domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Voo da Estirpe


Nome: O Voo da Estirpe
Autora: Adriana Vargas de Aguiar
Série: Caminhos rumo à libertação
Editora: Modo
Livro: Skoob
Sinopse:
Clarice - sua mente refratária não para, buscando pelas lembranças ou sentimentos. Um dia ela se lembrará como tudo aconteceu, caso consiga acordar e se lembrar... Seu corpo está inerte. Aparentemente morta, trazia a pele fria pelo desamparo e solidão. Na boca, um tubo alimentava-a de forma robótica. No nariz, um ar mecânico enchia seus pulmões. No coração – a lembrança viva de Klaus. Na mente, experiências no estado quase-morte confundiam sua realidade, ela não sabia mais em qual parte da vida vivia - dentro ou fora do coma. Onde está ou esteve Klaus? Ele existe ou está morto ou é fruto de sua imaginação? Clarice mergulhará para buscar tais respostas; atravessará as barreiras e limites da compreensão para - encontrá-lo ou reencontrá-lo? Cabe ao leitor descobrir se é verdade ou fantasia os momentos de Clarice... Quem é Clarice?Os mortos estão entre nós? Encontre esta obra em qualquer livraria da Cultura em sua cidade ou no site da Editora Modo.


Primeiramente, agradeço à Adriana pela oportunidade de ler seu livro esplêndido por meio do booktour!
E antes de falar sobre a história, preciso deixar algo bem claro: Não é uma leitra leve, que você lê pra passar o tempo. A escrita da Adriana eu admito ser maravilhosa, pois ela usa palavras extraordinárias e consegue colocá-las direitinho, deixando assim até uma linguagem mais formal. Entretanto, são exatamente essas palavras que deixam a leitura pesada e às vezes cansativa, pois tem que prestar bastante atenção, e inclusive até se perguntar o que significa determinada palavra. Então, acho que é um livro que você precisa disponibilizar um tempo de concentração pra entrar na história e acompanhar sem grandes empecilhos pra atrapalhar. E também, mesmo reparando que esta é a 2ª edição, encontrei vários errinhos ortográficos, ou até mesmo de sinais que deixam a frase com outro sentido, ou mais estendido do que devia ser. Então, acho importante ressaltar esses detalhes, porque pra quem repara bem, acaba vendo algumas falhas.

- Ainda preciso ver as coisas de um ângulo que me dê segurança. Tenho a estranha mania de acreditar que as coisas que imagino sejam do modo que creio que são. O teor da frustração aumenta, quando descubro que nada que pensei é exatamente do jeito que é. Por isso prefiro ir mais devagar, conhecendo o terreno."

Clarice é uma mulher totalmente sozinha e aflita pra suprir sua carência, apesar de o único relacionamento que teve, tenha sido um desastre, já que sua melhor amiga o roubou dela. Seguindo em seus dias depressivos e solitários, ela tem um pesadelo com um homem que a deixa muito intrigada. O pior, foi ir à cafeteria, e encontrar um homem que se vestia exatamente igual ao homem de seu pesadelo. E, para complementar, ele estava a seguindo em todos os lugares onde ela ia, e dessa vez, na realidade. Até que ela se cansou daquela perseguição, e embora ele demonstrasse estar mais interessado em conquistá-la do que querer fazer algum mal á ela, Clarice decide enfrentá-lo, seguindo-o ao banheiro e se relacionando com ele.
E o resultado? Bom, ela não conseguia mais parar de pensar nele. Tanto que, após passar alguns dias tentando esquecê-lo, ela não resistiu e foi ao seu apartamento para reencontrá-lo, e é nesse momento que conhecemos melhor Klaus, seu perseguidor, que se apaixonou por ela logo em que a viu.

O ponto principal do livro é a reflexão. A autora nos instiga a refletir sobre diversas coisas que a personagem fala, e nos faz pensar em nossas próprias vidas. A princípio, eu achei que Klaus era apenas uma invenção de sua mente desolada, pois ele era perfeito demais para ela, para ser real. E, inclusive, esse tipo de perseguição só costuma acontecer em filmes, não com ela, que mal conseguia arranjar uma companhia!
Mas depois, quando as coisas vão se encaixando e você vai percebendo o que realmente está acontecendo, pelo menos eu, fiquei em choque. Porque não tinha pensado naquela opção, e realmente, é um assunto bem complexo e amplo de se tratar.

Para que todos tenham uma ideia do que a história retrata, os personagens costumam fazer loucuras que, naturalmente, as pessoas olhariam de forma estranha ou repreendedora, mas no caso, elas nem se importam. Eu não gosto de dar muito detalhes, para não acabar com a surpresa, mas é difícil fazer uma resenha quando  não se pode expressar sua frustração com o decorrer dos acontecimentos e principalmente, do final, haha. De verdade, eu esperava que o final fosse bem esclarecedor, mas a autora nos deixa com aquele gostinho de quero mais, que nos deixa na expectativa de logo ler o segundo volume para desvendar afinal qual é o destino de Clarice.

"Cada parte do seu mundo trazia uma sensação de curiosidade. Meu medo era de ser interrompida ao transmitir o amor que guardei a todo o tempo em que desejei exatamente o que estou vivendo agora. Esse era o obstáculo do momento. Buscava por uma harmonia e ela escorria entre meus dedos. Um estigma de sofrimento de quem nasceu para morrer deste modo, não permitia sentir-me plena, pois o medo de perder, sempre era o objeto principal do súbito mal estar.
(...)
A grande surpresa está em ser quem sou vivendo o que está sendo oferecido e ganhar como bônus, o bem estar, e não, a outra pessoa. A outra pessoa é dela. Eu sou de mim. E, muitas vezes, não somos de ninguém. Somos livres."

Nota: ★★★★☆

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