com que Lia pare de se destruir. Agora, Lia precisa encontrar um modo de lidar com todos os seus fantasmas, e a morte de Cassie é um deles. Garotas de Vidro é uma história intoxicante sobre a autorrepugnância e a busca pela identidade. Neste livro, Laure Halse anderson aborda de modo realista a dolorosa condição de jovens que sofrem de transtornos alimentares e sua complicada relação com o espelho e consigo mesmos.


O marcador de páginas do livro já diz:
"A leitura desta história pode ser incômoda, mas é muito difícil interrompê-la." - Publishers Weekly
Devo dizer que isso resume bastante o que eu acho desse livro, considerando que eu o li duas vezes, e na primeira eu tinha vontade de jogá-lo na parede. Mas tudo bem, força. Vamos explicar o que acontece nessa minha relação de amor-e-ódio com Garotas de Vidro!

Lia é uma garota de 18 anos com uma séria doença, ela possui um transtorno alimentar, no caso, anorexia. Com os pais separados e um relacionamento muito difícil com sua mãe médica, após já ter sido internada uma vez, Lia vive com o pai, madrasta e a meia-irmã mais nova, sempre escondendo sua doença, fingindo para a família que estava recuperada - mesmo com certas dificuldades.
Narrado em primeira pessoa, acompanhamos o sofrimento da personagem ao cozinhar, sentir o cheiro, a textura do alimento e, ao mesmo tempo que sente desejo, sente nojo do alimento. Entramos dentro de uma mente realmente doente, e somos forçados a ver por uma visão perturbada e distorcida da realidade, onde o espelho é o nosso maior inimigo. Onde se cortar é o melhor método para espantar os fantasmas...
Os fantasmas, ou melhor, um em específico: Cassie, melhor amiga de Lia, que agora está morta. Cass também sofria de transtornos alimentares, mas no caso, de bulimia, ou seja, enquanto Lia se contorcia de fome, assistia sua melhor amiga se empanturrar de comida, para depois ter que acompanhá-la até o banheiro e ouvi-la fazer o trabalho sujo, apenas para se sentir bem. Agora, no entanto, Cassie está morta e seu fantasma assombra a pequena Lia-Lia, que não atendeu suas 33 ligações antes de sua morte.

... corpo encontrado em um quarto de motel, sozinho...

Toda a história de Cass e Lia com os problemas alimentares começa quando ambas fazem uma aposta, um pacto de sangue, para ver quem seria a mais magra, mais perfeita. Uma aposta iniciada na inocência pressionada pelos padrões de beleza da sociedade, sem a menor ideia de que consequências isso poderia trazer não só às duas, mas à todos que convivem com elas. Uma doença desestabilizadora, que tira de ambas a noção de certo e errado, a visão real do mundo; onde pesar 45 é muito, e a balança e o espelho são seus piores inimigos, onde o frio e a fome são seus melhores amigos e a comida o caos.

Andamos de mãos dadas pelo caminho de pão de mel até a floresta, sangue pingando de nossos dedos. Dançamos com bruxas e beijamos monstros. Nós nos transformamos nas garotas geladas e, quando ela tentou ir embora, eu a puxei de volta para a neve porque estava com medo de ficar sozinha.

Após a notícia da morte de sua melhor amiga, Lia se vê numa posição muito delicada, onde sua doença está cada vez pior, os números a assustam cada vez mais e, para piorar, Cass agora lhe assombra. Além disso, agora toda sua família está em seu pé, com medo de que lhe aconteça o mesmo. Mas afinal... O que aconteceu com Cassie? Tudo o que Lia sabe é o que o jornal diz: o corpo encontrado sozinho em um quarto de motel. Além, é claro, de suas secretas 33 ligações não atendidas, o ponto mais perturbador.
Em uma tentativa de ganhar a aposta da amiga, agora morta, e se livrar de seu fantasma e de seus medos, Lia agora [sobre]vive em períodos cada vez mais tensos de fome e em uma verdadeira luta com a balança: 45, 43, 38, 33, 0 kg... Tudo para esquecer, tudo para ganhar, tudo para se sentir bem ao menos uma vez na vida...

Quando eu era uma garota de verdade...

Garotas de Vidro não possui uma leitura fácil. O livro é escrito de um jeito diferente, e isso me incomodou na primeira leitura, mas acho que combina com a personagem. Além do mais, Lia é uma personagem que pode chegar a irritar, mas temos que manter sempre em mente de que ela está verdadeiramente doente. E isso é agonizante, ver uma pessoa passando fome por escolha [ou não]. As coisas que passam na cabeça de Lia, chegam a parecer absurdas. Doí ler e não poder fazer nada.

A escrita de Laurie é única, perturbadora, incômoda propositalmente e poética. Somos colocados em uma posição que não nos agrada, a realidade da personagem nos faz refletir sobre muitas coisas na vida, sobre nós mesmos, sobre nossos hábitos e o que achamos certo e errado. Um verdadeiro choque. O que é a verdadeira beleza? Será que nós mesmos estamos bem com nosso corpo? Seria nosso incômodo, muitas vezes, por culpa da pressão da sociedade, ou é uma coisa nossa, que vem de dentro?

Indico o livro para todos. Pode ser difícil, de início. O objetivo aqui não é agradar, é chocar e nos fazer pensar, é nos fazer refletir sobre uma realidade tão próxima [olhe para os lados, na rua. Quantas meninas você acha que não passam por isso? Nós só não enxergamos]. A primeira leitura, pra mim, incomodou e muito. Precisei deixar de lado, absorver e reler. E o livro mexeu tanto comigo... por isso, quatro estrelas e meia (desculpa, Lia! Nossa relação ainda é de amor e ódio) pelo trabalho maravilhoso de Laurie em expor a realidade de muitas de suas leitoras, e do trabalho ótimo da NC com a diagramação.

Nota: 4,5



Sobre mim: Letícia Proença (Leeh), 19 anos, estudante de Medicina Veterinária em Botucatu, até hoje não sabe como leva a graduação e a paixão por sites e livros lado a lado. Canceriana louca, gostaria de saber como aumentar as horas do dia para poder fazer tudo o que gosta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário