quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Livro de Julieta


Livro: O Livro de Julieta
Autora: Cristina Sánchez Andrade
Editora: Companhia das Letras
Livro: Skoob
Sinopse:
"Um biquíni novo, um passeio de mãos dadas com os irmãos, uma piscina de bolinhas, a chuva, a rotina. Para Julieta, a felicidade é isso. Já para sua mãe, a jornalista espanhola Cristina Sánchez-Andrade, a felicidade é algo um pouco mais complicado, principalmente depois que sua filha foi diagnosticada com síndrome de Down. “Ela vai te fazer companhia a vida inteira”, “É um presente de Deus”, “Você é forte, vai superar” — é tudo o que tem ouvido desde então. Através de memórias, bilhetes, cartas, diálogos e impressões, este livro narra a história real de Cristina e sua filha, uma história de atividades, de trabalho, de cobrança, de médicos, mas também de amor, de carinho, de brincadeiras, de beijos. É a história do cotidiano de uma família e de uma criança muito especial, que é impossível não amar — mesmo quando ela insiste em fazer xixi nas calças todos os dias ou toma detergente enquanto ninguém está olhando"


Vou iniciar a resenha pela capa, que é incrivelmente linda, e delicada. O livro é pequeno, o que o deixa mais encantador ainda. Agradeço à editora por nos ceder, e com certeza, parabéns pelo trabalho! Tanto a capa, quanto a diagramação foi super bem feita. Se eu encontrei um erro, foi muito. E isso é sempre um ponto positivo, até nos incentiva mais a ler os livros publicados por aquela editora.

A história é real, da própria autora, Cristina Sánchez, que nos conta sua experiência de após dois filhos normais, ter dado a luz à uma garota chamada Julieta, com síndrome de Down. Foi um susto para a família inteira, pois ela não tinha feito exames profundos a respeito de doenças que o bebê provavelmente poderia ter. Em sua mente, ela idealizava a filha com aspectos totalmente diferentes dos quais ela se deparou. E depois, era tarde demais para pensar em realmente tê-la, ou não. Porém, no decorrer dos acontecimentos, a autora se arrepende por tal suposição, sabendo que aquilo mudaria totalmente sua vida.
Julieta foi um desafio enorme para ela, e isso ninguém pode suspeitar. Se só de imaginar criar uma criança assim, já é difícil, a autora passou por grandes barras, e que não estava nem preparada para segurá-las. Do mesmo jeito, após dois anos, ela decidiu arriscar e ter mais uma filha, Inés, que veio sem sequelas. Julieta era uma criança que com seis anos, ainda agia como um pleno bebê, não sabia ler ou escrever, e fazia birra se discordassem dela, principalmente para chamar a atenção. Ela tinha a mania de arrancar a roupa e procurar por outras durante cinco ou mais vezes ao dia, além de tirar todos os objetos da casa, fora do lugar. Ela ficava feliz com coisas simples, como luvas, e apenas um esparadrapo em seu dedo, mostrando a todos na rua que tinha se machucado, até desgastante tempo depois, em que perdia a graça e jogava fora.
Cristina em todos esses anos teve que ouvir comentários desagradáveis, às vezes sem a intenção, mas que não lhe ajudava em nada. Ela sabia a situação que estava encarando, ninguém precisava usar palavras delicadas ou sem nexo para não feri-la. Ela já estava machucada, desde que Julieta nasceu, e viu o destino que teria de enfrentar. A princípio, Cristina é bem sincera, afirmando que por muitas vezes perdeu a cabeça e tinha vontade de cometer loucuras, e que ficava se perguntando: Porque eu, dentre tantas pessoas?
Se formos pensar por um lado, pode parecer injusto, pois Julieta não decidiu simplesmente nascer assim. Ela não tinha culpa, e aposto que ela bem preferiria ser normal também. Mas para uma mãe despreparada pra ocasião, e enlouquecendo com a atitude da filha (além de ter mais três para criar), é compreensível, e com certeza qualquer um chegaria a um limite de pensar o mesmo. Ainda acho até que ela foi corajosa ao extremo por colocar outra filha ao mundo, sem ter a certeza se ela teria o mesmo problema de Julieta.

Certa manhã, poucos meses após o nascimento de Julieta, acordei com uma obsessão: ser sua amiga.
Ser sua amiga e continuar sendo minha amiga, ao longo dos anos.

Quanto a história em si, eu só achei alguns defeitos... Por exemplo, é dividido em vários capítulos. Mas não em sequências de acontecimentos, é tudo intercalado. Às vezes ela coloca um detalhe de 2003, e no próximo capítulo vai pra 2010, e depois volta pra 2005. Eu sinceramente me senti um pouco perdida, e foi meio desconfortável. Eu queria saber como foi que ela aprendeu a lidar com a situação aos poucos, não nessa confusão que ela acabou fazendo. Quanto a isso, poderia ter sido construído melhor, talvez passaria até mais emoção ao leitor, além do que já é. Não posso reclamar por ter algumas partes desnecessárias, pois o livro foi feito há pouco tempo, e a história delas ainda está em continuação. Acredito que Cristina o escreveu mais para desabafar suas frustrações, e mostrar como devemos ser fortes em situações repentinas, não com a intenção de envolver o leitor a ponto de se sentir tocado, ou querer saber o resto. Além de, para explicar ao público, sobre a doença que sua filha tem, e que muitas pessoas por aí tem, e não damos muito valor.
Por um lado, Cristina teve sorte, pois por mais difícil que seja criar Julieta, ela tem cuidados especiais, e é respeitada. Atualmente, eu vejo tanta descriminação, principalmente com pessoas com qualquer deficiência, que eu acredito que a maioria das pessoas que sofrem tanto disso, como quanto outra doença, acabam por serem julgados e sendo motivo de piadas. E não foi o caso de Julieta, o que lógico, é mais do que bom pra ela!
Aliás, no final do livro, Cristina colocou duas fotos. Uma foto dela com a filha, e outra de Julieta sozinha. Tãaao liiiinda!!! Sério, eu fiquei uns bons segundos só olhando, de tão pequenininha e encantadora ela é! E me bateu algo ruim, por saber que ela poderia ser uma criança como todas as outras. Porém, lembrei de que ela tinha uma família, cuidados, e principalmente carinhos. O que significa que ela é feliz suficiente, talvez mais do que uma criança normal pode ser. Afinal, dentro dela, Julieta é apenas uma criança. Assim como todas as outras.



Nota: ★★★★☆


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