sábado, 21 de janeiro de 2012

Marina


Nome: Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Livro: Skoob / Submarino

Sinopse:
"Em maio de 1980, desapareci do mundo por uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro. (...) Uma semana depois, um policial à paisana teve a impressão de conhecer aquele garoto; a descrição batia. O suspeito vagava pela estação de Francia como uma alma penada numa catedral de ferro de névoa. O policial me abordou com um ar de romance de terror. Perguntou se meu nome era Óscar Drai e se era o rapaz que havia sumido sem deixar rastros do internato onde estudava. (...) Na época, não sabia que, cedo ou tarde, o oceano do tempo nos devolve as lembranças que enterramos nele. Quinze anos depois, a memória daquele dia voltou para mim. Vi aquele menino vagando entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina se acendeu de novo como uma ferida aberta."


Sinceramente, se eu for simplesmente olhar a capa, e a sinopse, eu não me interesse nem um pouco. Na verdade, nunca me interessei. Desde o lançamento, tanta divulgação, e minha atenção era tão pouco chamada, que nem as resenhas a respeito desse livro me despertava a vontade de ler a própria resenha. Sabe quando a gente só não gosta tanto assim? Meio sem explicação, infelizmente foi assim. Num dia em que eu estava comentando nos blogs parceiros, achei uma resenha, e resolvi levar a fundo e ler. Somente a resenha me cativou tanto, mas tanto, que eu necessitava desesperadamente dos livros em minhas mãos. Pelo visto, tinha tudo o que eu mais quero num livro: Mistério, romance, e digamos que um certo terror. Aproveitando a oportunidade, e que meu namorado pediu que eu escolhesse um livro para me dar de natal (Me diz, pra que ele foi fazer isso? É impossível para nós escolher somente um livro. Se ele me desse uma biblioteca inteira, aí sim eu ficaria completamente realizada, haha.) eu deixei minha vontade repentina falar mais alto, e ele me deu de presente o livro Marina.

Resultado? A partir do momento em que o abri, não consegui largá-lo mais.

Óscar estuda num internato em Barcelona, tendo a hora livre para sair apenas no intervalo, ou a noite, ao término das aulas. Ele não é como o resto, ou maioria dos alunos, que aproveitam para conversar e se divertir. Ele prefere relaxar saindo, andando sem um rumo certo, até o dia em que ele entra em uma das casas apenas por curiosidade, já que ela parecia estar desabitada, assim não havendo problemas em admirá-la por dentro também, ou descobrir o que tinha lá. Porém, apesar da falta de luz no local, ele logo percebe uma música tocando, embora nem mesmo isso tenha o feito ir embora, apenas quando nota uma outra presença no cômodo, e com o susto, ele foge da casa para que não seja visto, ainda com algo o intrigando. Quando chega ao internato, e o susto passa, é quando repara num relógio em sua mão - aquele que encontrou enquanto andava pela casa, e na hora esqueceu de botar de volta no local onde estava. Entretanto, não era um relógio qualquer, carregava consigo uma dedicatória, o que deixou Óscar mal e na responsabilidade de devolver. Certo de que era o correto a fazer, ele volta na casa, dessa vez encontrando uma garota com a mesma faixa de idade que ele, e em seu ponto de vista, linda. Ela conta que o relógio é de seu pai, e que deveria entregar a ele, não a ela. Assim, Óscar conhece ambos totalmente simpáticos e educados, entendendo o que houve e o desculpando sem problema algum. Mas, por algum motivo, a garota não sai da cabeça de Óscar, e ele começa a voltar lá, além de agora, juntos, compartilharem um segredo, um mistério que estão destinados a desvendarem, envolvendo um cemitério onde vão investigar, e avistam sempre uma dama de negro depositando flores num túmulo, e a carruagem com uma borboleta negra que os deixam terrivelmente curiosos.



Agora, vamos lá. Da mesma forma que eu amei, tiveram pontos que eu tenho de apontar. A escrita de Carlos é completamente maravilhosa, de verdade! Algumas frases, tem aquele ar de lógica, que nos transmite verdadeiras lições em poucas linhas. E o desenvolver da história é maravilhosa, a versão de cada personagem quando eles contam, te fazendo conhecer como aconteceu com cada um, ele faz de uma forma tão inteligente, que mesmo você já sabendo o que ocorreu pela versão do outro, te instiga a ler e descobrir até se, há outros detalhes que deixou passar despercebido, ou então, te envolvem e você volta no tempo com eles. Mas, eu achei que o início da história poderia ter sido construída de uma forma melhor.
Primeiramente, Marina e seu pai aceitaram as desculpas de Óscar muito facilmente, que tivesse invadido sua casa, roubado o relógio de valor sentimental, e ainda por cima, nem conheciam o garoto direito para confiar plenamente. Porém, há a questão também de, o ocorrido ter sido há muito tempo, o que talvez, naquela época, não era considerado um erro tão grande assim, por não ser tão de costume acontecer. Mas, quando Marina p chama para ir ao cemitério, e embarcam nessa aventura, embora eles se aproximem aos poucos, novamente ela botou muita confiança. E, além disso, eles não tinham um motivo tão grande a ponto de arriscarem a própria vida num mistério que poderia ser bem perigoso, e eles tinham noção disso. Foi simplesmente por curiosidade, não havia laço familiar, ou qualquer coisa do tipo, que os envolvesse. Não sei, acho que nesse sentido, poderia ter sido colocado melhor.
E a capa, não que seja um ~erro, mas pelo menos a mim não encanta muito, e nem combina tanto. Mas, fora isso, eu não tenho motivos pra julgar - a história é perfeita!

"A vida concede a cada um de nós apenas alguns raros momentos de felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes são anos. Tudo depende da sorte de cada um. A lembrança desses momentos nos acompanha para sempre e se transforma num país da memória ao qual tentamos regressar pelo resto de nossas vidas, sem conseguir."

Infelizmente eu não sei como explicar e contar mais detalhes do livro, pois já estragará a graça. Tem um grande toque de mistério, que te faz criar milhões suposições junto deles, a raciocinar, e tentar chegar numa resposta, antes deles mesmos, haha. Umas vezes eu até achei ser terror, mas não dá pra considerar totalmente, só um leve toque. O romance não faltou, mas foram poucas as cenas realmente de amor. Se tiveram uma ou duas, foi bastante, mas o suficiente, no ponto certo. O amor entre eles não era algo livremente exposto, era algo que ambos guardavam para si mesmos, e na hora de mais desespero, ou sentimento de perda, eles deixavam expor, um amor bonito e cativante, que nos deixa com o coração na mão por eles. E o final? Meu deus. As últimas páginas me fez chorar a cada palavra que eu lia, haha. É completamente lindo, eu já previa que coisa do tipo fosse acontecer, mas tinha esperanças de que o autor não judiasse tanto do leitor ):
Cada parte, é como uma lição de vida. Nos mostra os erros que acabamos cometendo, e depois não há como voltar no passado para concertá-los. Nossa, mostra tanta coisa que eu nem sei falar, só lendo para realmente compreender. Vou fazer uma comparação boba ao final. É como Um amor para recordar - não consigo assistir sem chorar. E só de pensar, as lágrimas vem com força total, haha. É incrivelmente lindo, surpreendente, uma leitura tão boa que quando termina, você não sabe se fica mais triste pela história em si, ou por ter acabado e não podermos mais acompanhar esse enredo maravilhoso. Vale mais do que a pena ler!

“Marina me disse um dia que a gente só se lembra do que nunca aconteceu. Ainda ia se passar uma eternidade antes que eu pudesse compreender essas palavras.”


Nota: ★★★★★


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